O mercado de e-commerce no Brasil acaba de ganhar um novo capítulo de peso com a movimentação estratégica da Shopee. A gigante asiática firmou um contrato de locação para um galpão logístico de 33 mil m² em Londrina, no Paraná. O projeto, que envolve um investimento de R$ 135,5 milhões pelo fundo imobiliário TRXF11, sinaliza que a disputa pela agilidade na entrega não é mais apenas uma conveniência, mas a regra de sobrevivência no setor.

Logística como arma de guerra no varejo

Não é por acaso que a Shopee escolheu o Paraná. O estado é o terceiro mais competitivo do Brasil e Londrina funciona como um eixo estratégico entre o Sul e o Sudeste. Segundo dados da consultoria JLL, a região sofre com a escassez de galpões de alto padrão, os chamados Triple A, apresentando uma das menores taxas de vacância do país, apenas 2,2%.

Ao optar pelo modelo built to suit (construído sob medida), a empresa garante uma infraestrutura que atende exatamente às suas necessidades de fluxo. Mas o consumidor precisará ter paciência: a previsão de entrega das obras é apenas para julho de 2027. Até lá, o fundo TRXF11 desfruta de uma renda mínima garantida de 9,5% ao ano, protegendo os investidores enquanto o tijolo sobe.

A estratégia por trás dos números

O avanço da Shopee é agressivo. Em 2024, a plataforma dobrou seu volume de vendas no Brasil, atingindo R$ 60 bilhões, conforme estimativas do Itaú BBA. Esse crescimento a colocou como a segunda maior força do setor, superando a Amazon e encostando no Mercado Livre.

Mas vender muito traz um desafio: entregar rápido. O novo centro logístico em Londrina visa reduzir o tempo de frete e os custos operacionais, que já caíram 16% no último ano, segundo relatórios da Sea Limited (controladora da marca). É uma jogada de mestre para fidelizar o cliente que não aceita mais esperar semanas por uma encomenda.

Impacto no mercado e no bolso do consumidor

Do ponto de vista analítico, esse investimento de R$ 135 milhões reforça a tendência de interiorização do e-commerce. Antes concentrados no eixo Rio-São Paulo, os grandes players agora precisam estar fisicamente perto de todos os cantos do país. Para o morador do Sul e do interior paulista, isso significa que aquele produto comprado pelo app chegará muito mais rápido à sua porta.

Além da logística, a marca também expande sua presença cultural. A renovação do patrocínio com o Flamengo até 2026 mostra que a Shopee quer ser vista como uma empresa brasileira, e não apenas uma importadora. Ao unir o engajamento do futebol com uma malha de distribuição robusta, a empresa tenta blindar sua operação contra a chegada de novos concorrentes, como a Temu.

O cenário para 2027 é de um mercado ainda mais saturado e eficiente. A vitória será de quem tiver o melhor algoritmo, mas, principalmente, de quem tiver o maior galpão e a frota mais rápida. A Shopee já fez sua aposta milionária no Paraná; agora, resta observar como os concorrentes vão reagir a esse cerco logístico.

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Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.