Sabe aquele sábado ensolarado em que você já fez mil coisas e seu filho adolescente continua lá, enterrado sob as cobertas como se o mundo não existisse? Antes de abrir as cortinas e começar o sermão matinal, respire fundo.

Segundo estudos internacionais recentes, esse hábito de hibernar até o meio-dia pode não ser preguiça, mas sim uma ferramenta biológica poderosa. Pesquisadores da Universidade de Oregon e da SUNY Upstate Medical University indicam que o descanso extra pode ser vital.

De acordo com os dados levantados, os jovens que conseguem colocar o sono em dia durante o final de semana apresentam um risco 41% menor de desenvolver quadros de desânimo profundo. É um número expressivo que faz a gente repensar a rotina.

O relógio biológico dos jovens funciona de um jeito diferente

Especialistas explicam que, durante a puberdade, o corpo passa por uma mudança real no ritmo circadiano. É como se o fuso horário deles fosse outro, naturalmente inclinado a dormir e acordar mais tarde do que os adultos.

A produção de melatonina, aquele hormônio que avisa ao cérebro que é hora de nanar, começa a acontecer mais tarde na adolescência. Isso significa que forçar um jovem a dormir às 21h é quase como pedir para ele lutar contra a própria biologia.

Conforme aponta a Dra. Melynda Casement, diretora de um laboratório de sono, o acúmulo de tarefas como lição de casa, esportes e vida social cria uma dívida de sono gigante durante a semana. O final de semana acaba sendo a única janela de recuperação.

Os perigos de ignorar o descanso necessário

Quando o adolescente não dorme o suficiente, o cérebro dele pode começar a apresentar falhas em uma rede específica chamada rede de modo padrão. Segundo pesquisas de 2025, esse mau funcionamento está diretamente ligado ao surgimento de pensamentos negativos.

Relatos de médicos indicam que a falta de repouso se manifesta de formas variadas. Irritabilidade, falta de concentração, esquecimentos constantes e até dores de cabeça são sinais de que o corpo está pedindo socorro.

Há quem defenda que o uso excessivo de telas piora tudo, e os especialistas concordam. O cérebro jovem ainda está desenvolvendo o controle de impulsos, o que torna quase impossível largar o celular quando surge um vídeo interessante tarde da noite.

Como auxiliar seu filho a ter uma rotina mais equilibrada

É indicado que os pais tentem estabelecer alguns rituais de relaxamento, mas sem transformar isso em uma guerra. O método conhecido como 10-3-2-1 costuma ser sugerido por profissionais da área para ajudar no desligamento.

A ideia é evitar cafeína 10 horas antes de dormir, comida pesada 3 horas antes, estudos 2 horas antes e, o mais difícil, ficar longe das telas na última hora antes de fechar os olhos. Parece um desafio impossível, mas pode auxiliar muito.

No entanto, se nada disso funcionar durante a semana corrida, a recomendação dos especialistas é clara: deixe o jovem dormir no sábado. Esse período de “recuperação” atua como um escudo para a mente em desenvolvimento.

O equilíbrio entre a disciplina e a necessidade biológica

Claro que manter uma consistência nos horários é o cenário ideal, mas a vida real raramente segue o manual. Se o seu filho está exausto após uma semana de provas e treinos, o sono prolongado não é um desperdício de tempo.

Estudos sugerem que o horário de ouro para o cérebro adolescente seria entre 23h e 8h da manhã. Como a maioria das escolas começa muito antes disso, o déficit acaba sendo inevitável para a grande maioria dos estudantes.

Em resumo, o ato de “vegetar” na cama no domingo de manhã pode ser, na verdade, um mecanismo de defesa natural. Antes de cobrar produtividade, é importante lembrar que um cérebro descansado é a base para qualquer aprendizado ou felicidade.

Compartilhar.