Super El Niño pode pressionar economia global e elevar preço dos alimentos nos próximos meses

O avanço de um El Niño muito forte pode provocar efeitos que vão muito além das mudanças no clima. Secas, enchentes e ondas de calor associadas ao fenômeno podem reduzir a produção agrícola, provocar danos à infraestrutura e aumentar a pressão sobre os preços dos alimentos em diferentes partes do mundo.

As projeções indicam mais de 90% de chance de o atual episódio atingir intensidade muito forte. O pico é esperado para dezembro, e o fenômeno pode permanecer forte ou muito forte durante o primeiro semestre de 2027.

Embora ainda não seja possível determinar exatamente quais regiões sofrerão os maiores impactos, especialistas acompanham o risco de perdas agrícolas e prejuízos econômicos à medida que o fenômeno avança.

Alimentos podem ficar mais caros

Anos marcados pelo El Niño costumam registrar problemas na produção de alimentos em algumas regiões devido à ocorrência de secas prolongadas, chuvas excessivas ou temperaturas extremas.

Quando lavouras são atingidas e a produção diminui, a oferta de determinados produtos também pode cair. Esse movimento tende a pressionar os preços e pode chegar diretamente ao consumidor.

O impacto varia conforme o alimento, a região produtora e a intensidade dos eventos climáticos, mas uma redução importante na oferta pode aumentar o custo de vida e reforçar pressões inflacionárias.

Prejuízo pode ir muito além das plantações

Os efeitos econômicos de eventos extremos não ficam restritos ao campo. Enchentes, deslizamentos e tempestades também podem danificar estradas, pontes, casas, empresas e outras estruturas essenciais para o funcionamento da economia.

Além do custo de reconstrução, interrupções em rodovias e áreas produtivas podem dificultar o transporte de mercadorias, reduzir a atividade de empresas e provocar perdas adicionais aos produtores.

Um exemplo recente ocorreu no Rio Grande do Sul. As chuvas de 2024 provocaram mais de 100 deslizamentos em um trecho de aproximadamente 20 quilômetros de estrada. A reconstrução foi estimada em R$ 700 milhões e, dois anos depois, as obras ainda não haviam sido totalmente concluídas.

Em escala mundial, os prejuízos acumulados relacionados a secas, enchentes e ondas de calor chegam à casa dos trilhões de dólares.

Inflação pode sentir os efeitos

O problema econômico aparece quando diferentes impactos acontecem ao mesmo tempo. De um lado, a menor produção agrícola pode elevar os preços dos alimentos. Do outro, governos e empresas precisam direcionar recursos para reparar os danos provocados por eventos extremos.

Também podem surgir custos adicionais com transporte, energia, logística e recuperação de áreas produtivas.

Segundo especialistas, essa combinação tem potencial para desacelerar a atividade econômica em determinadas regiões e pressionar a inflação, principalmente quando os danos atingem grandes áreas produtoras ou importantes rotas de abastecimento.

Fenômeno acontece em um planeta mais quente

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e modifica os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.

O episódio atual chama ainda mais atenção porque ocorre em um cenário de temperaturas globais mais elevadas devido ao aquecimento do planeta.

Essa combinação pode intensificar determinados extremos climáticos, embora os efeitos não sejam iguais em todos os países ou regiões.

As previsões devem se tornar mais precisas conforme o fenômeno se aproxima do pico. Por enquanto, o cenário acompanhado pelos cientistas indica que um Super El Niño pode representar não apenas um desafio climático, mas também uma ameaça à produção de alimentos, à infraestrutura e ao desempenho da economia global.

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Gabriel Augusto Lemos

Gabriel Augusto Lemos acompanha acontecimentos internacionais, curiosidades e temas que ganham repercussão fora do Brasil, com foco em fatos relevantes e assuntos que ajudam a entender melhor o que acontece pelo mundo.