Quem nunca acordou no meio da madrugada com o barulho de um gato correndo pela sala ou um cachorro inquieto andando pelo quarto. Esse comportamento que parece inexplicável para nós humanos tem raízes profundas na biologia dos nossos companheiros. Na verdade o que chamamos de bagunça noturna é muitas vezes apenas o relógio biológico do animal funcionando conforme sua natureza original.
Especialistas em comportamento animal explicam que os gatos são seres crepusculares. Isso significa que os picos de energia deles ocorrem naturalmente ao amanhecer e ao anoitecer. É um instinto de caça herdado de seus ancestrais que se mantém vivo até hoje dentro dos apartamentos e casas. Já os cães podem apresentar essa agitação por falta de estímulos adequados durante o período do dia.
De acordo com orientações do Conselho Federal de Medicina Veterinária, o ritmo circadiano regula o sono e a vigília dos pets de forma diferente da nossa. Se o animal passa o dia inteiro dormindo sozinho enquanto os donos trabalham ele acumula uma energia imensa. Quando a família chega e finalmente tudo fica silencioso o pet entende que aquele é o momento de extravasar toda a disposição guardada.
Como a rotina influencia o descanso dos animais
A idade é um fator determinante na qualidade do sono canino e felino. Filhotes possuem uma bateria que parece não acabar nunca e precisam de várias sessões de brincadeiras para cansar. Por outro lado os animais idosos podem sofrer com a síndrome de disfunção cognitiva que altera a percepção do tempo e faz com que eles fiquem confusos durante a noite.
É indicado observar se a iluminação da casa e os ruídos externos estão influenciando esse estado de alerta. Muitas vezes uma rua movimentada ou luzes que entram pela janela mantêm o animal em modo de vigilância constante. Criar um ambiente acolhedor e escuro ajuda o organismo do pet a entender que o período de descanso começou de fato.
O temperamento individual também conta muito nessa equação de energia. Existem raças de cães que foram desenvolvidas para o trabalho e a guarda e elas naturalmente possuem um sono mais leve. Se esses animais não farejam ou não exploram novos ambientes durante o passeio diário eles buscam formas alternativas de gastar essa frustração dentro de casa.
Estratégias para uma noite mais tranquila em família
Para melhorar a convivência e garantir que todos durmam bem é indicado investir no enriquecimento ambiental. Espalhar brinquedos que desafiam a inteligência ou esconder petiscos pela casa pode ajudar o animal a se ocupar de forma produtiva. O gasto de energia mental é tão importante quanto o físico para que o sono venha de forma natural e profunda.
Especialistas da USP que estudam o comportamento de pequenos animais sugerem que o manejo correto das refeições também pode auxiliar. Oferecer a última porção de comida um pouco antes de dormir pode induzir o relaxamento pós-refeição. É uma tática simples que aproveita o processo digestivo para acalmar o sistema nervoso do bichinho de estimação.
Se a agitação surgir de forma repentina em um animal que antes era calmo é fundamental procurar ajuda profissional. Mudanças bruscas de comportamento podem esconder dores ou desconfortos físicos que o pet não consegue expressar. Manter as consultas em dia e observar os sinais silenciosos é a melhor forma de garantir o bem-estar de quem amamos.
