Maçã verde ou vermelha, qual faz melhor para a saúde? Nutricionistas explicam diferenças no açúcar, fibras e antioxidantes e mostram quando a escolha de uma delas realmente pode fazer diferença na alimentação

Na hora de escolher uma maçã, muita gente decide apenas pelo sabor. Algumas pessoas preferem a acidez da verde, enquanto outras não abrem mão da doçura das variedades vermelhas. Mas existe uma dúvida comum por trás dessa escolha: uma delas é realmente melhor para a saúde?

Apesar das diferenças de cor, textura e sabor, maçãs verdes e vermelhas são variedades da mesma fruta e oferecem benefícios nutricionais bastante parecidos. Elas fornecem fibras, vitamina C, potássio e diferentes compostos naturais encontrados nas plantas.

As diferenças existem, mas são menores do que muita gente imagina. Em algumas situações específicas, como uma alimentação com controle mais rigoroso de açúcar e carboidratos, a maçã verde pode levar uma pequena vantagem. Para a maioria das pessoas, porém, a melhor escolha tende a ser aquela que realmente gostam de comer.

Maçãs verdes e vermelhas lado a lado
Maçãs verdes e vermelhas têm diferenças no sabor e em alguns nutrientes, mas são muito parecidas do ponto de vista nutricional. Foto: Iwuala Lucy / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

A diferença mais fácil de perceber está no sabor

A famosa Granny Smith é um bom exemplo de maçã verde. Ela costuma ter polpa firme e sabor mais ácido. Entre as vermelhas estão variedades como Gala, Fuji, Honeycrisp e Red Delicious, geralmente mais doces e suculentas.

Essa diferença começa ainda durante o desenvolvimento da fruta. As maçãs vermelhas produzem pigmentos chamados antocianinas, responsáveis pelos tons avermelhados da casca. Já as verdes mantêm maior presença de clorofila, pigmento relacionado à cor verde.

O gosto também muda por causa da quantidade de açúcares naturais e ácidos presentes em cada variedade.

As maçãs verdes costumam ter mais ácido málico, responsável por aquele sabor azedinho bastante característico. As vermelhas geralmente têm menos acidez e um pouco mais de açúcar natural, o que ajuda a explicar por que parecem mais doces.

Maçã verde

Sabor: mais ácido

Textura: geralmente mais firme

Açúcar natural: costuma ter um pouco menos

Na cozinha: mantém melhor o formato quando aquecida

Maçã vermelha

Sabor: geralmente mais doce

Textura: varia, mas muitas são mais suculentas

Açúcar natural: pode ter um pouco mais

Na cozinha: muito usada em sucos, purês e para comer fresca

Quando o assunto é nutrição, elas são muito mais parecidas do que diferentes

As duas cores oferecem boa quantidade de fibras e também fornecem vitamina C e potássio.

A fibra ajuda no funcionamento do intestino e também aumenta a sensação de saciedade depois das refeições. Além disso, participa do controle da velocidade com que os carboidratos da alimentação chegam ao sangue.

A vitamina C participa de várias funções do organismo, enquanto o potássio está envolvido no funcionamento dos músculos, nervos e no controle da pressão arterial.

Outro ponto em comum é a presença de antioxidantes. Os tipos e as quantidades podem variar de uma variedade para outra.

Nas maçãs vermelhas, as antocianinas presentes na casca estão entre esses compostos. Nas verdes, outros pigmentos e substâncias naturais também fazem parte da composição da fruta.

A maçã verde tem menos açúcar?

Em geral, sim, mas a diferença não costuma ser enorme.

Segundo a nutricionista e pesquisadora Carolyn Newberry, algumas variedades verdes apresentam um pouco menos de açúcar natural e, por consequência, também podem ter ligeiramente menos calorias.

Essa diferença pode ganhar mais importância para alguém que esteja seguindo uma dieta com controle bastante rigoroso de carboidratos ou açúcar.

Mesmo assim, ela ressalta que, para quem não está consumindo grandes quantidades de maçãs, a diferença entre uma verde e uma vermelha provavelmente não será algo decisivo.

Na prática

Trocar uma maçã vermelha por uma verde não transforma completamente uma alimentação. Para a maioria das pessoas, quantidade, variedade da dieta e frequência de consumo têm muito mais importância do que a cor da maçã.

A casca pode fazer mais diferença do que escolher entre verde e vermelha

Independentemente da variedade escolhida, existe um detalhe que vale atenção: comer a maçã com a casca sempre que possível.

Boa parte das fibras e de vários compostos naturais está concentrada justamente nessa parte da fruta.

Retirar a casca não torna a maçã sem valor nutricional, mas significa abrir mão de uma parte importante do que ela oferece.

Por isso, depois de lavar bem a fruta, consumi-la inteira costuma ser uma forma simples de aproveitar melhor seus nutrientes.

Também existe diferença na hora de cozinhar

A escolha entre verde e vermelha não precisa ser feita apenas pensando em nutrientes.

Como muitas maçãs verdes são mais firmes e mantêm melhor a estrutura quando aquecidas, elas costumam funcionar bem em tortas, sobremesas assadas e saladas.

Já algumas variedades vermelhas são naturalmente mais macias, doces e suculentas, características interessantes para fazer purês, sucos ou simplesmente comer a fruta fresca.

Isso significa que a variedade considerada mais adequada pode mudar dependendo do que será preparado.

Dá para comer maçã todos os dias?

Para a maioria dos adultos saudáveis, incluir maçã regularmente na alimentação pode fazer parte de uma rotina equilibrada.

Isso não significa que comer uma maçã diariamente funcione como proteção garantida contra doenças. Estudos que acompanham hábitos alimentares encontram relações entre o consumo regular de frutas e melhores padrões de alimentação, mas vários outros fatores também influenciam a saúde.

Algumas pessoas, porém, podem sentir desconforto depois de comer maçãs.

A fruta contém fibras, frutose e carboidratos que fermentam no intestino. Quem possui um sistema digestivo mais sensível pode apresentar gases, inchaço ou desconforto dependendo da quantidade consumida.

Quem controla o açúcar no sangue precisa abandonar as maçãs?

Não necessariamente. A fruta possui açúcar natural, mas também contém fibras.

Para pessoas com diabetes ou que precisam controlar com mais atenção os carboidratos da alimentação, a quantidade consumida e o restante da refeição podem ser mais importantes do que simplesmente escolher uma maçã verde.

Uma estratégia citada por especialistas é combinar a fruta com uma fonte de proteína ou gordura, como castanhas, pasta de amendoim ou queijo, dependendo das necessidades de cada pessoa.

Quem utiliza medicamentos ou segue uma dieta definida por profissional de saúde deve manter as orientações específicas recebidas para seu caso.

E então, qual das duas merece espaço na fruteira?

A resposta é menos complicada do que parece.

Se você gosta de frutas mais azedas, firmes e menos doces, a maçã verde pode agradar mais. Se prefere algo doce, suculento e fácil de comer como lanche, provavelmente uma variedade vermelha será mais interessante.

Nutricionalmente, as diferenças existem, mas são pequenas. Não há motivo para tratar uma cor como saudável e a outra como ruim.

Para a maioria das pessoas, a melhor maçã é aquela que facilita o consumo de frutas de forma regular. E, se você gosta das duas, alternar variedades ainda ajuda a deixar a alimentação menos repetitiva.

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Camila Fernanda Ribeiro da Luz

Camila Fernanda Ribeiro da Luz escreve sobre curiosidades, entretenimento, tendências e assuntos do cotidiano que despertam interesse e movimentam as conversas do dia a dia.