Casca de melancia tem poucas calorias e nutrientes que muita gente joga fora, e dados nutricionais mostram como aproveitar essa parte da fruta pode reduzir desperdício e ampliar bastante seu uso na cozinha

A parte vermelha e suculenta costuma desaparecer rapidamente do prato, enquanto a casca da melancia quase sempre segue direto para o lixo. Mas aquela camada clara localizada entre a polpa e a parte verde externa também pode ser aproveitada na alimentação.

Dados nutricionais divulgados nos Estados Unidos colocaram essa parte pouco valorizada da fruta sob uma nova perspectiva. Uma porção de 50 gramas de casca de melancia crua e cortada em cubos fornece cerca de 10 calorias, 1 grama de fibras, 140 miligramas de potássio e 4 miligramas de vitamina C.

Isso não significa que a casca seja nutricionalmente superior à polpa ou que tenha algum efeito extraordinário sobre a saúde. O ponto mais interessante é outro: uma parte normalmente descartada pode ser incorporada a diferentes receitas e ainda contribuir com alguns nutrientes.

O que há em 50 gramas de casca crua
10

calorias

1 g

de fibras

140 mg

de potássio

4 mg

de vitamina C

A parte branca é bem diferente da casca verde mais dura

Quando se fala em comer a casca da melancia, não significa necessariamente mastigar aquela camada verde e rígida exatamente como ela sai da fruta.

A parte mais utilizada em receitas é principalmente a região branca ou verde-clara localizada entre a polpa vermelha e a camada externa.

Ela é firme, pouco doce e possui sabor bastante neutro. Isso permite que absorva temperos, vinagre, ervas, molhos e outros ingredientes com facilidade.

Essa característica explica por que a casca aparece tanto em receitas salgadas quanto em conservas, doces e preparações marinadas.

Casca de melancia preparada como alimento em um prato
A parte clara da casca da melancia pode ser temperada e usada em diferentes preparações culinárias. Foto: Mx. Granger / Wikimedia Commons, CC0 1.0.

O maior ganho pode estar em aproveitar melhor uma fruta que já foi comprada

Boa parte do interesse pela casca está relacionada ao aproveitamento integral dos alimentos.

Quando uma melancia é comprada, uma parcela considerável do peso total corresponde à casca. Se toda essa parte for descartada automaticamente, uma quantidade importante do alimento acaba sem utilização.

Transformar uma parte desse material em ingrediente ajuda a reduzir o desperdício doméstico e aumenta as possibilidades de uso de uma única fruta.

Isso não exige abandonar a polpa. Na prática, trata-se de aproveitar primeiro a parte vermelha normalmente e depois reservar a região clara para uma segunda preparação.

A ideia não é substituir a polpa

A parte vermelha continua sendo a região mais conhecida e consumida da fruta. Aproveitar a casca significa simplesmente encontrar uma utilidade culinária para algo que normalmente seria descartado.

Ela pode entrar em receitas que muita gente nunca associaria à melancia

Como possui sabor menos intenso do que a polpa, a parte branca pode funcionar quase como um vegetal em determinadas preparações.

Ela pode ser cortada em tiras ou cubos e depois receber diferentes temperos.

Entre as possibilidades citadas para seu aproveitamento estão saladas, marinadas, refogados, molhos, sucos e vitaminas.

Também existem preparações tradicionais de conserva e doces feitos com casca de melancia em diferentes partes do mundo.

Ralada

Pode entrar em saladas e preparações frescas junto com outros vegetais.

Marinada

O sabor neutro permite absorver vinagre, especiarias e temperos.

Refogada

Pode ser cortada em pedaços e preparada com outros ingredientes salgados.

Em conservas

É uma das formas tradicionais de prolongar seu aproveitamento na cozinha.

A polpa continua concentrando características nutricionais importantes

O interesse crescente pela casca não diminui o valor da parte vermelha.

A melancia é conhecida pelo alto teor de água. Aproximadamente 92% da polpa é composta por água, uma característica que ajuda a explicar a sensação refrescante provocada pela fruta, especialmente em dias quentes.

Duas xícaras de melancia fornecem aproximadamente 80 calorias e também entregam vitamina C, vitamina A, vitamina B6, potássio e outros nutrientes.

A polpa vermelha ainda contém licopeno, pigmento da família dos carotenoides responsável por parte de sua coloração característica.

Por isso, não faz sentido colocar polpa e casca em uma disputa para descobrir qual seria “melhor”. Elas apresentam composições e usos diferentes.

Estudos sobre quem consome melancia precisam ser interpretados com cuidado

Uma pesquisa publicada na revista científica Nutrients observou que crianças e adultos que consumiam melancia apresentavam, em média, alguns indicadores de qualidade da alimentação melhores do que aqueles encontrados entre pessoas que não consumiam a fruta.

Entre as diferenças observadas estavam maiores ingestões de fibras, magnésio, potássio, vitamina A, licopeno e outros carotenoides, além de menor consumo de açúcares adicionados e gorduras saturadas.

Mas esse tipo de resultado não significa que simplesmente começar a comer melancia provoque automaticamente todas essas mudanças.

Trata-se de uma associação observada entre padrões alimentares. Pessoas que consomem determinada fruta também podem ter outros hábitos que influenciam a qualidade geral da alimentação.

Por isso, esses dados ajudam a compreender o lugar da melancia dentro de uma dieta variada, mas não devem ser transformados em promessa de prevenção de doenças.

Antes de aproveitar a casca, a higienização merece atenção

Existe um detalhe prático importante. Como a parte externa da melancia fica exposta durante transporte, armazenamento e manipulação, a superfície deve ser bem higienizada antes do corte.

Isso é importante mesmo quando a intenção inicial é consumir apenas a polpa, porque a faca atravessa a superfície externa antes de chegar à parte interna da fruta.

Depois de higienizada e cortada, a região branca pode ser separada da parte verde mais rígida conforme a receita escolhida.

A textura firme permite testar preparações diferentes sem que seja necessário consumir grandes quantidades de uma vez.

Uma maneira simples de começar é tratar a casca como ingrediente, não como sobra

Talvez essa seja a mudança mais interessante provocada pelos novos dados nutricionais: olhar para a melancia como um alimento que oferece mais possibilidades do que apenas cortar a polpa vermelha em pedaços.

A casca não precisa ganhar fama de alimento milagroso para ter utilidade.

Ela fornece poucas calorias na porção analisada, contém fibras, potássio e vitamina C e, principalmente, pode ser transformada em receitas que evitam o descarte imediato de uma parte considerável da fruta.

Para quem gosta de testar novos ingredientes, a próxima melancia pode render duas experiências diferentes: a polpa doce consumida da maneira tradicional e a parte clara da casca transformada em um novo prato.

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Camila Fernanda Ribeiro da Luz

Camila Fernanda Ribeiro da Luz escreve sobre curiosidades, entretenimento, tendências e assuntos do cotidiano que despertam interesse e movimentam as conversas do dia a dia.