A humanidade vive sob uma falsa sensação de segurança espacial alimentada por filmes de Hollywood. A realidade, porém, é bem mais crua e foi exposta recentemente por autoridades da NASA.

Atualmente, não existe nenhuma tecnologia ou sistema operacional pronto para impedir que um asteroide atinja a Terra caso ele seja detectado em cima da hora. O alerta veio de Kelly Fast, oficial interina de Defesa Planetária, em entrevista ao jornal The Times.

Embora a missão DART tenha provado que podemos desviar rochas espaciais, o teste foi um evento isolado. Não há uma nave reserva aguardando em um hangar para um lançamento de emergência hoje.

O risco real mora no desconhecido

A pesquisadora Nancy Chabot, da Johns Hopkins University, confessou que a falta de uma resposta rápida é o que tira o seu sono. E ela tem motivos para isso.

O foco dos cientistas não são os asteroides que extinguiram os dinossauros há 65 milhões de anos. Esses são raros e, se existissem em rota de colisão, já teriam sido mapeados por telescópios.

A verdadeira ameaça são os chamados destruidores de cidades. São rochas com cerca de 100 metros de diâmetro capazes de varrer metrópoles inteiras do mapa em segundos.

Estima-se que existam 25 mil asteroides com mais de 140 metros orbitando perto da Terra. O problema é que apenas 40% deles foram identificados até agora pelas agências espaciais.

Por que não estamos preparados

A construção de uma missão de defesa leva tempo. A missão DART, por exemplo, demorou três anos para ficar pronta. Se um objeto perigoso aparecer amanhã, o tempo de resposta seria insuficiente.

Mas o entrave não é apenas tecnológico, é político. Como um impacto pode ocorrer em qualquer lugar do globo, os países hesitam em dividir os custos bilionários de uma vigilância constante.

É o mesmo impasse que vemos nas conferências sobre mudanças climáticas. Ninguém quer pagar a conta sozinho por um problema que é de todos, e o espaço acaba ficando em segundo plano.

A ciência contra o relógio

Para tentar mudar esse cenário, a esperança reside no Vera Rubin Observatory. Esse novo telescópio promete acelerar a detecção de objetos tênues e escondidos na escuridão do espaço.

Mesmo assim, o equipamento tem limites. Ele não consegue enxergar asteroides que venham da direção do Sol, o que cria um ponto cego perigoso para a nossa defesa.

O caso de Cheliabinsk, na Rússia, em 2013, serviu de aviso. Naquela época, uma rocha pequena causou danos materiais imensos e feridos, sem que ninguém tivesse previsto sua chegada.

Uma questão de prioridades globais

Do ponto de vista analítico, o risco de um asteroide é estatisticamente baixo quando comparado a terremotos ou ao aquecimento global. Mas a diferença é que o impacto espacial é evitável.

Nós já temos o conhecimento técnico para realizar pequenos desvios orbitais. O que falta é a vontade política de manter equipamentos de prontidão em pontos estratégicos do espaço.

Como disse Nancy Chabot, poderíamos estar em ótima forma para enfrentar essa ameaça. Só precisamos dar os passos necessários antes que o cronômetro cósmico chegue ao zero.

Enquanto bilionários focam em turismo espacial, a defesa do planeta segue dependendo de orçamentos públicos apertados e de uma cooperação internacional que ainda não saiu do papel.

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Jornalista com registro profissional (MT) e fundador do portal Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui uma trajetória sólida como produtor de eventos desde 1998 e desenvolvedor web desde 2007, com especialização em WordPress e estratégia de conteúdo digital. É o Diretor-Geral da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, onde lidera a produção de notícias factuais que já alcançaram mais de 10 milhões de leitores em todo o Brasil.