Campanha presidencial começa com candidatos nas ruas e escolha dos primeiros atos revela estratégias para 2026

A corrida pela Presidência da República entrou oficialmente em uma nova fase neste domingo, 16 de agosto. Com o início do período de campanha eleitoral, os candidatos passaram a ocupar ruas, praças, universidades, mercados e outros locais escolhidos para apresentar suas primeiras mensagens diretamente aos eleitores.

A geografia desses primeiros compromissos não foi definida por acaso. São Bernardo do Campo, Copacabana, a Faculdade de Direito da USP, municípios de Goiás e cidades de Minas Gerais aparecem na largada da disputa, quase sempre relacionados à trajetória pessoal, eleitoral ou administrativa de cada candidato.

Com a campanha oficialmente iniciada, também estão liberados pedidos de votos, comícios, carreatas, passeatas e propaganda eleitoral pela internet. A propaganda no rádio e na televisão começa posteriormente, em 28 de agosto.

A corrida mudou de fase neste domingo: Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema escolheram diferentes regiões do país para colocar suas campanhas nas ruas e apresentar o tom que pretendem levar para a disputa presidencial.

  • Lula, do PT: São Bernardo do Campo, em São Paulo.
  • Flávio Bolsonaro, do PL: Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
  • Renan Santos, do Missão: Faculdade de Direito da USP, em São Paulo.
  • Ronaldo Caiado, do PSD: carreata por cidades de Goiás, com encontro em Luziânia.
  • Augusto Cury, do Avante: Santa Luzia, em Minas Gerais.
  • Romeu Zema, do Novo: Montes Claros, no norte de Minas Gerais.

Lula retorna ao lugar onde sua trajetória política ganhou projeção

Luiz Inácio Lula da Silva escolheu São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, para marcar o início de sua campanha.

A cidade possui ligação direta com a história política do candidato do PT. Foi na região que Lula ganhou projeção nacional como liderança sindical durante as mobilizações dos trabalhadores no final da década de 1970.

A campanha utiliza justamente essa ligação histórica para transformar o primeiro ato em um retorno às origens políticas do candidato.

O material de divulgação do evento cita a Vila Euclides como símbolo de um período em que as grandes greves do ABC ajudaram a projetar Lula nacionalmente.

Luiz Inácio Lula da Silva
Lula escolheu São Bernardo do Campo para abrir sua campanha presidencial. Foto: Lula Oficial, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 2.0.

São Bernardo do Campo: a cidade do ABC Paulista está diretamente ligada à formação da trajetória sindical e política de Lula.

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Flávio Bolsonaro aposta em Copacabana e no simbolismo da base bolsonarista

Flávio Bolsonaro inicia sua agenda pública de campanha no Rio de Janeiro. O candidato do PL terá um ato na Praia de Copacabana e deve discursar sobre um trio elétrico.

O formato e o endereço remetem diretamente aos grandes eventos políticos realizados por Jair Bolsonaro e seus apoiadores.

Copacabana se transformou nos últimos anos em um dos principais pontos de concentração pública do bolsonarismo no Rio de Janeiro. A escolha permite que Flávio comece a corrida presidencial em um ambiente no qual o sobrenome Bolsonaro mantém forte reconhecimento político.

Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro inicia a campanha com um ato em Copacabana, no Rio de Janeiro. Foto: Agência Senado, reutilização permitida com atribuição.

A escolha também reforça a estratégia apresentada pelo candidato desde as primeiras horas da campanha, marcada pela tentativa de se apresentar como continuador do movimento político associado ao pai.

Copacabana: a orla carioca recebeu grandes manifestações de apoiadores de Jair Bolsonaro e agora entra novamente no centro da estratégia eleitoral.

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Renan Santos volta à USP para abrir sua campanha

Renan Santos, candidato do partido Missão, escolheu a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo como cenário para o primeiro ato de sua campanha.

A ligação também é pessoal. Renan estudou na USP e sua equipe apresenta o local como um dos espaços onde ele começou a participar da política estudantil e ampliou sua atuação política.

A escolha segue uma lógica diferente daquela de candidatos que recorrem a redutos eleitorais tradicionais. Renan tenta transformar sua própria formação política em parte da narrativa de lançamento.

Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão
Renan Santos disputa a Presidência pelo partido Missão. Foto: Tribunal Superior Eleitoral, Portal de Dados Abertos do TSE, licença CC BY 4.0.

A campanha classificou o retorno ao local como um momento de forte significado para o candidato, justamente por associar o início da disputa presidencial ao começo de sua participação na política.

Largo São Francisco: a tradicional Faculdade de Direito da USP fica no centro de São Paulo e foi escolhida para o ato de Renan Santos.

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Ronaldo Caiado transforma a largada em uma carreata por Goiás

Ronaldo Caiado escolheu um formato diferente para apresentar sua campanha presidencial nas ruas.

O candidato do PSD programou uma carreata passando por diferentes cidades goianas, incluindo Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso e Cidade Ocidental.

O encontro da caravana acontece em Luziânia, no entorno do Distrito Federal.

