Renan Santos diz que “o sangue que tem que jorrar é o do bandido” e defende declaração de guerra contra o crime organizado

Reprodução/TV Globo

O candidato à Presidência Renan Santos, do Missão, defendeu nesta quarta-feira (26) uma política mais dura de enfrentamento ao crime organizado e afirmou que o Brasil deveria fazer uma “declaração formal de guerra” contra as facções criminosas.

Durante sabatina do Jornal Nacional, da TV Globo, Renan afirmou que o país precisa alterar a legislação penal e ampliar a capacidade do Estado de enfrentar grupos armados.

Em uma das declarações mais fortes da entrevista, o candidato disse que “o sangue que tem que jorrar é o do bandido” ao defender uma reação mais intensa do poder público contra criminosos armados.

Renan fala em “declaração formal de guerra”

O presidenciável afirmou que considera o cenário de segurança pública brasileiro uma situação de guerra.

Segundo Renan, milhões de brasileiros vivem direta ou indiretamente sob influência de organizações criminosas. Ele citou uma estimativa de quase 40 milhões de pessoas, número apresentado pelo próprio candidato durante a entrevista.

A proposta seria combinar alterações legislativas com operações de ocupação de áreas dominadas por facções.

Candidato defende mudança nas leis penais

Renan afirmou que pretende alterar as regras de execução penal e aplicar uma estratégia inspirada no chamado Direito Penal do Inimigo, conceito defendido pelo Missão para o enfrentamento de organizações criminosas.

Segundo ele, experiências anteriores de ocupação de territórios, como as Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs, não tiveram mudanças legais suficientes para permitir uma atuação mais efetiva do Estado.

O candidato também mencionou a possibilidade de utilização de instrumentos como o Estado de Defesa em operações contra grupos criminosos, dentro da estratégia que pretende implementar caso seja eleito.

Renan cita modelo de El Salvador, mas diz que evitaria excessos

Questionado sobre a política de segurança adotada pelo governo de Nayib Bukele, em El Salvador, Renan afirmou que não pretende reproduzir eventuais excessos registrados no país centro-americano.

Mesmo assim, defendeu medidas semelhantes em determinados aspectos do combate às facções, especialmente na ampliação do sistema prisional e na identificação de integrantes de organizações criminosas.

Renan afirmou ainda que seriam necessários cerca de R$ 6 bilhões para a construção de novos presídios de segurança máxima.

Segundo o candidato, unidades desse tipo poderiam ser construídas no Rio de Janeiro por aproximadamente R$ 5 milhões cada. Os valores foram apresentados por ele durante a sabatina.

Defesa de armas nucleares também entrou na entrevista

Durante a mesma sabatina, Renan voltou a defender que o Brasil comece a discutir a possibilidade de possuir armas nucleares no futuro.

Segundo o presidenciável, uma capacidade nuclear teria função de dissuasão e ajudaria o país a conquistar maior autonomia diante de potências como Estados Unidos e China.

Renan reconheceu, porém, que não considera possível que o Brasil tenha armas atômicas nos próximos dez anos e afirmou que o tema deveria ser tratado como uma estratégia de longo prazo.

Brasil atualmente proíbe armas nucleares

A proposta encontra obstáculos na legislação brasileira e em acordos internacionais dos quais o país faz parte.

A Constituição estabelece que as atividades nucleares realizadas no Brasil devem ter finalidades exclusivamente pacíficas.

O país também é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e do Tratado de Tlatelolco, que estabelece a América Latina e o Caribe como uma região livre de armas nucleares.

As declarações de Renan Santos reforçam a estratégia do candidato de apresentar propostas de forte endurecimento na segurança pública e de ampliação da capacidade militar brasileira durante a campanha presidencial de 2026.

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João Pedro Rafannelli

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