Caminhoneiros Adiam Greve Após Negociações com Governo e Boulos Culpa Distribuidoras por Aumento do Diesel

Lideranças de caminhoneiros decidiram adiar a possibilidade de uma greve nacional, que estava sendo cogitada devido à recente alta no preço do diesel. A decisão veio após intensas negociações com o governo federal, que busca alternativas para conter a escalada dos custos do combustível.

A categoria se reunirá novamente na próxima semana, no dia 26, para reavaliar a situação e definir os próximos passos. O aumento de mais de 20% no preço do diesel nas últimas três semanas, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, tem gerado grande preocupação entre os motoristas.

Em entrevista, o ministro Guilherme Boulos afirmou que as negociações foram feitas de maneira “muito, mas muito insistente e respeitosa” com os caminhoneiros, que acabaram dando um voto de confiança ao governo. Conforme informação divulgada pelo programa Alô Alô Brasil, Boulos destacou que uma paralisação neste momento não seria a solução para o problema.

MP do Piso do Frete Ajuda a Desatar Nós nas Negociações

Um dos pontos que contribuiu para o avanço nas negociações foi a edição da Medida Provisória 1.343/2026 pelo presidente Lula. Esta MP visa endurecer a fiscalização sobre o pagamento do piso do frete, um pleito antigo da categoria dos caminhoneiros. A medida reforça o compromisso do governo em buscar soluções que beneficiem os trabalhadores do setor.

Boulos Aponta Especulação de Distribuidoras como Vilãs do Aumento

O ministro Guilherme Boulos não hesitou em apontar os responsáveis pela alta no preço do diesel, atribuindo a culpa à especulação de mercado. “Tem especulação de malandro, distribuidora e posto de gasolina malandro”, declarou Boulos, questionando por que o aumento não havia chegado aos consumidores antes. Ele explicou que o reajuste da Petrobras foi compensado pela zeragem do PIS e Cofins, resultando em um “zero a zero” inicial.

Boulos foi enfático ao citar as empresas que, segundo ele, estariam se aproveitando da situação. “Aqui vamos dar nome aos bois: a dona Ipiranga, dona Raíssa, dona Fibra são as três grandes distribuidoras que foram especular em cima da desgraça do povo”, afirmou o ministro, evidenciando a gravidade da situação e a necessidade de ações de fiscalização mais rigorosas.

Governo Pede Adesão de Estados na Redução de Impostos sobre Diesel

Em paralelo às negociações com as distribuidoras, o governo federal também está em diálogo com os governadores dos estados. O objetivo é convencê-los a zerar a cobrança do ICMS, imposto estadual, sobre o óleo diesel. Essa medida, somada à já realizada pelo governo federal de zerar o PIS e Cofins, seria fundamental para amortecer o impacto da alta dos combustíveis no bolso dos consumidores.

No entanto, Boulos lamentou a falta de cooperação de alguns governadores. “Lula zerou o PIS e Cofins sobre o óleo diesel e sobre o petróleo. Eles [os governadores Tarcísio de Freitas, Cláudio Castro e Romeu Zema] se recusam a zerar o ICMS”, criticou o ministro, mostrando a dificuldade em obter um consenso nacional para a solução do problema. A expectativa é que a pressão continue para que os estados também contribuam com a redução dos preços.

A decisão dos caminhoneiros de adiar a greve demonstra a confiança depositada nas negociações em andamento, mas a categoria segue atenta a possíveis desdobramentos. O governo, por sua vez, reforça o compromisso em buscar soluções sustentáveis para o setor e combater a especulação que afeta o preço do diesel.

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Diretor de Estratégia de Conteúdo e responsável pela Redação CEF no portal Catanduvas em Foco. Com uma forte presença digital e mais de 5 mil seguidores em suas redes sociais, Lesk lidera a curadoria de notícias e tendências do grupo Estúdio Mídia Publicidades LTDA. Sob sua coordenação, a redação já produziu mais de 4 mil publicações focadas em agilidade e utilidade pública, alcançando a marca histórica de 10 milhões de acessos no portal.