Lula diz que Lulinha terá de provar inocência, critica 2º escalão de Trump e fala em acordo para acabar com taxa das blusinhas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, terá de provar sua inocência caso tenha cometido alguma irregularidade, criticou integrantes do segundo escalão do governo de Donald Trump e sinalizou um possível acordo para acabar com a chamada taxa das blusinhas.

As declarações foram dadas em entrevista à Record TV, gravada no Palácio da Alvorada e exibida neste domingo (23).

Ao falar sobre as investigações envolvendo Lulinha, o presidente declarou que não pretende interferir no trabalho das autoridades e afirmou que ninguém deve ficar impune caso tenha cometido algum erro.

Lula diz que filho terá de provar inocência

Questionado sobre as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o presidente afirmou que trata o assunto com seriedade e que não pretende impedir qualquer apuração.

Segundo Lula, caso seu filho tenha cometido alguma irregularidade, deverá responder por isso e poderá ser julgado e punido. Da mesma forma, disse que ele poderá ser inocentado caso não sejam comprovadas as suspeitas.

Uma das linhas investigadas apura se Lulinha teria atuado para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negociações com o Ministério da Saúde.

Antunes é apontado pelas investigações como um dos principais personagens no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

As apurações estão em andamento e não significam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal de Lulinha.

Ex-chefe de gabinete também aparece em investigação

Lula também foi questionado sobre Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente.

Segundo informações da investigação, a Polícia Federal identificou que Marcola recebeu uma minuta de contrato relacionada à venda de medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde.

O presidente afirmou que não tenta impedir investigações envolvendo pessoas próximas e disse que quem tiver cometido irregularidades deverá responder pelos próprios atos.

Lula critica segundo escalão do governo Trump

Na mesma entrevista, Lula comentou sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que as conversas entre os dois têm sido respeitosas e civilizadas.

O brasileiro, porém, criticou integrantes da equipe de Trump e disse que decisões tomadas pelo segundo escalão norte-americano estariam contrariando o tom das conversas mantidas diretamente entre os presidentes.

Lula afirmou que não aceita interferência de outros países em assuntos internos do Brasil e disse ter a impressão de que Trump demonstra uma postura mais aberta ao diálogo do que alguns integrantes de sua assessoria.

Telefonema entre Lula e Trump durou cerca de 1h20

Lula telefonou para Trump na manhã da última sexta-feira (21). Segundo o Palácio do Planalto, a conversa durou aproximadamente uma hora e 20 minutos e ocorreu em tom amistoso e cordial.

Durante o contato, Lula afirmou ter contestado argumentos utilizados pelo governo americano para impor novas sanções ao Brasil.

O presidente brasileiro disse ter rejeitado acusações relacionadas a questões ambientais e trabalhistas e afirmou que falou de maneira direta com Trump sobre o assunto.

Segundo Lula, a conversa já produziu um primeiro resultado prático. O presidente americano teria acionado seu secretário de Comércio, que entrou em contato com o ministro brasileiro responsável pela área, permitindo o agendamento de uma reunião para a próxima semana.

Lula disse esperar que as negociações avancem e afirmou que pretende manter uma relação civilizada com os Estados Unidos, citando a importância econômica, tecnológica, militar e diplomática do país.

Presidente sinaliza acordo sobre fim da taxa das blusinhas

Outro assunto abordado foi o imposto de importação de 20% aplicado às compras internacionais de até US$ 50, conhecido como taxa das blusinhas.

Lula afirmou que pretende se reunir na próxima quarta-feira (26) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e indicou que os dois poderão anunciar um acordo sobre o fim da cobrança.

A tramitação da medida vinha enfrentando dificuldades após um período de afastamento político entre Lula e Alcolumbre.

Nos últimos dias, os dois retomaram o diálogo, e a instalação de uma comissão mista para analisar o tema foi interpretada como um gesto de reaproximação entre o governo e o comando do Congresso.

A definição sobre o imposto ainda depende do andamento da medida no Legislativo e das negociações entre governo e parlamentares.

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João Pedro Rafannelli

João Pedro Rafannelli acompanha os principais acontecimentos do Brasil, com foco em notícias, decisões, fatos relevantes e temas que impactam diretamente o dia a dia da população.