O Brasil vive uma transição silenciosa, mas profunda, na forma como o cidadão se apresenta ao Estado. A tradicional Carteira de Identidade (RG), que por décadas permitiu que uma mesma pessoa tivesse números diferentes em cada estado, está com os dias contados.
Segundo diretrizes do Governo Federal, o antigo documento será aceito apenas até o ano de 2032. A mudança não é apenas estética; trata-se da implementação da Carteira de Identidade Nacional (CIN), que utiliza o CPF como chave única de identificação.
Essa medida ataca um problema histórico de segurança pública. Antes, era possível emitir 27 RGs diferentes no país, facilitando fraudes e ocultação de antecedentes. Agora, o sistema é unificado e digital.
O que muda na prática para o cidadão
A CIN elimina a confusão de números. O foco agora é o CPF, que passa a ser o identificador padrão em bancos, hospitais e órgãos públicos. Mas não há motivo para correria imediata aos postos de atendimento.
O documento atual continua valendo por mais oito anos, desde que esteja em bom estado de conservação. A substituição gradual acontece conforme a necessidade de renovação ou perda do papel antigo.
Especialistas em segurança digital apontam que a nova versão traz elementos de autenticação modernos, como o QR Code. Isso permite a verificação rápida da autenticidade por qualquer autoridade, dificultando falsificações grosseiras.
Prazos de validade e gratuidade da primeira via
Um ponto fundamental da nova regra é a validade escalonada. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos definiu períodos diferentes para evitar que idosos e adultos precisem renovar o documento com a mesma frequência.
Para crianças de até 11 anos, o documento vale por 5 anos. Já para quem tem entre 12 e 59 anos, a validade é de 10 anos. Para os cidadãos com 60 anos ou mais, a validade é indeterminada.
É importante destacar que a primeira via da CIN é gratuita para todos os brasileiros. Isso democratiza o acesso à tecnologia digital, já que o documento físico vem acompanhado de uma versão oficial no aplicativo Gov.br.
Por que não esperar até 2032 para trocar
Embora o prazo seja longo, a atualização é estratégica. Para quem viaja pelos países do Mercosul, a nova identidade padronizada agiliza o controle de fronteiras, funcionando de forma similar a um passaporte regional.
Além disso, a integração de dados facilita o acesso a serviços de saúde e benefícios sociais. Com a CIN, o histórico do cidadão fica centralizado, evitando erros de digitação e filas desnecessárias em guichês públicos.
O processo de emissão exige agendamento nos institutos de identificação estaduais, como o Poupatempo em São Paulo ou o Detran no Rio de Janeiro. É necessário levar a certidão de nascimento ou casamento atualizada.
O impacto da digitalização no cotidiano
A transição para a CIN reflete um Brasil que tenta se modernizar. A unificação pelo CPF é um passo lógico para um país que já utiliza o Pix e a CNH Digital de forma massiva.
A opinião de analistas de governança é que o fim do RG estadual reduz custos administrativos. O Estado gasta menos para conferir dados e o cidadão ganha tempo ao não precisar carregar diversos cartões na carteira.
O desafio, no entanto, permanece na infraestrutura dos estados menores. Nem todas as cidades possuem postos de coleta biométrica rápidos, o que pode gerar gargalos nos próximos anos conforme o prazo final de 2032 se aproxime.
Em resumo, a mudança é positiva e necessária. O RG antigo tornou-se uma ferramenta obsoleta em um mundo conectado. Atualizar o documento agora, sem a pressão do prazo final, é uma decisão inteligente para evitar burocracias futuras.
