Um homem foi preso na quarta-feira (2), em Guaíra, no Oeste do Paraná, sob suspeita de ter atingido um indígena com cerca de 60 golpes de faca. A ocorrência foi registrada na madrugada de 10 de agosto, nas imediações da Aldeia Tekoha Mirim.
O indígena foi encontrado em estado grave na Estrada da Faixinha e levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) a um hospital de Toledo. Ele ficou internado na ala vermelha, mas se recuperou e recebeu alta.
A captura aconteceu uma semana depois de dois indígenas, detidos inicialmente por causa de uma acusação falsa, terem sido libertados. Conforme relatou o delegado Ildelúcio Oliveira Melo, a apuração mudou após a vítima deixar o hospital e conversar com os investigadores.
Segundo a Polícia Civil, o preso admitiu a agressão. Durante o interrogatório, afirmou que havia discutido com a vítima enquanto os dois bebiam na comunidade. A motivação do ataque continua sendo investigada.
Na fase inicial do caso, o cacique da comunidade apontou dois indígenas como autores. Três outras testemunhas prestaram declarações que sustentavam essa versão, posteriormente confirmada pelo cacique e pelos demais depoentes perante a Justiça.
Os relatos, somados a roupas recolhidas pela polícia e tratadas como possíveis elementos de prova, resultaram na prisão em flagrante de um dos apontados. Para o segundo, foi solicitado o encarceramento preventivo, medida autorizada pela Justiça.
O cenário foi alterado quando a vítima, já recuperada, foi ouvida em Toledo. Ela declarou que os dois homens presos não haviam participado do ataque e forneceu aos policiais indicações sobre a possível autoria verdadeira.
Depois de receber essa informação, o delegado Ildelúcio Oliveira Melo pediu ao Ministério Público a revogação das prisões. Os dois indígenas foram colocados em liberdade.
Com os dados apresentados pela vítima, os investigadores identificaram dois homens ligados à nova linha de apuração. Os dois foram encontrados e presos uma semana depois. Um deles descreveu o episódio no interrogatório e confessou a autoria.
Como não tinha sido detido durante a ocorrência, ele saiu após prestar depoimento. Posteriormente, o Ministério Público requereu a prisão preventiva, e a Polícia Civil cumpriu a determinação na quarta-feira (2), em Guaíra.
A versão confessada pelo suspeito é a de que a agressão começou após um desentendimento entre ele e a vítima durante o consumo de bebidas na aldeia. A polícia ainda busca esclarecer o motivo do crime.
A identidade do preso, da vítima e dos demais envolvidos não foi divulgada. A investigação permanece em andamento para esclarecer completamente a agressão e sua motivação.
Via Portal G1

