O empresário Luciano Hang, dono da Havan, criticou o acordo anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para colocar em votação o fim do imposto federal de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.
Para Hang, uma eventual redução da cobrança para produtos estrangeiros deveria vir acompanhada de uma diminuição da carga tributária enfrentada pelas empresas brasileiras.
Em publicação nas redes sociais, o empresário afirmou que considera injusto reduzir impostos sobre mercadorias importadas enquanto produtos nacionais continuam submetidos a uma tributação elevada.
Hang alerta para risco de desindustrialização
Na manifestação, Hang afirmou que produtos brasileiros enfrentariam uma tributação que, segundo ele, varia entre 80% e 120%, enquanto mercadorias estrangeiras poderiam voltar a entrar no país sem o imposto federal atualmente cobrado nas compras de pequeno valor.
O empresário também disse acreditar que uma diferença tributária desse tamanho poderia aumentar a pressão sobre a indústria e o varejo nacionais, com reflexos sobre empregos.
“Se baixar impostos para os estrangeiros, tem que baixar para os brasileiros”, afirmou Hang ao comentar a mudança.
Acordo envolve Lula, Alcolumbre e Hugo Motta
Segundo o anúncio feito nesta semana, Lula chegou a um entendimento com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para avançar com a votação da proposta que elimina o imposto federal de importação de 20% sobre encomendas internacionais de até US$ 50.
A cobrança ficou conhecida popularmente como Taxa das Blusinhas e passou a atingir consumidores que fazem compras em plataformas estrangeiras.
Além do imposto federal, essas encomendas também estão sujeitas ao ICMS, de competência estadual. A eventual retirada da alíquota federal não elimina essa cobrança, que continua dependendo das regras aplicadas pelos estados.
Imposto arrecadou R$ 1,78 bilhão no início de 2026
Dados da Secretaria da Receita Federal citados na reportagem apontam que o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão com o imposto de importação incidente sobre encomendas internacionais nos quatro primeiros meses de 2026.
A cobrança vinha sendo defendida por setores da indústria e do comércio brasileiro sob o argumento de que ajudava a reduzir a diferença tributária entre empresas nacionais e plataformas estrangeiras.
O tema, porém, também passou a receber críticas políticas e de consumidores, levando o governo a reavaliar o modelo.
Havan avalia expansão para outros países
Apesar das críticas à concorrência de produtos estrangeiros no mercado brasileiro, Hang também passou a estudar uma possível expansão internacional da Havan.
O empresário admitiu que investimentos fora do Brasil podem começar em 2027, com países vizinhos entre as possibilidades. O Paraguai, visitado por ele em julho, aparece entre os mercados avaliados.
Hang argumenta que a proximidade geográfica de cidades como Assunção, no Paraguai, e Montevidéu, no Uruguai, pode facilitar uma eventual expansão a partir da sede da empresa em Brusque, Santa Catarina.
Segundo projeções apresentadas pelo empresário, a Havan pretende terminar 2026 com 203 megalojas, aproximadamente 25 mil funcionários e faturamento de R$ 22 bilhões. Em 2025, a rede registrou receita de R$ 18,5 bilhões.




