O fluxo de correspondências destinadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro no complexo da Papuda tornou-se um novo foco de tensão logística. Desde janeiro, os Correios confirmam que diversos objetos postais estão sendo recusados no 19º Batalhão da Polícia Militar.

A recusa ocorre porque a regulamentação interna da unidade prisional proíbe o ingresso de itens não autorizados. Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, apenas cartas e documentos impressos são entregues integralmente, enquanto pacotes maiores ficam retidos por segurança.

Rigor na segurança e protocolos da PMDF

A corporação afirma que o direito de Bolsonaro de receber comunicações escritas está sendo respeitado. Mas, quando o assunto são presentes ou acessórios, o protocolo é rigoroso. A unidade, conhecida como Papudinha, segue ordens judiciais e critérios de legalidade estritos.

Os Correios esclareceram que a devolução dos objetos acontece no ato da entrega. Ou seja, a gestão do fluxo postal externo não sofre interferência da prisão, que apenas veta o que não está na lista de permissões.

Pedido de tratamento cerebral gera debate técnico

Paralelamente ao bloqueio de encomendas, a defesa de Bolsonaro acionou o ministro Alexandre de Moraes, do STF. O objetivo é autorizar a entrada do psicólogo Ricardo Caiado para realizar sessões de neuromodulação não invasiva por Estímulo Elétrico Craniano (CES).

O tratamento utiliza clipes auriculares que emitem correntes elétricas de baixa intensidade. A técnica visa regular a atividade neurofisiológica central do paciente. Segundo a defesa, o ex-presidente já havia passado pelo procedimento em abril de 2025.

O que diz a ciência sobre a terapia CES

Embora pareça futurista, a estimulação craniana é estudada por órgãos como a FDA (agência reguladora dos EUA) e universidades brasileiras. Segundo o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, a neuromodulação é eficaz para tratar depressão e ansiedade.

Estudos publicados na revista Psychiatric Clinics of North America indicam que a técnica ajuda na liberação de serotonina e melatonina. Mas os especialistas alertam: o tratamento não é uma “cura mágica” e exige supervisão constante para evitar efeitos como cefaleia ou irritação.

Impacto social e análise do cenário

A situação de Bolsonaro na prisão levanta um debate sobre os limites entre direitos individuais e segurança pública. De um lado, o Estado precisa garantir a integridade e a saúde do detento. De outro, as regras disciplinares devem ser iguais para todos.

A tentativa de levar um tratamento específico para dentro da cela pode abrir precedentes. Se o STF autorizar, outros presos poderão exigir terapias similares. Por isso, a decisão de Moraes será técnica, mas com forte carga política e social.

Em resumo, a rotina na Papudinha reflete o peso do cargo que Bolsonaro ocupou. Cada carta barrada ou pedido médico vira notícia, mostrando que, mesmo preso, o ex-presidente continua sob o microscópio da opinião pública e da justiça.

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Jornalista com registro profissional (MT) e fundador do portal Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui uma trajetória sólida como produtor de eventos desde 1998 e desenvolvedor web desde 2007, com especialização em WordPress e estratégia de conteúdo digital. É o Diretor-Geral da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, onde lidera a produção de notícias factuais que já alcançaram mais de 10 milhões de leitores em todo o Brasil.