A apuração sobre a lesão sofrida por Willian “Kabuto” Hiroyuki Masuda em uma competição de jiu-jitsu avançou com a oitiva de três testemunhas. Segundo o delegado Roberto Fernandes, todas afirmaram que o faixa-preta foi atingido por um golpe ilegal. A Polícia Civil ainda fará novas diligências antes de concluir essa análise.
O torneio ocorreu em Londrina, no Norte do Paraná. Willian está internado no Hospital Evangélico desde 22 de agosto, quando sofreu fraturas nas vértebras C5 e C6, na região cervical. No momento do episódio, ele enfrentava Juliano Di Pelli Machado.
Relatos recentes da família indicam que o atleta sente dores intensas, não possui sensibilidade nos membros inferiores e apresenta pouca sensibilidade nos braços. Até a última atualização, os médicos não haviam estabelecido um diagnóstico definitivo e informaram que a recuperação será prolongada.
Para prosseguir com o inquérito, a polícia requisitou à organização do evento documentos como fichas cadastrais e alvarás. Juliano deverá ser a última pessoa a prestar depoimento. Procurada, a defesa informou que não se manifestará neste momento. Em contatos anteriores, a reportagem foi informada de que o advogado acompanha o caso.
Origem da investigação
O procedimento começou após uma notícia-crime entregue em 24 de agosto pelo promotor Renato de Lima Castro. Ele acompanhava a transmissão da competição quando ocorreu o golpe e pediu que o episódio fosse apurado como lesão corporal de natureza gravíssima.
O documento, ao qual o g1 teve acesso, menciona uma diferença aproximada de 40 quilos entre os dois atletas. Após receber a comunicação, a Polícia Civil iniciou a investigação para esclarecer a dinâmica da luta e verificar se a técnica empregada contrariou as regras do jiu-jitsu.
Os depoimentos reunidos até agora sustentam a suspeita de irregularidade, conforme declarou Roberto Fernandes. A conclusão, contudo, dependerá da análise de outros relatos, dos documentos obtidos e dos registros disponíveis da competição.
Declarações da defesa de Juliano
Felipe de Melo, advogado de Juliano Di Pelli Machado, disse em 28 de agosto que circula nas redes sociais um vídeo no qual o lutador comenta o episódio. Segundo a defesa, a gravação foi feita em canal privado, antes de Juliano saber da gravidade do estado de Willian.
Em comunicado enviado em 24 de agosto, os representantes de Juliano disseram acompanhar a investigação e afirmaram que o atleta está disponível para prestar esclarecimentos. A nota manifesta preocupação com a saúde de Willian Hiroyuki Masuda, a quem Juliano respeita e considera um adversário de alto nível.
O texto informa que Juliano e a família dele estão concentrados na recuperação de Willian. Também registra solidariedade aos familiares e à equipe do lutador lesionado, além da disposição para oferecer auxílio dentro do possível.
A defesa afirmou que Juliano soube, naquele dia, da comunicação encaminhada à autoridade policial. Segundo os advogados, ele mantém respeito pelas instituições e colaborará com as apurações, respondendo ao que for solicitado pelas autoridades competentes.
Os representantes sustentaram que os esclarecimentos devem ocorrer no procedimento oficial, e não no debate público. Para eles, a avaliação exige exame técnico do vídeo da luta, das regras da modalidade e da atuação da arbitragem. A nota afirmou que essa postura não significa recusa em explicar o caso, mas busca preservar uma análise serena e tecnicamente rigorosa, sem depender da repercussão de imagens editadas nas redes sociais.
A defesa também informou que Juliano é atleta profissional e medalhista em Campeonato Europeu e Campeonato Mundial. De acordo com o comunicado, sua carreira foi construída em anos de disputas de alto nível, sem histórico de conduta antidesportiva ou punição disciplinar.
O texto descreveu o jiu-jitsu como vida e profissão do lutador e afirmou que respeito ao adversário, disciplina e lealdade orientam seu comportamento dentro e fora do tatame.
Nota do evento
Em publicação oficial nas redes sociais, o Super Pro Jiu-Jitsu afirmou que um competidor se lesionou durante uma luta e recebeu atendimento imediato da equipe médica e da ambulância do serviço Mais Saúde, responsável pelo suporte no local.
A organização informou que, depois da avaliação técnica, foram adotados os encaminhamentos indicados. Disse ainda que acompanha o caso junto à família, presta o suporte cabível e mantém o compromisso com a segurança e com os protocolos previstos. Ao final, desejou pronta recuperação ao atleta e solidarizou-se com ele e seus familiares.
Entidades procuradas
O g1 busca, desde 25 de agosto, uma manifestação da Confederação Brasileira de Jiu Jitsu (CBJJ). Até a atualização mais recente, a entidade não havia respondido.
A Federação de Jiu Jistu do Paraná também foi consultada. A instituição informou que desconhecia a realização do campeonato.
A Polícia Civil continuará ouvindo pessoas e examinando a documentação solicitada. A oitiva de Juliano deverá encerrar essa etapa, enquanto os investigadores reúnem elementos para esclarecer o que ocorreu e avaliar a suspeita de golpe irregular.
Via Portal G1

