Uma estrutura de computação que até pouco tempo parecia restrita a grandes centros internacionais começará a ganhar espaço em diferentes cidades do Paraná. O Estado contratou uma rede formada por nove supercomputadores que será distribuída entre universidades públicas, o Tecpar e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná.
Os equipamentos virão de uma parceria tecnológica com a Índia e não funcionarão de maneira isolada. Mesmo instalados em cidades diferentes, eles formarão uma rede conectada capaz de atender pesquisadores que precisam realizar cálculos, simulações e análises que exigiriam tempo demais em computadores convencionais.
Saúde, agricultura, biotecnologia, inteligência artificial e estudos sobre o clima estão entre as áreas que poderão utilizar a estrutura. As primeiras unidades devem chegar ao Paraná ainda em 2026, enquanto a implantação completa prevista no contrato vai até 2028.
Os nove equipamentos não terão todos a mesma função
A rede foi planejada em diferentes níveis. Isso permite que uma universidade faça testes menores localmente e, quando precisar de muito mais capacidade, envie o trabalho para uma das máquinas maiores.
Na prática, é como criar uma estrutura compartilhada. Em vez de concentrar tudo em apenas uma cidade, diferentes instituições terão equipamentos conectados entre si.
UEPG receberá a estrutura de 650 Tflops e funcionará como um dos principais centros de processamento da rede.
Cascavel, Maringá, Londrina e Guarapuava terão máquinas destinadas ao processamento regional.
Jacarezinho, Paranavaí e Curitiba receberão unidades PARAM Shavak para pesquisas menores, desenvolvimento e preparação de projetos.
O IDR, em Londrina, terá uma máquina voltada especialmente para inteligência artificial, aprendizado de máquina e processamento de grandes modelos.
O maior equipamento ficará em Ponta Grossa
A Universidade Estadual de Ponta Grossa, a UEPG, receberá a maior estrutura da rede quando o critério for a capacidade de processamento convencional apresentada no projeto.
O equipamento terá capacidade de 650 Tflops e funcionará como um dos principais pontos de processamento para projetos que exigem grande quantidade de cálculos.
Tflops é uma medida usada para representar a capacidade de uma máquina realizar enormes quantidades de operações matemáticas em pouco tempo. Para o pesquisador, o efeito prático é conseguir trabalhar com problemas que seriam muito lentos ou difíceis de executar em computadores comuns.
Isso pode incluir desde simulações científicas complexas até análises envolvendo grandes quantidades de dados.
Cascavel, Maringá, Londrina e Guarapuava formarão outro nível da estrutura
Logo abaixo da unidade de Ponta Grossa estarão quatro polos com capacidade de 300 Tflops cada.
Um ficará na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, a Unioeste, em Cascavel. Outro será instalado na Universidade Estadual de Maringá, a UEM.
A Universidade Estadual de Londrina, a UEL, receberá outra unidade, enquanto a quarta ficará na Universidade Estadual do Centro-Oeste, a Unicentro, em Guarapuava.
Esses equipamentos funcionarão como centros regionais, permitindo que pesquisadores utilizem máquinas de grande capacidade sem que toda demanda precise chegar diretamente ao sistema de Ponta Grossa.
Unioeste
UEM
UEL
Unicentro
As máquinas menores terão uma função importante antes dos grandes processamentos
Jacarezinho, Paranavaí e Curitiba receberão três equipamentos PARAM Shavak, com capacidade entre 2 e 5 Tflops cada.
Eles ficarão na Universidade Estadual do Norte do Paraná, a UENP, em Jacarezinho; na Universidade Estadual do Paraná, a Unespar, em Paranavaí; e no Instituto de Tecnologia do Paraná, o Tecpar, em Curitiba.
Embora sejam menores, essas máquinas terão uma função estratégica. Elas poderão ser utilizadas para treinamento, desenvolvimento de projetos e testes iniciais de programas e algoritmos.
