Entidades que representam a indústria e o varejo brasileiros reagiram ao acordo político para acelerar a aprovação do fim da chamada Taxa das Blusinhas, que incide sobre compras internacionais de até US$ 50.
Um grupo formado por 23 entidades divulgou nota de repúdio e classificou a proposta como um “duro golpe” para empresas que produzem, vendem e empregam no Brasil.
A Confederação Nacional da Indústria, a CNI, que não assinou a nota conjunta, também manifestou preocupação e estimou que a retirada da cobrança pode colocar em risco 109 mil empregos e R$ 21,8 bilhões em receitas no país.
Acordo prevê zerar imposto de importação até US$ 50
A reação ocorreu após o anúncio de um entendimento envolvendo o presidente Lula, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, para avançar com a Medida Provisória nº 1.357/2026.
A proposta permite zerar o Imposto de Importação sobre encomendas internacionais de até US$ 50.
Na avaliação das entidades, a medida criaria uma diferença de tratamento entre mercadorias importadas por plataformas digitais e produtos fabricados ou comercializados por empresas instaladas no Brasil.
Entidades cobram tratamento tributário semelhante
Na nota, o grupo afirma que empresas brasileiras enfrentam uma carga tributária que, segundo suas próprias estimativas, pode chegar em média a 90% do custo dos produtos, além de juros elevados, burocracia e exigências regulatórias.
As entidades argumentam que mercadorias importadas não deveriam receber condições consideradas mais favoráveis sem que haja alguma forma de compensação ou tratamento semelhante para a produção nacional.
Entre as organizações que assinam a manifestação estão a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, a Abit, o Instituto para Desenvolvimento do Varejo, o IDV, e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, a CNDL.
CNI calcula impacto sobre emprego e faturamento
A CNI divulgou uma avaliação separada apontando possíveis efeitos econômicos da retirada da cobrança sobre as importações de pequeno valor.
Segundo a entidade, a mudança pode colocar em risco 109 mil postos de trabalho e afetar aproximadamente R$ 21,8 bilhões em receitas da indústria e de outros setores ligados à produção nacional.
Esses números representam estimativas da confederação e fazem parte dos argumentos utilizados pelas entidades contrárias à mudança.
Setores chamam mudança de “duro golpe”
Na manifestação conjunta, as 23 entidades afirmam que a eventual isenção das compras internacionais representaria um “duro golpe” para quem produz, investe, emprega e paga impostos no país.
O debate sobre a Taxa das Blusinhas volta, assim, ao centro das discussões entre governo, Congresso, indústria, varejo e plataformas internacionais, com posições divergentes sobre os efeitos da cobrança para consumidores e para a competitividade das empresas brasileiras.




