Uma empresária de 38 anos, Gabriela Muxagata Minguini, virou o centro de uma discussão acalorada nas redes sociais. O motivo é a dieta do seu filho Filippo, de apenas seis meses.
O bebê começou a fase de introdução alimentar experimentando itens como polvo e língua de boi. As imagens mostram o menino explorando texturas e sabores que fogem totalmente do padrão das papinhas tradicionais.
Embora as cenas encantem parte do público, elas acendem um alerta importante sobre o que é seguro e o que é risco para crianças tão pequenas. O caso levanta questões sobre cultura alimentar e ciência médica.
Gabriela defende que a exposição precoce ajuda a evitar alergias no futuro. E, nesse ponto, a ciência moderna parece estar ao lado dela, mas com ressalvas fundamentais de segurança.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), a janela imunológica ocorre entre os seis e nove meses. Introduzir alimentos como ovo, peixe e glúten nesse período é recomendado.
Estudos recentes, como o famoso estudo LEAP (Learning Early About Peanut Allergy), mostram que evitar alimentos alergênicos pode, na verdade, aumentar as chances de a criança desenvolver alergias graves.
No entanto, a forma de oferecer esses alimentos é o ponto onde muitos pais se perdem. O risco de engasgo é real e deve ser a prioridade número um em qualquer método de introdução alimentar.
O que Gabriela pratica se assemelha ao método BLW (Baby-Led Weaning), onde a criança se alimenta sozinha com pedaços inteiros. O foco aqui é a autonomia e a exploração sensorial do bebê.
O polvo, por exemplo, possui uma textura borrachosa que pode ser perigosa se não for preparada corretamente.
Por isso, a mãe reforça que conta com acompanhamento médico constante.
A alimentação é o primeiro contato da criança com o mundo. Que seja um contato seguro, nutritivo e, acima de tudo, guiado por evidências científicas e não apenas por tendências de internet.
