O termo ultraprocessado virou o grande vilão das dietas modernas, mas a ciência começa a mostrar que a régua usada para medir esses alimentos pode estar descalibrada.
Segundo o Sistema de Classificação NOVA, amplamente utilizado por órgãos de saúde, o grau de processamento define o que é saudável. Mas nutricionistas alertam que isso ignora o valor real dos nutrientes.
Um exemplo clássico dessa confusão é o Whey Protein. Por ser uma proteína isolada e refinada do soro do leite, ele entra tecnicamente na categoria de ultraprocessado.
O dilema do Whey Protein e das proteínas em pó
Para a nutricionista Sarah Anzlovar, o Whey Protein é o exemplo perfeito de como um processo industrial pode ser benéfico. Ele oferece proteína de alta qualidade de forma prática.
Embora seja ultraprocessado, ele ajuda atletas e idosos com dificuldade de mastigação a manterem a massa muscular. O segredo, dizem os especialistas, está em ler o rótulo.
Evite marcas com excesso de corantes e adoçantes artificiais. O foco deve ser na pureza do ingrediente, mesmo que ele tenha passado por uma fábrica antes de chegar ao seu copo.
Leites vegetais e tofu na mira da classificação
Se você trocou o leite de vaca pelo de soja ou amêndoas, saiba que, para o sistema NOVA, você está consumindo um ultraprocessado. Isso ocorre devido aos espessantes e vitaminas adicionadas.
A especialista Lauren Harris-Pincus defende que esses alimentos são essenciais para quem tem alergias ou segue dietas veganas. Eles entregam cálcio e vitamina D fundamentais.
O mesmo acontece com o tofu defumado ou marinado. O tofu simples é apenas processado, mas bastou um tempero industrial para ele virar o “vilão” da categoria quatro.
O perigo oculto nos iogurtes e grãos enlatados
O iogurte é outro campo de batalha. Versões com frutas e açúcares podem carregar até 15 gramas de açúcar por porção, o que acende o alerta da American Heart Association.
Já o feijão enlatado é uma salvação para quem tem pouco tempo. Se for apenas água e sal, é seguro. Mas se houver molhos prontos, vira ultraprocessado.
A recomendação aqui é lavar os grãos em água corrente para reduzir o sódio. É uma forma simples de tornar o alimento industrializado mais amigável à saúde.
Por que a obsessão pelo processamento pode ser ruim
Estudos observacionais ligam o excesso de ultraprocessados à obesidade e diabetes. Isso é um fato aceito pela comunidade médica internacional e por universidades como Harvard.
Mas a análise cega da categoria pode afastar as pessoas de alimentos práticos e nutritivos. Nem todo alimento que sai de uma indústria é igual a um salgadinho ou refrigerante.
A ciência nutricional moderna sugere que devemos olhar para a densidade de nutrientes. Se o alimento tem fibras, proteínas e vitaminas, o processo importa menos que o conteúdo.
Como equilibrar a despensa no dia a dia
O caminho não é banir tudo o que vem em embalagens, mas sim priorizar o que é minimamente processado. Frutas, ovos e carnes devem ser a base.
Use os ultraprocessados “do bem”, como o Whey Protein e o leite vegetal, como complementos estratégicos para facilitar sua rotina e bater metas nutricionais.
A saúde não é definida por um único alimento, mas pelo conjunto da dieta. O equilíbrio entre conveniência e nutrição é o que realmente previne doenças a longo prazo.
