Romeu Zema (Novo) deu início neste domingo (16) à campanha pela Presidência da República com um discurso centrado em segurança pública, críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e oposição ao PT. O primeiro ato oficial ocorreu em Montes Claros, no norte de Minas Gerais.
A agenda começou com a participação do candidato em uma missa. Depois, Zema caminhou até o Mercado Municipal, onde discursou diante de apoiadores e apresentou algumas das propostas e posições que pretende levar para a disputa presidencial.
Durante a fala, o ex-governador de Minas Gerais defendeu mudanças nas leis penais, ampliação do sistema prisional e a criação de uma unidade de segurança de alta capacidade no Norte do Brasil destinada a líderes de facções criminosas.
- Endurecimento das leis penais;
- Construção de mais presídios;
- Unidade de alta segurança para líderes de facções;
- Enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas;
- Ampliação de delegacias especializadas para mulheres;
- Uso de tornozeleira eletrônica em agressores.
Segurança pública ganha espaço central no discurso
Zema colocou o combate à criminalidade entre os principais temas de sua campanha. Ao falar sobre o sistema penal, o candidato criticou situações em que pessoas presas pelas forças policiais acabam posteriormente colocadas em liberdade por decisões judiciais.
“O problema do Brasil é que bandido fica solto. A nossa Polícia Militar prende e a Justiça solta, mas nós vamos mudar essas leis. Precisamos colocar para mofar atrás das grades quem estupra, quem mata e hoje fica solto infernizando a vida das pessoas de bem”, afirmou Zema.
O candidato também defendeu que facções criminosas passem a ser enquadradas como organizações terroristas.
Na área de proteção às mulheres, Zema citou como propostas a ampliação das delegacias especializadas e o uso de tornozeleiras eletrônicas por agressores.
Zema direciona críticas ao Supremo durante primeiro ato
O Supremo Tribunal Federal também apareceu no discurso realizado em Montes Claros. Embora não tenha citado Alexandre de Moraes pelo nome naquele momento, Zema fez referência ao contrato de R$ 129 milhões firmado pelo escritório de advocacia da esposa do ministro com o Banco Master.
O contrato foi utilizado pelo candidato dentro de uma crítica mais ampla à relação entre poder político, autoridades e enriquecimento.
“O Brasil não é um país fracassado, é um país roubado. É político ficando cada vez mais rico, com contrato de R$ 129 milhões para esposa, e o povo cada vez mais pobre”, declarou.
A afirmação faz parte da crítica política apresentada por Zema durante o ato de campanha e representa a posição manifestada pelo candidato.
Gilmar Mendes também é citado durante discurso
Zema mencionou diretamente o ministro Gilmar Mendes e afirmou que responde a um processo envolvendo o integrante do Supremo.
Ao abordar o Judiciário, o candidato disse considerar que surgiu em Brasília uma categoria de autoridades que se comportaria como se estivesse acima das demais pessoas.
“Criou-se uma casta nova, a dos intocáveis, que estão em Brasília se considerando acima da lei. Sou o candidato que mais tem denunciado esses absurdos, inclusive respondendo processo do Gilmar Mendes, com muito orgulho. Vou continuar falando porque não tenho rabo preso”, disse.
As declarações reforçam a intenção de Zema de levar críticas a integrantes do STF para o centro de sua campanha presidencial.
Relação com Estados Unidos e China entra no debate
A política externa do governo Lula também foi alvo do candidato. Zema responsabilizou o presidente pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e defendeu uma postura que classificou como mais pragmática nas relações internacionais.
Segundo a posição apresentada durante o ato, o Brasil deveria buscar uma relação baseada em interesses tanto com Washington quanto com Pequim.
O tema deve fazer parte da tentativa do candidato de diferenciar sua plataforma daquela apresentada pelo atual governo durante a disputa eleitoral.
Candidato aposta em união da direita no segundo turno
Zema também falou diretamente sobre a disputa entre os diferentes nomes do campo da direita. Apesar da concorrência no primeiro turno, afirmou acreditar que haverá união em uma eventual segunda etapa da eleição presidencial.
O candidato declarou esperar estar entre os dois nomes que disputarão o segundo turno e usou como referência o cenário eleitoral do Chile para defender uma futura composição contra o PT.
“Estarei no segundo turno e, tal como aconteceu no Chile, toda a direita estará unida. Qualquer um que estiver contra o PT terá o meu voto”, afirmou.
A declaração sinaliza que, mesmo em uma eleição com diferentes candidaturas disputando o eleitorado de direita, Zema pretende defender uma composição desse campo político caso a disputa avance para o segundo turno.
Montes Claros foi escolhida para a largada da campanha
A escolha de Montes Claros para o primeiro ato oficial teve relação com a trajetória política de Zema em Minas Gerais. Durante o evento, o candidato mencionou obras e investimentos realizados na região e afirmou que pretende levar para o restante do Brasil o modelo de gestão que defende.
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), que declarou apoio à candidatura de Zema, não participou dos compromissos realizados neste domingo.
Com a largada oficial da campanha, Zema inicia a corrida presidencial colocando segurança pública, críticas ao funcionamento das instituições e oposição ao PT entre os principais temas de sua estratégia eleitoral.





