Crianças enfrentam travessia perigosa de rio para ir à escola no interior do Paraná
A rotina de duas meninas de 9 e 11 anos em Coronel Domingos Soares, no sul do Paraná, envolve um desafio diário: atravessar um rio a pé para chegar ao ponto do ônibus escolar. A família, que vive na comunidade Bom Retiro, zona rural do município, não dispõe de uma ponte ou outro acesso que conecte a residência ao local onde o transporte escolar passa.
O pai, Francisco Eliseu Deorneles, relata que a travessia é feita pela água, mesmo em dias de rio mais cheio. A situação se repete duas vezes ao dia, de segunda a sexta-feira, para ir e voltar da escola. Em períodos de cheia, os pais precisam acompanhar as filhas, duplicando o número de travessias diárias.
A família vive em um assentamento do Incra desde os anos 1990 e depende da agricultura familiar para sustento, o que inviabiliza a mudança para a área urbana. A dificuldade de acesso ao transporte escolar é uma realidade desde que chegaram ao local. Conforme informação divulgada pelo g1, o Incra enviou uma equipe ao local em setembro de 2025 e informou que o lote da família aguarda análise de regularização, e que a questão estrutural será avaliada.
Rotina desafiadora em assentamento rural
A família Deorneles reside na comunidade Bom Retiro do Butiá, um assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que abriga 59 famílias em uma área total de 1,7 mil m². O pai das crianças explica que a casa fica na margem esquerda do rio, enquanto a linha do ônibus escolar opera na margem direita. A residência está a cerca de 40 metros do rio, a aproximadamente 15 km das escolas das filhas e a 30 km da cidade.
A produção agrícola e a criação de animais para subsistência são atividades essenciais para a família, tornando a vida no campo uma necessidade. A falta de infraestrutura básica, como uma ponte, dificulta o acesso a serviços essenciais, incluindo o transporte escolar. A situação, segundo Francisco, persiste desde a chegada da família ao assentamento.
Prefeitura afirma que analisa a situação e estuda intervenções
Em resposta à situação, a Prefeitura de Coronel Domingos Soares informou que está realizando uma “verificação técnica” para determinar a necessidade de intervenção e avaliar a viabilidade de uma obra de infraestrutura no local. A administração municipal destacou que os estudos técnicos e jurídicos ainda estão em andamento, e que, portanto, não há previsão de prazo para a eventual execução de uma obra.
A prefeitura também acionou o Departamento de Educação para avaliar as condições de deslocamento dos alunos e garantir que o acesso à escola não seja prejudicado. O Conselho Tutelar está envolvido no caso e apresentou alternativas aos pais, incluindo a possibilidade de utilizarem uma residência que possuem no perímetro urbano do município, visando mitigar os riscos da travessia do rio e o elevado número de faltas escolares registradas.
Incra e Prefeitura se manifestam sobre o caso
O g1 questionou o Incra sobre a consideração da falta de ponte antes do reconhecimento do assentamento. O órgão informou que enviou uma equipe ao local em setembro de 2025 e que o lote da família aguarda análise de regularização. Sobre a questão estrutural, o Incra afirmou que irá analisar a demanda apresentada. A prefeitura, por sua vez, reiterou seu compromisso com a segurança dos estudantes e com a garantia do direito à educação, adotando as providências cabíveis dentro dos limites legais, técnicos e administrativos aplicáveis.
O que é um assentamento do Incra
Um assentamento, conforme explicado, é um conjunto de unidades agrícolas criadas pelo Incra em imóveis rurais. Cada unidade, chamada de parcela ou lote, é destinada a famílias de agricultores ou trabalhadores rurais com dificuldades econômicas para adquirir terras. Os beneficiários devem residir e explorar o lote, desenvolvendo atividades produtivas diversas. A família Deorneles reside em uma dessas parcelas, o que reforça a importância da infraestrutura local para seu sustento e acesso a serviços.
Fonte: g1.globo.com
