O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, saiu em defesa do senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, após o parlamentar ser alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada às investigações sobre o Banco Master.
Durante entrevista à TV Globo, Lula afirmou ter “consciência” de que Wagner é honesto e disse que não pretende condenar politicamente o senador com base em suspeitas antes da conclusão das investigações.
O presidente também ressaltou que, caso algum crime seja comprovado, Wagner deverá responder por ele.
Lula cita relação de Wagner com ex-sócio do banco
Ao comentar o caso, Lula reconheceu que Jaques Wagner mantinha relação com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio ligado à instituição investigada.
O presidente afirmou que não pode fazer política com base em ilações e destacou o princípio de que uma pessoa deve ser considerada inocente até que haja prova em contrário.
Lula também afirmou que sua relação pessoal e política com Wagner faz com que não coloque em dúvida o comportamento do senador sem que existam conclusões definitivas das autoridades.
PF aponta contatos frequentes entre Wagner e Augusto Lima
Segundo relatório da Polícia Federal, Jaques Wagner manteve contato frequente com Augusto Lima entre 2023 e 2025, com dezenas de ligações registradas no período.
Os investigadores também apontam mensagens envolvendo encontros entre as famílias, viagens, convites para eventos privados e conversas relacionadas a assuntos de interesse do Banco Master.
A PF afirma ainda que Wagner acompanhava pautas consideradas relevantes para a instituição financeira.
Relatório cita a chamada “Emenda Master”
Entre os temas mencionados pela investigação está a chamada “Emenda Master”, proposta que ampliava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC.
De acordo com a Polícia Federal, o ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, enxergava Wagner como um possível aliado político nas articulações envolvendo o assunto.
Essas conclusões fazem parte da linha investigativa da PF e ainda não representam uma condenação do senador.
Investigação cita supostas vantagens recebidas pelo senador
O relatório da PF também menciona supostos benefícios recebidos por Wagner, entre eles voos em aeronaves ligadas ao grupo, presentes, ingressos para um show da cantora Taylor Swift e negociações envolvendo a compra de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador.
Segundo os investigadores, a operação relacionada ao imóvel teria características semelhantes às observadas em outros casos apurados no mesmo inquérito.
A corporação também relata encontros entre Wagner e Augusto Lima no gabinete do senador.
PF diz haver indícios de atuação favorável ao Banco Master
Antes da operação de busca e apreensão realizada em 18 de junho, o ministro André Mendonça autorizou o monitoramento da localização aproximada do telefone de Wagner por dez dias e a obtenção de registros telefônicos, sem acesso ao conteúdo das conversas.
A Polícia Federal afirma ter identificado indícios de que o senador teria recebido benefícios em troca de atuação parlamentar favorável aos interesses do Banco Master.
A defesa de Jaques Wagner nega qualquer irregularidade.
As investigações continuam em andamento, e as suspeitas levantadas pela PF ainda dependem de análise judicial e eventual responsabilização pelos órgãos competentes.




