A forma como os jovens lidam com as finanças mudou drasticamente nas últimas décadas e o que funcionava para os nossos pais parece não fazer mais sentido para a Geração Z. Enquanto as gerações anteriores focavam em construir uma reserva de emergência estável em contas de poupança, os jovens de hoje estão mergulhando de cabeça em ativos digitais e investimentos fracionados. Essa mudança de comportamento reflete um mundo financeiro que já não oferece as mesmas garantias de antigamente.

De acordo com análises sobre comportamento financeiro e tendências de mercado da Febraban, o perfil do investidor brasileiro tem se tornado mais arrojado, buscando rentabilidade imediata em vez da segurança passiva. A Geração Z prefere colocar seu capital em criptomoedas, NFTs e fundos de investimento imobiliário, os chamados REITs, que permitem lucrar com o mercado de imóveis sem a necessidade de comprar uma casa própria de forma integral. Essa estratégia foca em ganhos rápidos, mas pode tornar o acúmulo de uma reserva de segurança algo muito mais desafiador.

A busca por renda flexível e o fim do emprego vitalício

Outro ponto que separa os jovens de seus pais é a relação com o trabalho. O antigo sonho de fazer carreira em uma única empresa por décadas foi substituído pela gig economy ou economia de bicos. Muitos jovens optam por trabalhos como freelancers, contratos temporários ou criação de conteúdo em redes sociais. Essa escolha traz uma liberdade geográfica e criativa invejável, porém gera uma instabilidade financeira que exige um controle muito mais rígido dos gastos mensais.

Especialistas em finanças pessoais sugerem que essa falta de um salário fixo mensal dificulta o planejamento de longo prazo. Sem a previsibilidade do contracheque, a Geração Z acaba vivendo em um ciclo de altos e baixos financeiros. Para compensar essa volatilidade, é indicado que o jovem busque diversificar suas fontes de renda, utilizando as ferramentas digitais para garantir que o dinheiro continue entrando mesmo em períodos de baixa demanda no setor principal.

Otimismo financeiro e o futuro do patrimônio

Curiosamente, apesar de enfrentarem um cenário de inflação alta e mercado imobiliário restrito, quase três quartos desses jovens acreditam que serão ricos no futuro. Esse otimismo é alimentado pelo acesso facilitado a aplicativos de investimento e ferramentas de gestão que não existiam há vinte anos. Eles não têm medo de investir em educação e especializações, acreditando que o retorno sobre esse conhecimento será o grande diferencial para sua liberdade financeira.

Embora o caminho pareça mais arriscado, essa nova mentalidade pode transformar a Geração Z em uma das mais prósperas da história. O segredo reside em equilibrar a ousadia dos novos investimentos com uma base mínima de segurança. É recomendável que, mesmo focando em criptoativos, uma parte do capital seja mantida em ativos de liquidez imediata para cobrir imprevistos, garantindo que o sonho da riqueza não seja interrompido por uma emergência financeira inesperada.

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