A Amazon acaba de consolidar sua posição como a maior empresa do mundo em receita, ultrapassando o Walmart após mais de uma década de hegemonia da gigante do varejo físico.
Segundo dados fiscais consolidados de 2025, a empresa fundada por Jeff Bezos registrou um faturamento de US$ 717 bilhões, superando os US$ 713,2 bilhões reportados pelo Walmart.
Este movimento não é apenas uma troca de cadeiras no topo do ranking. Ele simboliza a vitória definitiva do modelo de plataforma digital sobre o varejo tradicional de tijolo e argamassa.
Enquanto o Walmart depende de sua vasta rede de mais de 10 mil lojas, a Amazon provou que a diversificação tecnológica é o verdadeiro motor da riqueza moderna.
O segredo não está nas entregas mas nas nuvens
É um erro comum acreditar que a Amazon venceu o Walmart apenas vendendo produtos online. A análise detalhada dos números mostra que o grande diferencial é a Amazon Web Services (AWS). Sem a sua divisão de computação em nuvem, a receita da Amazon cairia para US$ 588 bilhões, ficando bem atrás da rival.
A AWS não apenas gera faturamento, mas sustenta as margens de lucro que permitem à Amazon ser agressiva no varejo. Em um cenário onde a Inteligência Artificial exige infraestrutura de dados massiva, a Amazon se posicionou como a dona da “estrada digital” por onde todos precisam passar.
Walmart ainda domina o chão de fábrica
Apesar da derrota no faturamento total, o Walmart ainda mantém a liderança no varejo tradicional. Analistas como Kirthi Kalyanam, da Universidade de Santa Clara, alertam que a comparação direta pode ser enganosa. No setor de alimentos e bens de consumo imediato, a capilaridade física do Walmart continua sendo uma barreira difícil de romper.
O Walmart também não está parado. A empresa tem investido bilhões em sua própria operação de e-commerce e serviços de assinatura para tentar frear o avanço da concorrente. Mas o desafio é cultural: transformar uma gigante logística física em uma potência de dados em tempo real.
Valor de mercado e a nova ordem bilionária
Curiosamente, ser a maior em receita não significa ser a mais valiosa. No mercado financeiro, a Nvidia segue no topo com um valor de mercado próximo de US$ 4,5 trilhões, refletindo a febre dos chips para IA. A Amazon, embora líder em vendas, é avaliada em cerca de US$ 2,13 trilhões.
Para o consumidor, essa disputa significa mais tecnologia integrada ao dia a dia. Para os investidores, fica o aviso: o faturamento é vaidade se não vier acompanhado de inovação estrutural. A Amazon não é mais uma loja que entrega livros; é a espinha dorsal da internet global, e sua nova coroa de receita é apenas o reflexo disso.
