Os transtornos mentais se tornaram a principal causa de afastamento do trabalho no Brasil e os números mostram uma realidade preocupante para quem precisa de ajuda. De acordo com dados recentes apurados por nossa equipe, mais de 546 mil pessoas precisaram deixar suas funções profissionais em apenas um ano devido a problemas mentais e comportamentais. O impacto dessa situação atinge diretamente o bolso e a dignidade do trabalhador, que muitas vezes se vê desamparado na hora de buscar o auxílio governamental.

Nós analisamos que, desse total alarmante, os transtornos de ansiedade foram responsáveis por cerca de 166 mil afastamentos. Já os episódios depressivos ultrapassaram a marca de 126 mil casos, registrando um aumento significativo quando comparamos com o ano anterior. Mesmo com esse cenário de crise na saúde pública e ocupacional, o Instituto Nacional do Seguro Social continua apresentando dificuldades para reconhecer o direito de milhares de segurados.

O problema das negativas constantes do INSS

Verificamos que o grande entrave para quem sofre de ansiedade ou depressão é que essas doenças são consideradas invisíveis pelos peritos. Diferente de uma fratura ou de uma doença que aparece claramente em um exame de raio-x, a mente não entrega provas tão óbvias em uma avaliação rápida. Nossa equipe apurou que o foco do órgão federal não é apenas o diagnóstico médico em si, mas a prova concreta de que aquela pessoa não consegue mais funcionar no seu dia a dia profissional.

A falta de comprovação funcional é um dos motivos que mais levam ao indeferimento dos pedidos. O perito muitas vezes não consegue identificar como os sintomas impedem a concentração ou a regularidade do desempenho do trabalhador. Além disso, fomos atrás de informações que mostram que documentações frágeis, como atestados simples e sem detalhes, acabam enfraquecendo o pedido do benefício logo na primeira tentativa.

A importância do histórico clínico detalhado

Para nós, fica claro que a perícia superficial é um dos maiores problemas do sistema atual. Avaliações feitas de forma acelerada não conseguem captar a complexidade de um quadro depressivo grave ou de um transtorno de ansiedade generalizada. Por isso, a recomendação técnica é que o segurado transforme seu sofrimento subjetivo em uma prova técnica robusta. Isso só é possível por meio da continuidade do tratamento e da repetição dos registros ao longo do tempo.

Nós observamos que quanto mais consistente for a documentação apresentada, maior é a chance de o perito compreender a evolução da doença. Não basta ter um papel assinado ontem. É preciso mostrar que existe um acompanhamento de meses ou até anos. Um histórico bem construído é a única ferramenta capaz de comprovar que a incapacidade é real e que o trabalhador não tem condições de manter suas atividades sem prejuízo à própria saúde.

Documentos que podem mudar o resultado da perícia

Nossa equipe levantou os itens que são fundamentais para fortalecer o pedido e evitar que o benefício seja negado de cara. O prontuário médico detalhado é o principal deles. Ele deve conter os registros de todo o acompanhamento psiquiátrico ou psicológico. Outro ponto essencial são as receitas e a comprovação do uso contínuo de medicações. Ajustes de doses e trocas de remédios servem como prova de que o paciente está tentando se tratar, mas a doença ainda persiste.

Também verificamos que os laudos de limitação funcional são decisivos. O médico precisa descrever de forma clara quais são as dificuldades específicas que o paciente encontra para exercer sua profissão. Se a pessoa trabalha com atendimento ao público e não consegue mais interagir socialmente por causa da ansiedade, isso precisa estar escrito. Sem esses detalhes, o perito do governo dificilmente terá sensibilidade para aprovar o afastamento.

O caminho para recorrer após a resposta negativa

Receber uma negativa administrativa não significa que o direito ao benefício deixou de existir. Nós verificamos que muitas perícias são feitas sem uma análise profunda do contexto social e profissional do segurado. Quando o pedido é negado no posto, a via judicial costuma ser um caminho onde a avaliação é mais técnica e humanizada. Na justiça, os peritos tendem a ser especialistas na área e realizam exames mais detalhados.

Recorrer de uma decisão injusta permite que falhas do processo inicial sejam corrigidas. É o momento de apresentar documentos que podem ter sido ignorados pelo primeiro avaliador. Nossa equipe entende que, quando o histórico clínico está bem estruturado, os juízes tendem a reconhecer a incapacidade e garantir o pagamento dos valores retroativos. Isso protege o sustento de quem está em um momento de extrema vulnerabilidade e não pode ser deixado de lado pelo sistema previdenciário.

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