O cenário epidemiológico brasileiro em 2026 começa a exigir atenção redobrada das autoridades e da população. O Ministério da Saúde confirmou que a mpox já atingiu cinco estados e o Distrito Federal, somando 48 casos registrados apenas nas primeiras semanas do ano.
Até agora, São Paulo concentra a grande maioria das notificações, com 41 pacientes confirmados. Outros registros pontuais ocorreram no Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além da capital federal.
Embora o governo afirme que a maioria dos casos é leve ou moderada, a dispersão geográfica do vírus preocupa. A mpox não é uma novidade, mas sua persistência mostra que o controle de doenças virais exige mais do que apenas monitoramento passivo.
O que dizem as autoridades de saúde
De acordo com notas oficiais do Ministério da Saúde, o país mantém uma vigilância ativa. Isso significa que as equipes de saúde estão buscando identificar casos rapidamente para isolar os infectados e seus contatos próximos.
O protocolo atual prevê o rastreamento de contatos por um período de 14 dias. Essa medida é considerada essencial por especialistas em infectologia para quebrar a corrente de transmissão antes que o vírus se espalhe de forma descontrolada.
O Sistema Único de Saúde (SUS) afirma estar preparado para o atendimento, mas a realidade das unidades de saúde em diferentes regiões pode variar. A agilidade no diagnóstico laboratorial é o que define se um surto será contido ou se virará uma crise.
Entenda a transmissão e os sintomas reais
A mpox é causada por um vírus da mesma família da varíola humana, mas com letalidade significativamente menor. A transmissão ocorre principalmente pelo contato físico direto com lesões de pele, fluidos corporais ou materiais contaminados, como roupas de cama.
É importante destacar que, desde o surto global de 2022, a variante cepa 2b mostrou uma capacidade acentuada de disseminação por contato sexual. Isso mudou a forma como a doença é encarada pelos órgãos de controle.
Os sintomas clássicos listados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo governo brasileiro incluem erupções cutâneas, febre, dores no corpo e o inchaço dos linfonodos, conhecidos popularmente como ínguas. A fraqueza intensa também é um sinal comum relatado pelos pacientes.
O desafio da vacinação restrita
Um ponto que gera debate entre analistas de saúde pública é a estratégia de vacinação. Atualmente, o SUS oferece o imunizante apenas para grupos específicos e considerados de alto risco.
Estão no grupo prioritário pessoas que vivem com HIV/aids, profissionais de laboratório que manipulam o vírus e pessoas que tiveram contato direto com casos confirmados. Essa restrição acontece devido à disponibilidade limitada de doses e ao foco em bloquear a gravidade nos mais vulneráveis.
Mas é preciso questionar se essa barreira imunológica será suficiente caso os números continuem subindo em estados populosos como São Paulo e Rio de Janeiro. A prevenção individual continua sendo a ferramenta mais forte para quem não está nos grupos de vacinação.
Vigilância não pode ser relaxada
O fato de não haver óbitos registrados em 2026 até o momento traz um alívio temporário, mas não deve gerar complacência. A mpox é uma doença que causa sofrimento físico e isolamento social forçado.
A transparência do Ministério da Saúde em divulgar esses dados é fundamental. O monitoramento rigoroso é o que separa uma gestão eficiente de um problema de saúde pública de maior escala. Por enquanto, o Brasil segue em alerta, mas sob controle.
