Cristina Graeml promete defender fim do Fundo Eleitoral se for eleita senadora

Crédito: G1 pr

Candidata ao Senado pelo Paraná, Cristina Graeml (PSD) afirmou nesta sexta-feira (4) que pretende defender o fim do Fundo Eleitoral caso seja eleita. A declaração ocorreu durante entrevista ao Meio-Dia Paraná, telejornal da RPC, afiliada da TV Globo.

A manifestação veio depois de a candidata ser questionada sobre os R$ 3,5 milhões destinados pelo fundo à campanha deste ano. Graeml afirmou que os candidatos deveriam poder receber doações de eleitores e empresários. A posição foi comparada ao que ela havia declarado nas eleições de 2024, quando disputou a Prefeitura de Curitiba e se apresentou como contrária ao emprego de recursos públicos em campanhas eleitorais.

O Meio-Dia Paraná realizou, durante a semana, uma série de entrevistas com os candidatos ao Senado que apareciam mais bem posicionados no cenário estimulado da última pesquisa Quaest. A sequência foi estabelecida por sorteio, feito na presença de representantes das candidaturas. Cada entrevista teve duração prevista de 30 minutos.

Graeml foi a última entrevistada da rodada. A série havia começado com Alexandre Curi (Republicanos), seguido por Gleisi Hoffmann (PT), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL).

Além do financiamento das campanhas, a candidata respondeu a perguntas sobre o Supremo Tribunal Federal, o impeachment de ministros da Corte, mudanças climáticas, eventos extremos, mulheres e desigualdade salarial.

Mudanças partidárias

Um dos assuntos abordados foi o histórico recente de filiações de Graeml. Em pouco mais de um ano, ela passou por PMB, Podemos, União Brasil e PSD, totalizando quatro trocas partidárias.

A candidata afirmou que suas pautas e seus princípios continuam os mesmos. Segundo ela, as mudanças foram determinadas pelas circunstâncias políticas encontradas em cada legenda e pela exigência de estar filiada a um partido para concorrer às eleições.

Graeml também foi questionada sobre críticas que havia feito ao PSD durante a disputa municipal de 2024. Na resposta, disse que “os contextos já mudaram” e afirmou que não existe partido de direita no Brasil. Ela declarou que, atualmente, sua aliança é com o grupo do governador Ratinho Junior. De acordo com a candidata, a fala anterior foi retirada do contexto.

Outro questionamento tratou de duas posições apresentadas em momentos diferentes. Depois de perder a eleição de 2024, Graeml chamou o sistema político de “apodrecido”. Mais tarde, afirmou que era uma honra fazer parte do time de Ratinho Junior. Na eleição para a Prefeitura de Curitiba, ela havia enfrentado Eduardo Pimentel (PSD), que era o candidato apoiado pelo governador.

Graeml disse que continua combatendo o sistema que considera apodrecido. Também afirmou que não está ligada às figuras nacionais que criticava anteriormente e sustentou que seu discurso permanece coerente.

Debate sobre a escala 6×1

A entrevista também abordou a proposta de fim da escala 6×1, que prevê alterações na jornada de trabalho. A medida havia sido votada e aprovada na quarta-feira (2) pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Graeml afirmou que, antes de ampliar os dias de descanso, seria necessário garantir a preservação dos empregos. Na avaliação dela, micro e pequenos empresários poderiam não ter condições de arcar com novas contratações para atender à mudança.

A candidata defendeu que o Senado discutisse primeiro a redução da carga tributária sobre o trabalho. Também questionou quem assumiria o custo da alteração na jornada e quem pagaria a conta caso a proposta avançasse.

Impeachment de ministros do STF

Ao responder sobre a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, Graeml declarou ser favorável. Ela disse que a Constituição precisa ser preservada.

A candidata classificou a situação brasileira como um “estado de exceção”. Para sustentar a avaliação, citou casos de censura envolvendo jornalistas e usuários de redes sociais.

Graeml afirmou ainda que “os abusos do STF acontecem porque o Senado não fiscaliza”. A declaração foi apresentada no contexto da defesa de maior atuação do Senado na fiscalização dos ministros da Corte.

Prevenção diante de eventos extremos

Questionada sobre os eventos climáticos extremos que atingem o Paraná, Graeml defendeu o fortalecimento dos órgãos públicos. Para ela, a resposta aos riscos também deveria envolver sistemas de alerta, tecnologia e informação capazes de avisar a população com antecedência.

A candidata mencionou, ainda, a necessidade de construir moradias mais resistentes. Como exemplo, citou o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu.

Sobre a legislação ambiental, Graeml afirmou que a criação de uma nova lei não resolveria o problema neste momento. A resposta foi dada no debate sobre as medidas necessárias para lidar com os eventos extremos no estado.

Propostas para mulheres

As políticas voltadas às mulheres também foram tema da entrevista. Graeml afirmou que as propostas apresentadas por ela em 2024 já tinham esse público como foco.

Entre os problemas que considera prioritários, citou a falta de creches. Segundo a candidata, essa carência afeta diretamente as mães que trabalham.

Graeml afirmou ainda que pretende atuar na proteção de mulheres vítimas de violência. A declaração foi feita ao apresentar a área de proteção às mulheres como uma das frentes de atuação que pretende levar ao Senado.

Críticas aos senadores do Paraná

No fim da entrevista, a candidata foi questionada sobre declarações anteriores nas quais classificou os atuais senadores do Paraná como omissos. Graeml manteve a crítica.

Como exemplo, citou o voto favorável à indicação de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal. Ela afirmou acreditar que a maioria dos paranaenses não concordava com aquela escolha.

Via Portal G1

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João Pedro Rafannelli

João Pedro Rafannelli acompanha os principais acontecimentos do Brasil, com foco em notícias, decisões, fatos relevantes e temas que impactam diretamente o dia a dia da população.