As ondas de calor que atingiram a Europa entre maio e julho de 2026 coincidiram com pelo menos 35 mil mortes acima do esperado, segundo dados preliminares reunidos a partir dos sistemas de monitoramento disponíveis em diferentes países.
O número ainda está longe de representar o quadro completo. Os dados disponíveis abrangem menos da metade dos países europeus e ainda não incluem de forma consolidada o mês de agosto, período em que temperaturas extremamente elevadas continuaram sendo registradas em diferentes partes do continente.
Especialistas alertam que o total deve aumentar conforme as estatísticas forem atualizadas e as autoridades consigam identificar melhor o impacto das temperaturas extremas sobre a mortalidade.
Calor raramente aparece como causa direta da morte
Medir o impacto de uma onda de calor sobre a mortalidade é complexo porque, na maioria das vezes, a temperatura extrema não aparece diretamente no atestado de óbito.
O calor pode agravar problemas de saúde já existentes, principalmente doenças cardiovasculares e respiratórias, e contribuir para episódios como infarto, acidente vascular cerebral e insuficiência renal.
Por isso, pesquisadores e autoridades de saúde utilizam o conceito de mortalidade em excesso, comparando o número de mortes observado em determinado período com aquilo que seria esperado em condições normais.
A atribuição definitiva de parte dessas mortes às ondas de calor pode levar semanas ou até meses.
Alemanha, França e Espanha já superam 25 mil mortes em excesso
Somente Alemanha, França e Espanha já acumulam mais de 25 mil mortes em excesso durante períodos associados às ondas de calor deste verão europeu.
A Alemanha apresenta um dos números mais elevados divulgados até agora, com cerca de 14 mil mortes associadas ao calor entre 6 de abril e 9 de agosto.
Segundo o Instituto Robert Koch, responsável pelo monitoramento de saúde pública no país, aproximadamente 9.600 mortes foram registradas apenas na semana entre 22 e 28 de junho dentro das estimativas relacionadas ao período de calor extremo.
França registrou 7,3 mil mortes em excesso
Na França, a agência nacional de saúde informou que foram registradas cerca de 7.300 mortes em excesso entre o fim de maio e 22 de julho.
No Reino Unido, modelos da agência de segurança sanitária estimaram 2.877 mortes associadas às ondas de calor de maio e junho na Inglaterra.
O Bélgica também apresentou números elevados. Dados preliminares apontaram aumento de 39% na mortalidade entre 18 e 29 de junho, correspondente a aproximadamente 1.222 mortes adicionais.
Nos Países Baixos, pelo menos 900 pessoas a mais do que o esperado morreram entre 22 de junho e 5 de julho.
Itália ainda não tem um número nacional consolidado
Na Itália, os dados disponíveis apontam que o excesso de mortalidade atingiu principalmente pessoas com mais de 65 anos, com destaque para o norte do país e algumas cidades do sul, como Reggio Calabria, Messina, Palermo e Cagliari.
O sistema italiano de vigilância das ondas de calor, porém, utiliza informações locais e municipais, o que pode provocar atrasos consideráveis na consolidação dos números.
Por esse motivo, até agora não existe um total nacional consolidado comparável aos números divulgados por outros países.
OMS alerta para crescimento da mortalidade relacionada ao calor
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a mortalidade relacionada ao calor na região europeia aumentou mais de 30% nas últimas duas décadas.
A tendência preocupa porque o envelhecimento da população aumenta o número de pessoas vulneráveis aos efeitos das altas temperaturas, especialmente idosos e pacientes com doenças cardiovasculares, respiratórias ou renais.
As projeções também apontam para a possibilidade de crescimento significativo desse tipo de impacto à medida que episódios de calor extremo se tornam mais frequentes e intensos.
Balanço de agosto pode elevar ainda mais o total
Os 35 mil óbitos em excesso representam apenas uma primeira fotografia do verão europeu de 2026.
Além de os dados atuais não cobrirem todos os países, ainda falta consolidar o impacto de agosto, mês em que várias regiões continuaram enfrentando temperaturas excepcionalmente altas.
Por isso, especialistas consideram provável que o número final de mortes em excesso associadas aos períodos de calor seja significativamente superior ao conhecido até agora.
O balanço definitivo dependerá da atualização dos sistemas nacionais de mortalidade e de análises capazes de separar o efeito das temperaturas extremas de outros fatores que também podem influenciar o número de mortes.




