Parece que o mundo jurídico e o empresarial estão mais conectados do que muita gente imaginava no topo da nossa justiça. Segundo um levantamento recente feito pela Folha, nove ministros do Supremo Tribunal Federal e seus parentes diretos possuem fatias em pelo menos 31 empresas ativas.

Esses dados trazem à tona uma discussão antiga sobre os limites entre a vida pública e os negócios privados. Conforme indicam os registros formais, as participações variam desde escritórios de advocacia até resorts de luxo e instituições de ensino.

De acordo com especialistas em ética pública, embora a lei permita que juízes sejam sócios de empresas, a administração direta é proibida. O foco agora recai sobre como essas conexões podem ou não influenciar o cotidiano das decisões judiciais no país.

As sociedades que chamam a atenção nos bastidores

Um dos nomes citados nos relatórios é o do ministro Dias Toffoli, que aparece como sócio da Maridt Participações. Essa empresa, segundo tabloides e registros comerciais, é uma das proprietárias de um resort que já foi negociado com figuras conhecidas do setor bancário.

O ministro já se manifestou oficialmente afirmando que não atua na gestão do negócio e que sempre se declara impedido em processos que envolvam parentes. É indicado observar que o distanciamento nesses casos é a regra de ouro para evitar conflitos.

Por outro lado, o ministro Gilmar Mendes é apontado como o magistrado com o maior número de participações diretas ou indiretas. Seus investimentos passam pelo setor educacional, como o IDP, e chegam até a área agropecuária, movimentando milhões em capital social.

O papel dos familiares no ecossistema jurídico

Quando olhamos para as famílias, o cenário se expande ainda mais. Relatos indicam que a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci, comanda sociedades que prestam serviços para grandes instituições financeiras.

O escritório Barci de Moraes, por exemplo, teria sido contratado para atuar junto a órgãos como o Banco Central e a Receita Federal. Especialistas explicam que, legalmente, não há restrições para que cônjuges de ministros tenham seus próprios negócios e carreiras.

A questão que muitos levantam é sobre a percepção pública dessa proximidade. Conforme estudos sobre governança, a transparência total é o que costuma ser utilizado para manter a credibilidade das instituições em alta perante a sociedade.

Outros nomes e a diversidade de investimentos

O levantamento também menciona o ministro Cristiano Zanin, que possui participações em institutos e empresas imobiliárias. Da mesma forma, os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça aparecem vinculados a empresas familiares ou de ensino abertas recentemente.

Até mesmo quem não possui empresa no próprio nome, como Luiz Fux e Edson Fachin, vê parentes próximos atuando com força em escritórios de advocacia e no ramo da saúde. É um ecossistema vasto que mostra como o prestígio jurídico circula entre gerações.

Para quem acompanha a política nacional, esses dados servem como um termômetro da elite brasileira. É indicado acompanhar como o STF lidará com as pressões por regras de impedimento mais rígidas nos próximos meses, garantindo que a justiça continue sendo vista como imparcial.

No fim das contas, a discussão não é apenas sobre a legalidade, mas sobre a imagem que o topo do judiciário passa para o cidadão comum. O debate sobre ética e negócios no serviço público parece estar apenas começando.

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