Quem vencer as eleições presidenciais de outubro deverá assumir o governo, em janeiro de 2027, diante de um cenário econômico marcado pelo avanço da dívida pública, juros ainda elevados e expectativa de desaceleração do crescimento brasileiro.
Projeções citadas por analistas indicam que a dívida bruta do governo pode alcançar aproximadamente 88% do Produto Interno Bruto em 2027. A avaliação é de que o próximo governo terá pouco espaço para adiar medidas destinadas a equilibrar receitas e despesas públicas.
Sem uma mudança na trajetória fiscal, estimativas apontam que a dívida poderia se aproximar de 100% do PIB entre 2031 e 2032. Desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o indicador acumulou alta superior a 10 pontos percentuais, segundo os dados apresentados.
Juros elevados aumentam custo do crédito
Outro desafio para o próximo presidente será o nível elevado das taxas de juros. Com a Selic em 14%, o custo do dinheiro permanece alto para consumidores, empresas e para o próprio governo.
Nas operações de crédito às famílias, as taxas podem ser muito superiores à Selic. Dados citados no levantamento apontam juros próximos de 64% ao ano em determinadas modalidades de empréstimos pessoais e de 442% ao ano no rotativo do cartão de crédito.
O endividamento das famílias também permanece elevado. Cerca de 82% dos lares brasileiros possuem algum tipo de dívida a vencer, conforme os números mencionados na análise.
Os juros altos também pressionam as empresas, já que aumentam o custo para financiar investimentos, modernização e expansão dos negócios.
Pedidos de recuperação judicial avançam
O ambiente de crédito mais caro vem acompanhado de aumento das dificuldades financeiras enfrentadas por empresas.
Segundo os dados apresentados, os pedidos de recuperação judicial cresceram 21,7%. O mecanismo é utilizado por companhias que enfrentam problemas para pagar suas obrigações e buscam reorganizar dívidas sob supervisão da Justiça.
Para analistas, a combinação de juros altos, dívida pública crescente e menor capacidade de investimento aumenta a importância das primeiras decisões econômicas que serão tomadas pelo governo eleito.
Mercado deve acompanhar primeiros cem dias do novo governo
Investidores e economistas deverão observar principalmente os primeiros cem dias da próxima administração para identificar quais medidas serão adotadas na área fiscal.
O chamado ajuste fiscal envolve ações destinadas a aproximar receitas e despesas, controlar o crescimento dos gastos e reduzir a necessidade de financiamento por meio de novas dívidas.
A avaliação apresentada é de que a credibilidade das medidas será importante para influenciar as expectativas sobre juros, inflação, dívida pública e capacidade de crescimento da economia nos anos seguintes.
Crescimento pode cair para cerca de 1% em 2027
O ritmo de expansão da economia também aparece entre os desafios previstos para o próximo mandato.
A estimativa apresentada para 2026 é de crescimento próximo de 2%. Para 2027, porém, a projeção recua para aproximadamente 1%.
Analistas citados na avaliação consideram que parte do desempenho atual está relacionada ao aumento dos gastos públicos e à utilização de crédito subsidiado, fatores que podem ter menor capacidade de sustentar o crescimento por períodos prolongados.
Uma desaceleração mais intensa também poderia produzir efeitos sobre o mercado de trabalho.
Desemprego pode voltar a subir em 2027
A taxa de desemprego está atualmente em torno de 5,4%, segundo os números apresentados, mas projeções indicam possibilidade de aumento ao longo do próximo ano.
Se o investimento perder força e a atividade econômica crescer menos, a taxa poderia chegar a aproximadamente 6,5% no fim de 2027.
O cenário coloca dívida pública, controle dos gastos, juros e crescimento entre os principais temas econômicos que deverão acompanhar o presidente eleito desde o começo do próximo mandato.