Assim, um pesquisador poderá preparar e testar seu trabalho localmente antes de enviá-lo para uma das máquinas de 300 ou 650 Tflops.
Isso evita ocupar os equipamentos maiores com etapas iniciais que podem ser executadas em estruturas menores.
Londrina ainda terá uma máquina diferente das demais
Além do equipamento que ficará na UEL, Londrina também receberá uma estrutura no Data Center do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, o IDR.
Nesse caso, o foco será diferente.
A máquina terá capacidade apresentada no projeto como 13 PF de IA e será direcionada principalmente para aplicações de inteligência artificial.
Entre as possibilidades estão aprendizado de máquina, aprendizado profundo e processamento de grandes modelos.
Os números dessa máquina e dos equipamentos medidos em Tflops representam capacidades apresentadas para tipos diferentes de processamento dentro da rede. Por isso, a unidade do IDR terá um papel próprio, concentrado especialmente em tarefas de inteligência artificial.
A UEL receberá um dos equipamentos regionais de 300 Tflops, enquanto o Data Center do IDR ficará com a unidade de 13 PF voltada principalmente para inteligência artificial.
Para que tanto poder de processamento poderá ser usado
A expectativa apresentada para a rede é atender pesquisas de diferentes áreas.
Na saúde, grandes capacidades de processamento podem ser utilizadas em projetos que trabalham com grandes conjuntos de dados e modelos científicos. Nas ciências agrárias e biológicas, a estrutura poderá atender trabalhos que exigem análises complexas.
Biotecnologia, inteligência artificial e modelagem climática também aparecem entre as áreas previstas.
O objetivo central é ampliar a capacidade de processamento disponível para a rede de pesquisa e inovação do Paraná, permitindo que instituições públicas tenham acesso a uma estrutura compartilhada de alto desempenho.
Por que os equipamentos estão vindo da Índia
Os sistemas serão produzidos pelo C-DAC, Centre for Development of Advanced Computing, instituição ligada ao governo da Índia, em parceria com a VVDN Technologies.
O C-DAC desenvolve tecnologias de computação de alto desempenho e é responsável pela linha de supercomputadores PARAM.
Antes de seguirem para o Brasil, os equipamentos serão testados e avaliados na Índia.
Depois, haverá ainda uma etapa brasileira importante. A montagem física, integração, adaptação e validação dos sistemas ocorrerão na planta industrial da Hi-Mix, em Pato Branco.
Somente depois desses procedimentos as estruturas serão encaminhadas para as universidades, Tecpar e IDR.
Desenvolvimento dos sistemas pelo C-DAC em parceria com a VVDN Technologies e realização dos testes iniciais.
Montagem, integração, customização e validação na estrutura industrial da Hi-Mix.
Distribuição das nove máquinas e conexão dos diferentes pontos da rede.
Uma rede espalhada por nove pontos do Paraná
Quando toda a implantação estiver concluída, a estrutura reunirá equipamentos em Ponta Grossa, Cascavel, Maringá, Londrina, Guarapuava, Jacarezinho, Paranavaí e Curitiba. Londrina terá duas unidades, uma na UEL e outra no IDR.
Isso significa que os nove supercomputadores não formarão nove projetos separados. Eles serão diferentes partes de uma mesma estrutura, com máquinas destinadas a necessidades distintas e conectadas dentro da rede de pesquisa.
As primeiras unidades são esperadas ainda em 2026. Pelo contrato, o processo completo de implantação poderá seguir até 2028.
Quando tudo estiver funcionando, pesquisadores poderão começar em equipamentos menores, avançar para os polos regionais e utilizar estruturas de maior capacidade quando o tamanho do trabalho exigir.
É justamente essa organização que transforma a chegada das máquinas em algo maior do que simplesmente instalar computadores mais potentes nas universidades. O projeto pretende criar uma rede estadual em que diferentes instituições possam compartilhar capacidade de processamento para pesquisas que, em muitos casos, exigem uma quantidade enorme de cálculos e dados.





