Pix faz 61% dos brasileiros reduzirem ou abandonarem dinheiro em espécie, mas adesão entre idosos ainda fica em 48%

O Pix acelerou a substituição do dinheiro em espécie no Brasil desde que entrou em funcionamento, em novembro de 2020. Uma pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box mostra que 61% dos brasileiros afirmam ter reduzido ou abandonado o uso de cédulas e moedas depois da popularização do sistema de pagamentos instantâneos.

Outro levantamento, realizado pela Ipsos-Ipec, indica que 82% da população brasileira já utiliza o Pix. A adesão, porém, varia bastante conforme a idade e a renda.

Entre pessoas de 35 a 44 anos, o uso chega a 90%. Já entre brasileiros com 60 anos ou mais, o percentual cai para 48%, uma diferença de 42 pontos percentuais.

61% reduziram ou abandonaram o dinheiro em espécie
82% dos brasileiros utilizam Pix
48% de adesão entre pessoas com 60 anos ou mais

Pix mudou a forma de pagar no Brasil

Criado pelo Banco Central, o Pix começou a funcionar oficialmente em novembro de 2020 e permitiu que transferências e pagamentos fossem realizados em poucos segundos, durante 24 horas por dia e em qualquer dia da semana.

A facilidade de movimentar dinheiro diretamente pelo celular ajudou a reduzir a dependência de meios tradicionais como dinheiro físico, boletos bancários e cartões de débito.

Segundo a pesquisa da Serasa com o Instituto Opinion Box, além dos 61% que disseram ter reduzido ou abandonado o dinheiro em espécie, 28% afirmaram usar menos boletos bancários e 17% reduziram o uso do cartão de débito físico.

Mudança de hábitoPercentual
Reduziu ou abandonou dinheiro em espécie61%
Reduziu uso de boletos28%
Reduziu uso do cartão de débito físico17%

Uso chega a 90% entre brasileiros de 35 a 44 anos

A idade é um dos fatores que mais influenciam a adesão ao Pix.

Entre pessoas de 35 a 44 anos, 90% afirmam utilizar o sistema. Na faixa de 45 a 59 anos, o percentual cai para 81%.

Já entre os brasileiros com 60 anos ou mais, apenas 48% disseram utilizar o Pix.

Uso do Pix por faixa etária

35 a 44 anos 90%
45 a 59 anos 81%
60 anos ou mais 48%

A diferença entre a faixa de 35 a 44 anos e os maiores de 60 anos chega a 42 pontos percentuais.

Medo de golpes ajuda a explicar resistência entre idosos

Entre os motivos apontados para a menor utilização do Pix por pessoas mais velhas estão o medo de golpes digitais, a dificuldade com aplicativos bancários e a preferência por meios de pagamento que ofereçam uma sensação maior de controle físico sobre a transação.

A educadora financeira da Serasa Karla Pontes relaciona parte dessa resistência à menor familiaridade de alguns idosos com celulares, aplicativos e serviços bancários digitais.

Para esse grupo, dinheiro em espécie, comprovantes impressos e atendimento presencial ainda podem transmitir uma sensação maior de segurança.

Idosos relatam preferência por dinheiro, lotéricas e comprovantes físicos

A porto-alegrense Cledi Paim, de 77 anos, está entre as pessoas que evitam usar o Pix diretamente. Ela afirmou ter receio de golpes e prefere realizar pagamentos presencialmente.

Apesar disso, Cledi utiliza cartão de débito normalmente. Quando precisa realizar uma transferência eletrônica, pede ajuda ao filho.

Outro aposentado ouvido no levantamento, Alexandre Duarte, também de 77 anos, prefere imprimir boletos, pagar em uma lotérica e guardar os comprovantes físicos.

Segundo ele, ter o documento em mãos traz mais segurança e facilita a comprovação de que determinada conta foi paga.

Jorge Mello, de 64 anos, também utiliza cartão de débito, mas afirma depender do filho para fazer transferências via Pix por não dominar o procedimento.

Renda também influencia utilização do Pix

Além da idade, a pesquisa identificou uma diferença expressiva conforme a renda familiar.

Entre brasileiros que recebem até um salário mínimo, aproximadamente 70% utilizam o Pix.

Entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, a adesão sobe para 95%.

70% uso entre quem recebe até um salário mínimo
95% uso entre quem recebe mais de cinco salários mínimos

Avaliação do Pix é positiva para 93% dos entrevistados

O levantamento da Ipsos-Ipec mostra ainda que, mesmo entre usuários e não usuários, a avaliação do Pix é amplamente positiva.

Ao todo, 93% dos entrevistados disseram avaliar favoravelmente a ferramenta, enquanto 82% afirmaram efetivamente utilizá-la.

Os outros 18% disseram não realizar pagamentos ou transferências por meio do sistema.

Banco Central amplia mecanismos de segurança

Desde a criação do Pix, o Banco Central vem adicionando funcionalidades e mecanismos para ampliar a segurança das transações.

A orientação continua sendo conferir cuidadosamente os dados antes de concluir qualquer pagamento, especialmente o nome do destinatário e o valor enviado.

Karla Pontes destaca que o sistema conta com recursos de segurança, mas que o comportamento do usuário também é importante para reduzir o risco de fraudes.

Dinheiro perde espaço, mas ainda está longe de desaparecer

Os levantamentos mostram uma mudança rápida nos hábitos financeiros dos brasileiros. Em poucos anos, o Pix passou a ser usado por mais de oito em cada dez pessoas e levou boa parte da população a reduzir o uso do dinheiro em espécie.

Ao mesmo tempo, os números mostram que a transição não acontece da mesma maneira para todos.

Entre pessoas mais velhas e de menor renda, o dinheiro físico, os cartões e os pagamentos presenciais ainda mantêm espaço relevante, especialmente por questões de confiança, familiaridade tecnológica e percepção de segurança.

Assim, embora o Pix tenha acelerado a digitalização dos pagamentos no país, as cédulas continuam fazendo parte da rotina de milhões de brasileiros.

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João Pedro Rafannelli

João Pedro Rafannelli acompanha os principais acontecimentos do Brasil, com foco em notícias, decisões, fatos relevantes e temas que impactam diretamente o dia a dia da população.