O plano bilionário de reestruturação dos Correios, que prevê corte de gastos, fechamento de unidades e redução de atendimento em diversas regiões do país, acendeu o sinal de alerta em cidades pequenas. Em Catanduvas, a preocupação ganhou contornos práticos diante da realidade já enfrentada pela população com o funcionamento limitado da agência local.
Após a divulgação da matéria sobre o cenário nacional e os riscos para municípios do interior, o Portal Catanduvas em Foco procurou o prefeito de Catanduvas, Ademar Luiz Burckhardt, para saber qual é a posição da administração municipal diante do plano anunciado pelos Correios e quais seriam os impactos para o município caso a agência local fosse fechada ou tivesse o atendimento ainda mais reduzido.
Diante desse cenário, a administração municipal decidiu agir de forma oficial. O prefeito encaminhou um ofício à Superintendência Estadual dos Correios no Paraná solicitando, com urgência, a regularização do atendimento da agência de Catanduvas, relatando a precariedade do serviço atualmente prestado à população, situação que já vinha sendo sentida no dia a dia da população.
No documento, a Prefeitura detalha que a agência dos Correios em Catanduvas opera atualmente com apenas um servidor. O atendimento ao público ocorre somente três dias por semana. Nos outros dois dias, não há atendimento presencial, já que o mesmo funcionário precisa se dedicar exclusivamente à entrega de correspondências, deixando moradores e empresas sem acesso aos serviços básicos da agência em parte da semana.
O ofício também destaca que Catanduvas possui mais de 10 mil habitantes, é sede de comarca, conta com Fórum Judicial, Fórum Eleitoral, abriga a Penitenciária Federal de Segurança Máxima e a Base do Cindacta II, estruturas que dependem diretamente de um serviço postal regular e confiável para o envio e recebimento de documentos oficiais, processos administrativos e correspondências institucionais.
Além disso, a Prefeitura ressalta que os Correios prestam um serviço público essencial, previsto na Constituição Federal, e que a situação atual não atende aos princípios de continuidade, eficiência e qualidade exigidos por lei. No pedido formal, o município solicita atendimento diário, reforço no quadro de servidores e medidas administrativas que garantam a normalização dos serviços postais em Catanduvas.
A resposta dos Correios, no entanto, não trouxe solução prática para o problema apontado pelo município.
Na resposta encaminhada ao prefeito, a estatal confirma que a agência de Catanduvas opera em regime de atendimento parcial e afirma que esse modelo está de acordo com normas internas e com uma portaria do Ministério das Comunicações, aplicada a municípios classificados como de baixa demanda operacional. O documento detalha os dias e horários de funcionamento da unidade e confirma que o servidor alterna entre atendimento ao público e entrega externa de correspondências.
Em nenhum momento os Correios anunciam reforço de pessoal ou ampliação do atendimento. Pelo contrário, a estatal informa que, no momento, não há previsão de alteração no regime de funcionamento da agência, mantendo o modelo atual mesmo diante das dificuldades relatadas pelo município.
Outro ponto que chama atenção é que a resposta não menciona os argumentos estratégicos apresentados pela Prefeitura, como a presença da Penitenciária Federal, do Judiciário e de outras estruturas de interesse nacional instaladas em Catanduvas, fatores considerados relevantes para a manutenção de um serviço postal contínuo e eficiente.
Na prática, a manifestação dos Correios confirma aquilo que a população já enfrenta diariamente. O serviço segue limitado, sem perspectiva de melhora e sustentado apenas pelo cumprimento mínimo das normas internas da estatal.
O Governo Municipal de Catanduvas através do prefeito Ademar, deixa claro que cumpriu seu papel institucional ao formalizar a cobrança e buscar uma solução administrativa para o problema. Já os Correios, por sua vez, optaram por uma resposta técnica, genérica e distante da realidade local, mantendo o atendimento exatamente como está.
Enquanto isso, moradores, empresas e órgãos públicos continuam enfrentando dificuldades para enviar e receber documentos, encomendas e correspondências, em um município que depende diretamente desses serviços para seu funcionamento cotidiano.
O assunto segue em acompanhamento, já que, até o momento, o problema foi oficialmente reconhecido pelos Correios, mas ainda não foi apresentado qualquer solução concreta.