A campanha pretende reforçar os laços de Caiado com o estado onde construiu parte importante de sua carreira política e que governou por dois mandatos.

Ronaldo Caiado
Ronaldo Caiado aposta em uma carreata por municípios de Goiás para iniciar a campanha. Foto: Bianca Kida, Wikimedia Commons.

Em vez de escolher apenas um palco, Caiado utiliza o deslocamento por diferentes municípios para transformar a própria viagem em um ato político.

Destino da caravana: Luziânia fica em Goiás, próxima ao Distrito Federal, e receberá o encontro previsto no primeiro dia de campanha.

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Augusto Cury escolhe Minas Gerais para tentar romper a polarização

Augusto Cury, candidato do Avante, inicia sua campanha em Santa Luzia, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O escritor e psiquiatra já havia escolhido Minas Gerais para anunciar sua pré-candidatura, em março. Agora retorna ao estado para entrar oficialmente na busca por votos.

Novato na política eleitoral, Cury apresenta sua candidatura como uma tentativa de ocupar espaço fora dos dois grandes campos que vêm concentrando boa parte do debate político nacional.

Augusto Cury
Augusto Cury escolheu Santa Luzia, em Minas Gerais, para o primeiro evento da campanha. Foto: Lima Andruška, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 2.0.

Sua equipe descreve Minas Gerais como um dos principais palanques da trajetória política que começa a ser construída pelo candidato.

Santa Luzia: o município fica na Região Metropolitana de Belo Horizonte e volta a colocar Minas Gerais no centro da estratégia de Augusto Cury.

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Zema começa por Montes Claros e coloca sua gestão em Minas no centro da mensagem

Romeu Zema escolheu Montes Claros, no norte de Minas Gerais, para iniciar sua campanha presidencial.

O candidato do Novo programou uma visita ao Mercado Central da cidade e pretende utilizar o primeiro ato para destacar sua ligação com a região.

A escolha também permite que o ex-governador transforme resultados de sua administração estadual em argumento para a disputa nacional.

Uma das obras mencionadas pela campanha é o Contorno de Montes Claros, projeto rodoviário associado ao período em que Zema comandou Minas Gerais.

Romeu Zema
Romeu Zema escolheu Montes Claros para abrir a campanha presidencial. Foto: Heylenny, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

Para Zema, a campanha presidencial começa justamente em um estado onde já possui experiência eleitoral e administrativa, numa tentativa de transformar sua passagem pelo governo mineiro em credencial nacional.

Montes Claros: a cidade fica no norte de Minas Gerais e foi escolhida como ponto de partida da campanha de Zema.

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As cidades escolhidas ajudam a contar a história de cada candidatura

Os primeiros atos mostram que a localização de uma campanha também pode carregar uma mensagem política.

Lula retorna ao ABC Paulista e à região associada ao começo de sua projeção sindical. Flávio Bolsonaro ocupa Copacabana, endereço marcado por grandes manifestações do movimento ligado ao pai.

Renan Santos volta à universidade relacionada ao início de sua atuação política. Caiado percorre o estado que governou. Augusto Cury mantém Minas Gerais como cenário de sua entrada na política eleitoral. Zema, por sua vez, inicia a disputa em uma região onde pretende destacar resultados de sua gestão.

Cada campanha procura, assim, transformar seu primeiro endereço em uma parte da própria narrativa apresentada ao eleitor.

Internet entra imediatamente na batalha pelo voto

A campanha também passa a ocupar de forma mais intensa as plataformas digitais. A propaganda eleitoral na internet está liberada dentro das regras previstas para o período.

Isso amplia o uso de vídeos, transmissões ao vivo, publicações, cortes de discursos e peças de propaganda produzidas especificamente para redes sociais.

Alguns candidatos começaram a explorar essas ferramentas praticamente no primeiro minuto do novo período eleitoral, mostrando que a disputa digital será paralela aos eventos realizados nas ruas.

O rádio e a televisão entram oficialmente nessa fase em 28 de agosto, quando a campanha alcança outro importante meio de comunicação com o eleitorado.

Próxima data importante: depois da abertura da campanha nas ruas e na internet em 16 de agosto, a propaganda eleitoral no rádio e na televisão começa em 28 de agosto.

A disputa deixa a fase de preparação e começa a buscar votos

Convenções, definição de chapas e movimentos internos dos partidos dominaram as semanas anteriores. A partir deste domingo, o cenário muda.

Os candidatos entram oficialmente na fase em que precisam transformar alianças, discursos, presença digital e reconhecimento público em votos.

Os locais escolhidos para a largada já ajudam a antecipar alguns dos caminhos dessa disputa. Há candidatos recorrendo às próprias origens, outros utilizando redutos consolidados e aqueles que pretendem apresentar experiências administrativas como cartão de visita.

São Bernardo, Copacabana, o Largo São Francisco, Goiás, Santa Luzia e Montes Claros aparecem, portanto, como os primeiros cenários de uma corrida que agora passa a acontecer diariamente diante dos eleitores.

Com os candidatos nas ruas e a propaganda liberada na internet, a eleição presidencial de 2026 entra oficialmente em sua fase aberta.