É simplesmente inacreditável o que está acontecendo na Dinamarca e como isso faz o nosso sistema parecer algo de outro século. Enquanto aqui no Brasil lutamos para que o Bolsa Família garanta o básico da sobrevivência para quem não tem nada, o governo dinamarquês decidiu que vai dar o equivalente a treze mil reais por trimestre para quase todas as famílias com crianças. Como assim? Estamos falando de um pagamento automático que cai na conta dos pais sem que eles precisem implorar por ajuda ou comprovar que estão na miséria absoluta. É um choque de realidade que nos deixa sem palavras e nos faz questionar como o abismo entre as nações pode ser tão bizarro.
O que mais me surpreende nessa história toda é que o benefício não é apenas para os pobres. Na verdade quase cem por cento da população tem direito a esse dinheiro. Quem poderia imaginar que um país trataria o auxílio infantil como um direito universal da criança e não apenas como uma medida de combate à fome? Na Dinamarca o chamado Børnecheck é depositado na conta de quem ganha bem e de quem ganha mal. A redução do valor só começa para quem tem rendas astronômicas que no Brasil seriam equivalentes a ganhar mais de setecentos mil reais por ano. É um cenário que parece saído de um filme de ficção científica para o trabalhador brasileiro médio que mal consegue pagar o aluguel.
O valor que parece um prêmio da loteria trimestral
Prepare o seu coração porque os números são de cair o queixo. Em 2026 os valores foram ajustados e a conta é surreal. Para crianças de até dois anos o governo deposita cerca de cinco mil e trezentas coroas dinamarquesas por trimestre. Se formos traduzir isso para o poder de compra real aqui no Brasil o impacto é o mesmo que receber entre onze e treze mil reais a cada três meses. Como deixaram o mundo chegar a esse nível de desigualdade onde um país consegue dar esse suporte enquanto outros mal conseguem oferecer merenda escolar de qualidade? É um soco no estômago ver que o suporte deles é tratado como investimento no futuro e o nosso como um custo que o governo tenta cortar a todo momento.
E não para por aí pois o espanto só aumenta quando olhamos para as outras faixas etárias. Até os quatorze anos o valor continua sendo alto e quando o jovem completa quinze anos o pagamento passa a ser mensal. Isso garante que o adolescente tenha um suporte financeiro direto até a maioridade. É bizarro pensar que lá a preocupação não é se a criança vai ter o que comer mas sim como garantir que ela tenha todas as ferramentas para se desenvolver com dignidade absoluta. Onde foi que nós erramos tanto para estarmos tão distantes dessa realidade?
Creche gratuita e descontos que parecem mentira
Se você achou que o dinheiro na conta era o ápice desse escândalo de bem-estar social espere até saber sobre as creches. O governo dinamarquês simplesmente oferece creche cem por cento gratuita para famílias com renda abaixo de um certo limite. E para quem ganha um pouco mais existem descontos progressivos que tornam o custo quase irrelevante. No Brasil ter um filho na creche particular pode consumir metade do salário de um pai ou de uma mãe. Lá o sistema é desenhado para que ter um filho não seja um fardo financeiro mas uma escolha celebrada pela sociedade. Como eles conseguem equilibrar essa conta enquanto nós patinamos em dívidas e falta de infraestrutura?
O choque de realidade fica ainda mais nítido quando descobrimos que se você tiver mais de um filho o segundo ganha cinquenta por cento de desconto automático na mensalidade da creche. Eles querem que as famílias cresçam e dão as condições reais para que isso aconteça. É inacreditável ver tamanha organização e respeito pelo cidadão. Enquanto isso no Brasil a fila por uma vaga em creche pública é uma novela interminável que aflige milhões de famílias todos os anos. É de se perguntar se algum dia chegaremos perto de ter um décimo desse respeito pela primeira infância.
Um espelho que reflete nossa triste realidade
O que realmente me deixa incrédulo é a diferença de filosofia entre os dois países. No Brasil o auxílio é visto por muitos como esmola ou assistencialismo barato que gera críticas e debates acalorados sobre dependência do Estado. Na Dinamarca o auxílio é motivo de orgulho nacional e ninguém ousa questionar sua existência. É um direito da criança porque ela é vista como o maior patrimônio do país. Quem poderia imaginar que tratar as pessoas com dignidade desde o berço resultaria em uma das sociedades mais prósperas e seguras do planeta?
Essa notícia da Dinamarca não é apenas uma curiosidade internacional mas um escândalo que deveria nos fazer acordar. Como podemos aceitar que o básico aqui seja tão difícil enquanto lá o extraordinário é a regra para todos? É um mistério revelado que mostra que a pobreza não é um destino inevitável mas uma escolha política. O sistema dinamarquês em 2026 prova que quando o governo decide investir de verdade na base o resultado é uma economia forte e uma população que não vive com medo do amanhã. Ficamos aqui com a nossa surpresa e o nosso choque esperando que um dia o Brasil aprenda que cuidar de uma criança é o melhor negócio que uma nação pode fazer.
