O projeto de videomonitoramento do Parque do Sabiá, em Uberlândia, ainda estava incompleto um ano depois de ser anunciado. Das 120 câmeras planejadas para acompanhar a área, somente 32 haviam sido instaladas e estavam em operação até 23 de julho de 2018. O espaço recebe mais de 5 mil pessoas diariamente.
A implantação foi planejada pela Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel), com equipamentos distribuídos em 60 postes ao longo dos cinco quilômetros da pista de caminhada. A previsão era posicionar as estruturas a cada 41 metros. O que havia sido executado, porém, estava concentrado em dois pontos: 16 câmeras no trecho próximo ao bairro Santa Mônica e outras 16 nas imediações da entrada pelo bairro Tibery.
As imagens eram enviadas em tempo real para uma central localizada na administração do parque. O serviço era gerenciado por uma empresa de Goiânia. Segundo as informações disponíveis, a Prefeitura de Uberlândia havia desembolsado mais de R$ 19 mil para instalar o sistema e mantinha uma despesa mensal de R$ 1.900 com a manutenção.
A cobertura parcial não eliminou as reclamações de frequentadores sobre furtos. Pessoas ouvidas pela reportagem relataram que ainda havia registros de ocorrências no local. A Polícia Militar informou que fazia patrulhamento e observação em pontos considerados estratégicos, escolhidos conforme a maior incidência de crimes, principalmente durante a noite. A corporação também afirmou que os delitos dentro do parque haviam crescido no segundo semestre de 2017.
O estacionamento não fazia parte do projeto das câmeras. A área era apontada como um dos alvos de criminosos. Em janeiro de 2018, a Futel construiu uma estrutura elevada para ampliar a visibilidade dos veículos estacionados, mas usuários disseram que a providência não havia resolvido o problema.
O consultor de negócios Mardel Sacramento contou que teve celulares, dinheiro e cartões levados enquanto participava de uma atividade no parque. Ele relatou que percebeu a ausência dos objetos ao retornar e, ao procurar um guarda, ouviu que ações desse tipo eram frequentes no local.
Outra vítima foi a analista de logística Laura Perez. Ela afirmou que não encontrou sinais de arrombamento no carro, mas notou o furto quando pegou a mochila. Um notebook estava no veículo, dentro do estacionamento, e o prejuízo estimado por ela chegava a R$ 7 mil. Segundo Laura, a expectativa era de que o espaço oferecesse segurança.
A reportagem procurou a Futel para saber o motivo do atraso, a previsão para a instalação das 88 câmeras restantes e a situação do sistema. Também tentou marcar entrevista com o responsável pelo parque ou obter uma manifestação oficial. Não houve resposta da fundação.
Via Portal G1

