O Brasil tem mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, e cerca de 20,4% delas apresentam dificuldade para realizar pelo menos uma atividade básica do cotidiano, como comer, tomar banho, usar o banheiro ou levantar da cama.
O percentual representa aproximadamente 6,5 milhões de idosos convivendo com algum nível de limitação para tarefas essenciais, segundo dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros, o ELSI-Brasil.
A pesquisa, conduzida pela Fiocruz Minas em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais, também revela outro problema: uma parcela expressiva dessas pessoas não recebe ajuda regularmente.
Menos de quatro em cada dez recebem ajuda no dia a dia
Entre os idosos que apresentam limitações, somente 37,9% recebem algum tipo de ajuda para realizar atividades cotidianas, segundo o estudo.
Isso significa que parte significativa das pessoas com dificuldades funcionais pode enfrentar o dia a dia sem uma rede de apoio constante.
A necessidade de auxílio varia conforme o nível de limitação de cada pessoa, podendo envolver desde apoio para tarefas específicas até acompanhamento mais frequente.
Poucos cuidadores receberam treinamento
Mesmo quando existe alguém responsável por ajudar, a pesquisa encontrou outro ponto de atenção.
Apenas 5,8% dos cuidadores entrevistados afirmaram ter recebido algum tipo de treinamento para exercer a função.
O dado mostra que boa parte do cuidado cotidiano pode estar sendo realizado por familiares ou outras pessoas sem preparação específica.
Medo de cair também afeta milhões de idosos
O ELSI-Brasil também avaliou as condições das cidades e os obstáculos enfrentados por pessoas mais velhas.
Entre os idosos que vivem em áreas urbanas, 42,7% afirmaram ter medo de cair por causa de problemas como buracos, calçadas inadequadas e condições das vias públicas.
A mobilidade passa a ser ainda mais importante quando a pessoa já apresenta dificuldades para caminhar, levantar ou realizar atividades básicas de forma independente.
Violência preocupa parte da população idosa
Outro ponto analisado foi a sensação de segurança nas regiões onde essas pessoas vivem.
Segundo o levantamento, 12,1% dos idosos consideram suas vizinhanças inseguras em razão da violência e da criminalidade.
Essa percepção pode influenciar a disposição para sair de casa, realizar atividades externas ou manter uma rotina social mais ativa.
Dois terços dependem exclusivamente do SUS
A pesquisa mostra ainda que aproximadamente dois em cada três idosos dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde para atendimento médico.
Com o crescimento da população idosa brasileira, dados como esses reforçam a pressão sobre serviços de saúde, assistência social, mobilidade urbana e políticas de apoio a cuidadores e familiares.
O levantamento mostra que o envelhecimento da população não envolve apenas o aumento do número de pessoas com mais de 60 anos, mas também a necessidade de garantir condições para que elas mantenham autonomia, segurança e apoio quando atividades básicas deixam de ser realizadas sem ajuda.




