A Justiça Eleitoral determinou que Dilcon Afonso Santos Carvalho, candidato a suplente ao Senado pelo Democracia Cristã no Piauí, apresente uma nova fotografia para o registro de candidatura. Na imagem enviada inicialmente, ele aparece caracterizado como Jesus Cristo e usando uma coroa de espinhos.
A intimação foi expedida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Piauí em 16 de agosto. O candidato recebeu prazo de três dias para substituir a foto por outra que atenda às regras estabelecidas para as eleições.
Dilcon é empresário e ator e, segundo a chapa, interpreta Jesus há cerca de 35 anos em encenações da Paixão de Cristo e da Via-Sacra. Esta é a primeira vez que ele disputa uma eleição.
Coroa de espinhos foi considerada elemento cênico
A Justiça Eleitoral apontou que a fotografia apresentada não atende às exigências previstas para os registros de candidatura.
As regras determinam que a imagem seja recente, colorida, tenha fundo uniforme, enquadramento de busto e mostre o candidato de frente, além de exigir vestimentas compatíveis com uma fotografia oficial.
A regulamentação permite determinadas indumentárias ou pinturas corporais de caráter étnico ou religioso, mas restringe o uso de elementos cênicos e adornos que possam prejudicar ou dificultar a identificação do candidato.
No caso de Dilcon, a caracterização utilizada na fotografia apresentada ao TRE-PI foi considerada incompatível com essas exigências.
Registro pode ser indeferido se foto não for substituída
O candidato terá de entregar uma nova fotografia dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral.
Caso a exigência não seja cumprida, o registro de candidatura de Dilcon como suplente ao Senado poderá ser indeferido.
A determinação ocorre durante a análise das candidaturas para as eleições de 2026 e não representa, até o momento, o impedimento definitivo de sua participação na disputa.
Chapa questionou diferença em relação à foto de Lula
Dionísio Carvalho, candidato ao Senado pelo Piauí e responsável pela chapa da qual Dilcon faz parte, reagiu à decisão em uma publicação feita ao lado do suplente nas redes sociais.
Ele comparou a caracterização utilizada por Dilcon com a fotografia eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual Lula aparece usando chapéu.
Dionísio questionou por que o chapéu poderia aparecer em uma fotografia utilizada na urna enquanto a coroa de espinhos usada pelo suplente precisaria ser retirada.
Segundo ele, a comparação não tinha como objetivo atacar Lula, mas levantar uma discussão sobre quais acessórios podem ou não ser aceitos nas fotografias eleitorais.
Candidato interpreta Jesus há décadas
Durante a manifestação, Dionísio também destacou a trajetória pessoal do suplente.
Segundo o candidato ao Senado, Dilcon trabalha diariamente na Central de Abastecimento do Piauí e participa há mais de três décadas de apresentações religiosas interpretando Jesus Cristo.
A longa relação com o personagem explica a escolha da caracterização usada na fotografia apresentada inicialmente à Justiça Eleitoral.
Agora, porém, Dilcon terá de apresentar uma imagem dentro dos padrões definidos para o registro de candidatura caso queira continuar com o pedido regularmente em análise no Piauí.




