Morre Efigênia Rolim, a “Rainha do Papel de Bala” de Curitiba, aos 94 anos, que transformava lixo em arte
A cena artística de Curitiba e do Paraná amanheceu mais triste neste sábado, 28, com o falecimento de Efigênia Rolim, aos 94 anos. Conhecida carinhosamente como a “Rainha do Papel de Bala”, Efigênia deixou um legado impressionante, transformando o que muitos descartariam em verdadeiras obras de arte.
Sua metodologia única, utilizando embalagens de doces como matéria-prima, a consagrou como uma artista popular de grande reconhecimento nacional. Por décadas, sua presença vibrante na tradicional feirinha do Largo da Ordem era um ponto de encontro para admiradores e curiosos.
Efigênia Rolim faleceu de causas naturais no Asilo São Vicente, onde residia. A notícia de sua partida ressoa como um lembrete da importância de sua trajetória, que inspirou não apenas o público, mas também diversas manifestações artísticas. Conforme informação divulgada pelo Governo do Paraná, Efigênia Rolim marcou profundamente o cenário cultural.
Uma vida dedicada à arte e à transformação
Nascida em Minas Gerais em 1931, Efigênia Rolim mudou-se para o Paraná em 1965, fixando residência em Curitiba a partir de 1971. Ao longo de sua carreira, sua arte ganhou destaque em exposições coletivas e individuais, além de sua participação em eventos culturais, performances, desfiles de moda, filmes e congressos. Sua obra “Vai o Carrinho com Cavaleiro e Anjinhos”, de 2017, integra o acervo do Museu Oscar Niemeyer (MON), evidenciando a relevância de seu trabalho.
A inspiração encontrada no “lixo”
A “Rainha do Papel de Bala” encontrou sua inspiração em um momento peculiar. Durante uma de suas buscas por materiais nas ruas de Curitiba, Efigênia se deparou com um objeto brilhante que, inicialmente, pensou ser uma joia. Ao se aproximar, descobriu ser um papel de bala. Essa descoberta a levou a uma profunda reflexão sobre o valor das coisas e a transformação, comparando o papel descartado ao valor de uma pessoa após cumprir seu propósito.
Essa percepção se tornou a essência de sua arte. Efigênia conseguia enxergar beleza e potencial em materiais que seriam esquecidos, dando-lhes nova vida e significado. Essa filosofia de valorização do descartado ecoou em sua trajetória artística, inspirando o documentário “Rainha do Papel” e “O Filme da Rainha”, além do livro “A Viagem de Efigênia Rolim nas Asas do Peixe Voador”.
Reconhecimento e legado duradouro
Em 2013, o reconhecimento de seu trabalho foi oficializado com o título de Cidadã Honorária de Curitiba. Sua contribuição para o cenário cultural e artístico foi amplamente celebrada, como na exposição que o Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR) dedicou à sua vida e obra em 2022. O Museu Oscar Niemeyer (MON) também enalteceu sua importância nas redes sociais, destacando sua obra em seu acervo.
A partida de Efigênia Rolim deixa uma lacuna, mas seu legado de criatividade, resiliência e a arte de transformar o ordinário em extraordinário continuará a inspirar novas gerações. Sua história é um testemunho do poder da arte em dar nova perspectiva e valor às coisas simples da vida. O impacto da “Rainha do Papel de Bala” na cultura paranaense é inegável e sua memória será sempre celebrada.
Fonte: Governo do Paraná, Asilo São Vicente, Museu Oscar Niemeyer (MON), Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR).
