Sabe aquele peso nos olhos que bate logo depois do almoço? Muita gente tenta lutar contra isso com litros de café ou simplesmente forçando a barra para continuar trabalhando. Mas a ciência acaba de dar um veredito que vai agradar quem gosta de uma soneca.

Um estudo feito pela Universidade de Genebra mostrou que parar tudo para um cochilo de 45 minutos não é preguiça. Na verdade, é uma das melhores coisas que você pode fazer pela sua inteligência e pelo seu rendimento no dia a dia.

O que os pesquisadores descobriram é que o nosso cérebro funciona como um computador que vai ficando lento com o passar das horas. Conforme a gente recebe informação, conversa com as pessoas e resolve problemas, as conexões entre os neurônios ficam sobrecarregadas. É como se a memória ficasse cheia e não coubesse mais nada.

Esse descanso curto à tarde serve para dar um reinício no sistema. Ele limpa o que não presta e organiza o que é importante, deixando você pronto para aprender coisas novas sem aquele sentimento de exaustão mental.

Como a soneca limpa a sua mente

Antigamente, os médicos diziam que só uma noite inteira de sono conseguia recuperar o cérebro. A novidade agora é que esses 45 minutos já fazem um trabalho pesado. Durante esse tempo, o cérebro reduz a voltagem das conexões que foram muito usadas e abre espaço para novas memórias. É por isso que, depois de acordar de um sono curto, você sente que as ideias fluem melhor e que aquele problema difícil de manhã parece mais fácil de resolver. Não é mágica, é biologia pura.

Mas atenção para o tempo. O estudo é bem claro ao falar em 45 minutos. Se você passar muito disso e entrar em sono profundo, pode acordar mais cansado do que quando deitou, naquela famosa lerdeza que estraga o resto da tarde. O segredo é o equilíbrio.

Mas atenção para o tempo

No mundo ideal, as empresas e escolas deveriam ter um cantinho para esse descanso, já que um funcionário ou aluno descansado produz muito mais do que alguém que está operando no limite do cansaço.

Dicas práticas para o seu descanso

Para aproveitar esse benefício, tente cochilar sempre no mesmo horário, preferencialmente entre uma e três horas da tarde. Esse é o momento em que o corpo naturalmente pede uma pausa.

Se você trabalha em casa, ficou mais fácil. Se trabalha fora, talvez valha a pena usar um pedaço do intervalo de almoço para fechar os olhos em um lugar tranquilo. Mesmo que você não durma profundamente, o simples fato de desligar os estímulos já ajuda o cérebro a se reorganizar.

No fim das contas, a pesquisa prova que descansar faz parte do trabalho. Quem não para acaba rendendo menos e cometendo mais erros. Portanto, se alguém te olhar torto porque você deu aquela piscada depois do almoço, pode dizer que está apenas seguindo as recomendações da ciência para manter o cérebro em dia. Estar acordado nem sempre significa estar produtivo, e o sono curto é a ferramenta mais barata e eficiente que temos para manter a mente afiada.

Fontes e Referências

Este texto foi baseado em estudos realizados pela Universidade de Genebra (UNIGE) e pelos Hospitais Universitários de Genebra (HUG), publicados originalmente na revista científica NeuroImage. As informações sobre saturação sináptica e reorganização neural refletem as descobertas recentes conduzidas pelo pesquisador Christoph Nissen e sua equipe sobre o impacto do sono diurno na capacidade de aprendizado.

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Jornalista atuante desde 2019, com registro profissional no Ministério do Trabalho desde 2022, e experiência em produção de eventos desde 2016. Atua como redatora, editora e web designer.