O cenário do emprego no Brasil está mudando e quem tem mais de 40 anos percebeu que a informalidade é uma armadilha para o futuro. Dados recentes do Sebrae e da Receita Federal revelam um recorde na abertura de novos pequenos negócios em 2025, com o MEI sendo a porta de entrada para 77% desses empreendedores.
Para o profissional maduro, o CNPJ não é apenas um número, mas um passaporte para a seguridade social. Sair do “bico” e se tornar um Microempreendedor Individual garante direitos que o mercado informal ignora, como o auxílio-doença e a aposentadoria por idade.
O peso da segurança previdenciária após os 40
Segundo as regras atuais do INSS, para se aposentar por idade, a mulher precisa de 62 anos e o homem de 65, com pelo menos 15 a 20 anos de contribuição. Quem passou décadas na informalidade encontra no MEI a chance de regularizar esse tempo com um custo mensal reduzido.
Mas o benefício vai além da aposentadoria. O acesso ao salário-maternidade e ao auxílio por incapacidade traz uma rede de proteção essencial para quem já não tem a mesma energia dos 20 anos. É uma estratégia de sobrevivência financeira em uma fase da vida onde imprevistos de saúde custam caro.
As profissões que dominam a virada de chave
O setor de Serviços lidera as estatísticas de formalização, respondendo por mais de 60% das novas empresas. Profissionais de manutenção residencial, como eletricistas e encanadores, descobriram que emitir nota fiscal abre portas em condomínios e empresas, aumentando o faturamento.
No comércio eletrônico, a experiência de vida conta pontos no atendimento ao cliente. Vender em marketplaces com um CNPJ profissionaliza a relação e permite comprar de fornecedores atacadistas com preços melhores. A credibilidade de um negócio formalizado é o que separa o amador do empreendedor sustentável.
Como planejar a transição para o MEI
Antes de abrir o registro no Portal do Empreendedor, é preciso estratégia. O Sebrae recomenda listar habilidades consolidadas e verificar se a atividade é permitida na lista oficial do MEI. O foco deve ser em nichos onde a experiência acumulada seja um diferencial competitivo.
O custo mensal, através da guia DAS, gira em torno de 5% do salário mínimo para o INSS, acrescido de impostos simbólicos como ICMS ou ISS. É um investimento baixo perto do risco de chegar à terceira idade sem qualquer amparo do Estado ou faturamento comprovado.
O impacto social da formalização madura
A migração de profissionais acima de 40 anos para o MEI reflete uma maturidade do mercado brasileiro. Não se trata apenas de “se virar”, mas de estruturar um legado. Ao se formalizar, esse trabalhador deixa de ser invisível para o sistema financeiro, ganhando acesso a crédito bancário facilitado.
E é aí que está o segredo: a formalização transforma o trabalho braçal em uma empresa de fato. Para quem já viveu metade da carreira, a segurança de saber que o esforço de hoje garante o descanso de amanhã é o maior lucro que o MEI pode oferecer.
