A cidade de Criciúma, no Sul de Santa Catarina, está prestes a implementar uma medida que pode mudar a lógica da assistência social no país. A Câmara de Vereadores analisa o projeto de lei que cria o Programa Promove.

O objetivo é central: acabar com o medo que muitos beneficiários têm de perder o auxílio federal ao assinar a carteira de trabalho. A proposta prevê um suporte financeiro total de R$ 1.800,00 para quem migrar para o mercado formal.

Idealizado pelo prefeito Vagner Espíndola (PSD), o projeto foca na chamada fase de transição. Esse é o momento mais sensível para uma família de baixa renda, quando o salário entra, mas o Bolsa Família sofre cortes.

Como funciona o auxílio de transição em Criciúma

O Programa Promove não entregará o dinheiro de uma única vez. A prefeitura planeja pagar seis parcelas mensais de R$ 300,00. Esse valor funciona como um colchão de segurança financeira enquanto o trabalhador se estabiliza no novo cargo.

Segundo o texto do projeto, o benefício será destinado a até mil famílias residentes no município. Mas existem regras rígidas. O cidadão deve estar inscrito no CadÚnico e manter o vínculo de emprego formal ativo durante todo o período.

Além disso, a prefeitura exige a participação em cursos de qualificação profissional. A ideia é que o trabalhador não apenas consiga a vaga, mas se torne mais produtivo e valorizado pelo mercado local, garantindo sua permanência no emprego.

A articulação com as regras do Governo Federal

A iniciativa municipal se conecta com a Regra de Proteção do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Atualmente, o governo federal permite que famílias que aumentam a renda recebam 50% do benefício por um período determinado.

No entanto, o governo de Criciúma avalia que esse suporte federal, isolado, muitas vezes não é suficiente. Por isso, o Promove surge como uma camada extra de proteção para evitar que o trabalhador desista da vaga por insegurança econômica.

Mas é importante destacar um ponto de controle rigoroso. Se o beneficiário perder o emprego e voltar a receber o valor integral do Bolsa Família, o auxílio municipal de R$ 300 é interrompido imediatamente para evitar o acúmulo indevido.

O impacto na economia local e a autonomia

O que acontece em Criciúma é uma tentativa prática de criar uma porta de saída real para a dependência assistencial. O jornalismo factual mostra que o grande gargalo das políticas públicas no Brasil é a falta de emancipação financeira.

Ao investir esses R$ 1.800 por família, a prefeitura faz uma aposta econômica inteligente. No longo prazo, o município reduz gastos com assistência direta e ganha com a movimentação da economia gerada por novos trabalhadores assalariados.

O projeto agora aguarda os trâmites finais na Câmara Municipal para seguir para sanção. Se aprovado e bem-sucedido, o modelo pode ser copiado por outras prefeituras que enfrentam dificuldades em integrar beneficiários de programas sociais ao mercado de trabalho.

A análise final é que o Estado deixa de ser apenas um pagador de contas para se tornar um facilitador da autonomia. É uma mudança de visão que prioriza a dignidade do emprego sem desamparar quem está tentando subir o primeiro degrau social.

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Jornalista com registro profissional (MT) e fundador do portal Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui uma trajetória sólida como produtor de eventos desde 1998 e desenvolvedor web desde 2007, com especialização em WordPress e estratégia de conteúdo digital. É o Diretor-Geral da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, onde lidera a produção de notícias factuais que já alcançaram mais de 10 milhões de leitores em todo o Brasil.