Três décadas após a tragédia que interrompeu o fenômeno mais explosivo da música brasileira, os integrantes dos Mamonas Assassinas voltam ao centro do debate público por um motivo simbólico.

Os restos mortais de Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli serão exumados nesta segunda-feira, dia 23 de fevereiro de 2026.

A decisão, confirmada por familiares e pelo empresário da marca, Jorge Santana, marca o início de uma transição para um modelo de luto mais sustentável e tecnológico.

O destino final dos músicos não será mais o túmulo tradicional, mas sim a transformação em vida vegetal dentro do BioParque Cemitério de Guarulhos, cidade natal do grupo.

O processo de transformação em árvores

De acordo com informações do jornal O Globo e do portal UOL, os restos mortais passarão por um processo de cremação antes da etapa ecológica.

As cinzas serão depositadas em uma urna biodegradável, uma tecnologia desenvolvida especificamente para integrar resíduos humanos ao solo de forma segura e nutritiva.

As famílias puderam escolher entre sementes de ipê amarelo, jacarandá e sibipiruna, espécies que agora representarão o legado de cada um dos artistas.

O BioParque explicou que as mudas passam por um Centro de Incubação, onde recebem monitoramento constante até estarem prontas para o plantio definitivo no memorial.

Um novo olhar sobre o luto e o legado

Essa iniciativa não é apenas uma mudança estética, mas uma tendência crescente de sepultamentos ecológicos que ganha força em grandes centros urbanos.

Ao transformar ídolos em árvores, o projeto retira o peso da morte estática e oferece uma narrativa de continuidade e renovação ambiental.

Para os fãs, o local funcionará como um memorial digital, onde será possível acessar fotos e histórias dos músicos através de uma plataforma integrada.

É uma solução inteligente para manter viva a memória de uma banda que, mesmo com apenas sete meses de sucesso nacional, marcou gerações inteiras.

O impacto cultural 30 anos depois

Os Mamonas Assassinas morreram no dia 2 de março de 1996, em um acidente aéreo na Serra da Cantareira, que parou o Brasil em choque.

O grupo vendeu milhões de discos em tempo recorde, unindo crianças e adultos com um humor escrachado e uma musicalidade versátil e técnica.

Mas a exumação após tanto tempo também levanta uma reflexão sobre como lidamos com nossos heróis culturais e o espaço físico dos cemitérios.

Manter jazigos tradicionais exige manutenção perpétua, enquanto o modelo de parque ecológico resolve questões de espaço e sustentabilidade urbana de forma prática.

A segurança e o respeito ao processo

O empresário Jorge Santana reforçou que todo o processo possui autorização legal e segue protocolos rigorosos de respeito à memória dos músicos.

O uso de cinzas como adubo é uma prática segura e reconhecida por especialistas em gestão de resíduos e biologia do solo.

As cinzas humanas são ricas em cálcio e fósforo, elementos que, quando processados corretamente, auxiliam no desenvolvimento inicial das árvores escolhidas.

Então, o que vemos aqui é o encerramento de um ciclo físico para o nascimento de um símbolo vivo na cidade que eles tanto amavam.

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Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.