Motociclista morre atropelado por carro em alta velocidade na BR-277, em Curitiba; polícia investiga racha
Um grave acidente na BR-277, em Curitiba, resultou na morte do motociclista Guilherme Xavier de Almeida Rocha Lopes, de 30 anos. O ocorrido se deu na noite de quinta-feira (19), quando o jovem, que trabalhava como supervisor de segurança em um shopping e fazia entregas em seu horário de folga, foi atingido por um carro que trafegava em velocidade elevada.
As circunstâncias da batida levantam suspeitas de que o motorista do veículo estaria participando de um racha. A Polícia Civil já iniciou as investigações para apurar essa possibilidade, considerando que a área é conhecida por registrar competições ilegais, especialmente nas noites de quinta-feira, conforme denúncias de moradores locais. A falta de fiscalização ostensiva no trecho é uma preocupação constante.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento exato do atropelamento. Após o impacto, a moto de Guilherme colidiu contra a mureta de proteção da rodovia e pegou fogo. O motorista do carro permaneceu no local após o acidente. Conforme informação divulgada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), o teste do bafômetro realizado no condutor não indicou consumo de álcool. Ele foi liberado com base no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que prevê a não prisão em flagrante caso o condutor preste socorro integral à vítima. No entanto, ele não compareceu à Delegacia de Delitos de Trânsito nesta sexta-feira (20), conforme orientação policial.
Investigação de homicídio doloso
O delegado Edgar Santana, responsável pelo caso, afirmou que o inquérito investiga a prática do crime de homicídio na direção de veículo automotor. A polícia buscará determinar se o motorista realmente participava de um racha e se assumiu o risco de causar a morte de Guilherme. Caso confirmado, ele poderá responder por homicídio doloso, que prevê pena mais severa.
Denúncias de rachas e falta de fiscalização
Moradores da região relatam que o trecho da BR-277, na saída de Curitiba que liga a capital ao interior do Paraná, é frequentemente palco de rachas, sobretudo nas quintas-feiras à noite. Apesar das denúncias, a fiscalização no local é considerada insuficiente pelos residentes. Eles alegam que, mesmo com as corridas ilegais sendo um problema recorrente, as ações de policiamento não são constantes.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF), por sua vez, afirma que realiza rondas ostensivas de forma rotineira em datas e horários em que há conhecimento da prática de infrações de trânsito relacionadas a corridas irregulares, conforme planejamento operacional das equipes. Contudo, o órgão ressalta que as práticas criminosas geralmente não ocorrem no momento da presença ostensiva das equipes.
Rachas são crimes com consequências graves
A PRF explica que as práticas de racha não são agendadas previamente e não há uma organização definida. Os motoristas envolvidos buscam locais diversos na cidade para realizar as disputas, colocando em risco outros condutores e pedestres. A prática de racha é uma infração de trânsito grave, sujeita a multa de R$ 2.934,70, suspensão do direito de dirigir e apreensão do veículo. Além disso, é considerada crime, com pena de detenção de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de obter a habilitação.
Em caso de reincidência, a multa pode ser dobrada. A investigação sobre a morte de Guilherme Xavier de Almeida Rocha Lopes segue em andamento para esclarecer todas as circunstâncias do trágico evento e determinar as responsabilidades. A polícia apela para que quem tiver informações relevantes sobre o caso, que possam auxiliar nas investigações, entre em contato com as autoridades.
Fonte: g1.globo.com
