O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sugeriu à Caixa Econômica Federal a criação de um programa de renegociação de dívidas voltado aos clubes de futebol brasileiros, em modelo semelhante ao Desenrola, iniciativa criada para facilitar a regularização de débitos de pessoas físicas.
A declaração foi feita durante entrevista à Record TV neste domingo (23). Lula afirmou que muitos clubes enfrentam dificuldades financeiras provocadas, na avaliação dele, por problemas de administração e por gastos incompatíveis com a realidade econômica das equipes.
Ao comentar o tema, o presidente também citou diretamente o Corinthians, clube pelo qual torce e que possui uma dívida de centenas de milhões de reais com a Caixa relacionada ao financiamento da Neo Química Arena.
Lula propõe modelo semelhante ao Desenrola
A ideia apresentada pelo presidente seria criar uma linha específica para permitir que clubes renegociem seus débitos em condições definidas pela instituição financeira.
Durante a entrevista, Lula afirmou que os times brasileiros estão, em grande parte, enfrentando dificuldades financeiras e atribuiu parte desse cenário à má administração.
Ele também criticou salários considerados elevados dentro do futebol nacional e relacionou a proposta de renegociação à necessidade de buscar alternativas de financiamento para os clubes.
Segundo Lula, um programa semelhante ao Desenrola poderia ajudar equipes endividadas a reorganizar suas contas e reduzir a dependência de fontes de receita como patrocínios de casas de apostas e de plataformas de conteúdo adulto.
Corinthians foi citado pelo presidente
Lula mencionou o Corinthians ao falar sobre a situação financeira dos clubes e disse lamentar que o time tenha dificuldades para contratar jogadores.
O clube paulista está entre os principais devedores da Caixa no futebol brasileiro devido ao financiamento utilizado na construção da Neo Química Arena, em Itaquera, na zona leste de São Paulo.
Segundo os dados apresentados na reportagem, a dívida relacionada ao estádio está em aproximadamente R$ 642 milhões.
Financiamento original foi de R$ 400 milhões
O financiamento inicial da arena foi de R$ 400 milhões e foi concedido em 2014 para ajudar na construção do estádio que recebeu a partida de abertura da Copa do Mundo daquele ano.
Os recursos vieram do programa ProCopa Arenas, do BNDES, e foram destinados originalmente à Odebrecht, empresa responsável pela construção.
O custo total da obra ultrapassou R$ 1 bilhão.
Com os problemas financeiros enfrentados posteriormente pela empreiteira no contexto da Operação Lava Jato, compromissos ligados ao financiamento deixaram de ser honrados e a dívida passou a ficar vinculada ao clube.
Acordo atual prevê pagamentos até 2041
O acordo em vigor prevê amortizações da dívida com juros anuais de 2%, acrescidos da inflação, e prazo de pagamento até 2041.
Também existem negociações envolvendo os direitos de nome da Neo Química Arena.
Uma das possibilidades discutidas é que os naming rights do estádio sejam transferidos à Caixa como parte de um acordo para reduzir o saldo devedor.
Proposta ainda não representa programa criado
A fala de Lula representa, por enquanto, uma sugestão apresentada à Caixa Econômica Federal. Não houve anúncio de lançamento, regras, critérios de adesão ou condições financeiras de um eventual programa para clubes.
Caso a ideia avance, ainda seria necessário definir quais dívidas poderiam ser incluídas, quais equipes teriam acesso ao mecanismo e de que forma ocorreria a renegociação.
A proposta surge em um momento em que diversos clubes brasileiros buscam alternativas para reorganizar passivos acumulados e ampliar suas fontes de receita.




