Municípios da região central de Rondônia se organizam para acabar com lixões a céu aberto

Seis municípios da região central de Rondônia se preparavam, em julho de 2018, para interromper o uso de lixões a céu aberto e passar a encaminhar os resíduos para aterros sanitários. Ji-Paraná, Ouro Preto do Oeste, Vale do Paraíso, Mirante da Serra, Nova União e Urupá reuniam quase 200 mil habitantes e descartavam, juntos, mais de 140 toneladas de lixo diariamente.

A mudança estava relacionada ao prazo estabelecido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, a PNRS. Pela regra, os municípios tinham até 31 de julho para extinguir os lixões a céu aberto e destinar os resíduos a aterros sanitários. Esses locais, além de atraírem animais peçonhentos e urubus, causavam impactos diretos ao meio ambiente.

Entre as alternativas preparadas para cumprir a exigência estava a construção de um aterro sanitário em Ji-Paraná. O empreendimento, de iniciativa privada, encontrava-se em fase final. Ji-Paraná fica a pouco mais de 370 quilômetros de Porto Velho. A empresa que investia no setor já possuía outros dois aterros instalados em Rondônia: um em Cacoal e outro em Vilhena. As unidades atendiam cidades vizinhas do estado e também parte do Mato Grosso.

O novo aterro era construído na zona rural de Ji-Paraná. A obra havia começado em junho daquele ano e, conforme os proprietários da empresa, a previsão era concluir e inaugurar a estrutura em um período de 180 dias. O empreendimento teria capacidade para receber 300 toneladas de lixo por dia e atenderia os seis municípios da região central do estado.

Também havia sido criado, dentro do consórcio, um programa ambiental destinado a apoiar as prefeituras na organização da destinação dos resíduos sólidos. A criação ocorreu em outubro de 2010. Maria Aparecida de Oliveira, coordenadora do programa, explicou que o aterro sanitário ajudaria a diminuir a poluição provocada pelo descarte inadequado.

A estrutura ainda incluiria uma central de triagem. A instalação tinha o objetivo de oferecer mais salubridade aos catadores, que trabalhavam diretamente com os resíduos. Em paralelo, barracões eram alugados em vários municípios para que esses trabalhadores pudessem separar os materiais em locais apropriados. Segundo a categoria, a mudança ajudaria a reduzir a exposição ao sol quente e contribuiria para o desenvolvimento das atividades diárias.

Ji-Paraná era o município com a maior produção de lixo entre as cidades da região central. A cidade gerava 100 toneladas por dia e, naquele momento, ainda fazia o descarte no lixão a céu aberto. A Secretaria de Meio Ambiente informava que realizava um levantamento para definir como o lixo sólido seria destinado ao aterro sanitário.

No município, uma associação reunia cerca de 20 catadores. O grupo trabalhava havia quase dois anos em um barracão. A organização fazia parte das medidas consideradas necessárias para acompanhar a mudança na destinação dos resíduos e dar aos trabalhadores um espaço mais adequado para a separação do material.

Ouro Preto do Oeste aparecia com a segunda maior produção de lixo da região. A geração diária chegava a aproximadamente 28 toneladas de resíduos sólidos. A Secretaria de Meio Ambiente ainda elaborava o planejamento para definir o encaminhamento do material ao aterro sanitário. Ao mesmo tempo, uma associação formada por 24 catadores estava em processo de registro para atuar no município.

Nova União tinha cerca de 8 mil habitantes e produzia 1,3 tonelada de lixo por dia. Para se adequar à nova forma de destinação, o município havia alugado um barracão. No espaço, aproximadamente 10 catadores trabalhariam na separação do lixo reciclável. O lixo sólido seria encaminhado diariamente ao aterro sanitário de Ji-Paraná.

Em Mirante da Serra, uma associação deveria beneficiar cerca de 12 catadores. Conforme as informações da Secretaria de Meio Ambiente, todo o lixo não reciclável produzido no município seria enviado para o aterro sanitário de Ji-Paraná. A separação dos materiais recicláveis permitiria encaminhar ao aterro somente a parte que não pudesse ser reaproveitada.

Urupá também se preparava para aderir ao sistema regional. O município tinha pouco mais de 13 mil habitantes e planejava destinar seus resíduos ao aterro sanitário de Ji-Paraná. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, o transporte do lixo seria realizado três vezes por semana.

Vale do Paraíso produzia duas toneladas de lixo diariamente e trabalhava para encerrar o lixão. A previsão era instalar, em 15 dias, uma cooperativa para fazer a reciclagem do material produzido no município. Apesar da preparação, a Secretaria de Meio Ambiente não divulgou uma data para o fechamento do lixão a céu aberto.

Teixeirópolis estava em uma situação diferente da observada nos demais municípios citados. A cidade já não possuía lixão a céu aberto. Em janeiro daquele ano, a prefeitura havia iniciado o transporte do lixo sólido para o aterro sanitário de Cacoal.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente de Teixeirópolis, o antigo lixão do município havia sido reflorestado. A medida encerrou o uso do local para o descarte a céu aberto e marcou a adoção do encaminhamento dos resíduos para uma estrutura de aterro sanitário.

Com a construção da unidade de Ji-Paraná e o planejamento das prefeituras, os municípios buscavam cumprir o prazo da PNRS e substituir os lixões por uma destinação considerada mais adequada. As ações incluíam a organização do transporte dos resíduos, a criação ou regularização de associações, o aluguel de barracões para os catadores e a separação dos materiais recicláveis antes do envio ao aterro.

Via Portal G1

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João Pedro Rafannelli

João Pedro Rafannelli acompanha os principais acontecimentos do Brasil, com foco em notícias, decisões, fatos relevantes e temas que impactam diretamente o dia a dia da população.