Brasil segura avanço do clima econômico na América Latina enquanto Argentina dispara e assume liderança regional, aponta FGV

O clima econômico da América Latina voltou a melhorar no segundo trimestre de 2026, mas o desempenho mais fraco das expectativas no Brasil limitou uma recuperação mais forte da região. Enquanto a Argentina registrou um salto de 54,8 pontos e assumiu a liderança regional, o indicador brasileiro avançou apenas 4,7 pontos.

Os dados fazem parte do Indicador de Clima Econômico, o ICE, divulgado pela Fundação Getulio Vargas. O índice da América Latina subiu 10,7 pontos no trimestre e chegou a 83,7 pontos, interrompendo a retração registrada no começo do ano e retomando a trajetória de melhora observada ao longo de 2025.

Apesar do avanço, a pontuação regional continua abaixo dos 100 pontos, nível que separa uma avaliação considerada favorável de um cenário econômico desfavorável na metodologia utilizada pela FGV.

Argentina dispara e chega a 123,1 pontos

A Argentina apresentou a maior recuperação entre as principais economias analisadas. O ICE do país avançou 54,8 pontos e chegou a 123,1, a maior pontuação registrada na região durante o segundo trimestre.

O resultado colocou o país acima da linha dos 100 pontos e refletiu uma forte melhora na percepção sobre o ambiente de negócios.

Na média acumulada em 12 meses, o ICE da América Latina chegou a 83 pontos, avanço de 1,4 ponto em relação ao trimestre anterior.

A recuperação aconteceu em um período marcado também pelo aumento das incertezas internacionais após a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã no final do primeiro trimestre, que provocou choque na oferta de petróleo e aumentou a preocupação com a economia global.

Mesmo nesse cenário, a América Latina foi vista por parte dos analistas consultados como relativamente menos exposta, devido à localização geográfica e à condição regional de exportadora líquida de energia. Segundo a pesquisa, 68,2% dos especialistas esperavam impactos nulos ou moderados sobre o PIB latino-americano.

Brasil melhora, mas permanece em terreno desfavorável

No Brasil, o Indicador de Clima Econômico avançou 4,7 pontos e chegou a 76,9 no segundo trimestre.

Embora represente uma melhora, o resultado ficou muito abaixo do crescimento observado na Argentina e também da recuperação registrada pela Colômbia.

Segundo a análise da FGV, a avaliação sobre a situação atual apresentou melhora, mas as expectativas para os próximos seis meses continuaram enfraquecidas.

Como o Brasil representa a maior economia da América Latina, o desempenho mais fraco das expectativas brasileiras teve peso relevante no resultado regional e impediu que o indicador de expectativas do continente consolidasse uma recuperação mais forte.

Eleições aumentam cautela sobre economia brasileira

A proximidade da eleição presidencial aparece entre os fatores que aumentam a cautela dos analistas em relação aos próximos meses no Brasil.

Segundo a avaliação apresentada pela FGV, o ambiente eleitoral aumenta a sensibilidade das expectativas econômicas e contribui para uma postura mais cautelosa em relação ao futuro do país.

Essa percepção ajuda a explicar por que a melhora do indicador brasileiro ficou distante da registrada em outros mercados latino-americanos, mesmo com revisões mais favoráveis para o crescimento da economia brasileira em 2026.

O resultado mostra uma diferença entre a percepção sobre o momento atual e a confiança sobre os próximos meses, com as expectativas futuras ainda exercendo pressão negativa sobre o indicador brasileiro.

Colômbia avança e México recua

Além da Argentina, a Colômbia também apresentou uma recuperação expressiva. O indicador colombiano avançou 27 pontos e atingiu 93,7.

Entre as principais economias analisadas, o México foi a única a registrar queda no período. O ICE mexicano recuou 3,2 pontos e ficou em 56,9.

Os principais resultados do segundo trimestre ficaram assim:

  • Argentina: 123,1 pontos, alta de 54,8 pontos;
  • Colômbia: 93,7 pontos, alta de 27 pontos;
  • Brasil: 76,9 pontos, alta de 4,7 pontos;
  • México: 56,9 pontos, queda de 3,2 pontos.

Projeção de crescimento da América Latina permanece em 1,9%

Mesmo com a melhora do clima econômico, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto da América Latina em 2026 permaneceu em 1,9%, o mesmo percentual estimado no primeiro trimestre.

A estabilidade da previsão regional, porém, esconde movimentos diferentes entre os países.

Brasil e Colômbia tiveram revisões positivas nas estimativas de crescimento, ajudando a compensar reduções nas projeções de outras economias.

Chile e Bolívia ficaram entre os países com as maiores revisões para baixo no período.

O levantamento mostra, portanto, uma América Latina com melhora na percepção econômica, mas avançando em ritmos bastante diferentes. A Argentina aparece como principal responsável pela recuperação do indicador, enquanto o Brasil, mesmo apresentando melhora, continua abaixo da linha considerada favorável e com expectativas futuras mais fracas.

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João Pedro Rafannelli

João Pedro Rafannelli acompanha os principais acontecimentos do Brasil, com foco em notícias, decisões, fatos relevantes e temas que impactam diretamente o dia a dia da população.