As eleições de 2026 espalharam pelas urnas uma coleção de nomes ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre os registros aparecem desde candidatos que realmente pertencem à família Bolsonaro até concorrentes que adotaram expressões como “Bolsonaro da Shopee”, “Lula do Bem”, “Lula de Alagoas” e “Bolsonaro Sergipano”.
O levantamento reúne 40 candidaturas diferentes relacionadas aos nomes dos dois políticos. Na listagem original aparecem 29 registros com Bolsonaro e 12 com Lula, mas um dos candidatos, Renato Araújo do Bolsonaro, aparece repetido em duas classificações, fazendo a relação visual chegar a 41 registros.
Entre os nomes associados a Bolsonaro, 21 foram apresentados no levantamento como candidatos sem parentesco com o ex-presidente. Outros oito registros aparecem na relação destinada a familiares. Já no grupo ligado a Lula, sete candidatos adotaram o nome claramente como homenagem ou referência política, enquanto outros utilizam Lula como sobrenome ou apelido.
Santa Catarina tem dois nomes diretamente ligados à família Bolsonaro
Em Santa Catarina, somente dois dos 692 candidatos registrados na Justiça Eleitoral aparecem com Bolsonaro no nome de urna. Os dois são filhos do ex-presidente.
Carlos Bolsonaro (PL) disputa uma vaga no Senado depois de transferir seu domicílio eleitoral para Santa Catarina. Jair Renan Bolsonaro (PL), por sua vez, concorre a deputado federal e utiliza “Jair Bolsonaro” como nome apresentado ao eleitor.
O caso catarinense é diferente da maior parte dos candidatos espalhados pelo país que utilizam Bolsonaro no nome eleitoral sem terem parentesco com o ex-presidente.
Bolsonaro da Shopee chama atenção em Mato Grosso
Um dos casos mais curiosos está em Mato Grosso. O pecuarista Vilmar Rigo, candidato a deputado federal pelo Novo, adotou o nome de urna “Bolsonaro da Shopee”.
A escolha explora a semelhança física do candidato com Jair Bolsonaro e faz referência à expressão popular usada na internet para comparar alguém a uma versão semelhante de outra pessoa.
Dos 21 registros classificados no levantamento como candidatos sem parentesco com o ex-presidente que usam Bolsonaro no nome, 12 pertencem ao PL.
Também aparecem casos como “Bolsonaro Sergipano”, candidato a deputado estadual em Sergipe, e “Thiago Neves – Enéas Bolsonaro”, que reúne no mesmo nome eleitoral referências a Bolsonaro e ao médico e ex-candidato à Presidência Enéas Carneiro.
Do outro lado aparecem os “Lulas” das eleições
O nome de Lula também virou estratégia eleitoral em diferentes estados. Sete candidatos incorporaram a palavra ao nome de urna em uma homenagem ou referência direta ao presidente.
Entre eles está “Lula de Alagoas”, candidato a deputado estadual que aparece na fotografia eleitoral usando chapéu, reforçando a semelhança visual com Lula.
Outro exemplo é Samanda de Lula (PT), candidata ao Senado pelo Rio Grande do Norte. Entre os sete nomes classificados como homenagens ao presidente, seis são do PT e um pertence ao Avante.
Há ainda candidatos em que Lula aparece como sobrenome ou como apelido derivado de Luiz, sem necessariamente representar uma homenagem política.
Um dos casos que mais chama atenção ocorre justamente no PL. O médico Célio José de Morais, candidato a deputado federal em São Paulo e identificado como bolsonarista, adotou o nome “Dr. Célio, Lula do Bem”. Ele reconheceu a semelhança física com o presidente ao escolher a expressão para aparecer na urna.
Veja os candidatos com Lula ou Bolsonaro no nome de urna
A galeria abaixo reúne os 41 registros visuais apresentados no levantamento. No celular, basta deslizar a imagem para o lado. O sistema usa rolagem nativa do navegador, sem biblioteca externa e sem JavaScript, para reduzir o peso da página.
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Quem usa Bolsonaro sem ter parentesco
Na relação publicada, 21 candidaturas aparecem no grupo de pessoas sem parentesco com Jair Bolsonaro:
- Boaz do Bolsonaro (PL), candidato a deputado estadual pelo Ceará;
- Samanta Bolsonaro (PL), candidata a deputada estadual por São Paulo;
- Alessandro Bolsonaro (Pode), candidato a deputado distrital pelo Distrito Federal;
- Decinho Bolsonaro do Barreiro (Pode), candidato a deputado federal por Minas Gerais;
- Jean Bolsonaro (PL), candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro;
- Rodrigo Bolsonaro (Agir), candidato a governador pelo Rio Grande do Norte;
- Bruno Bolsonaro Scheid (PL), candidato a senador por Rondônia;
- Clodoaldo Bolsonaro (PP), candidato a deputado estadual por São Paulo;
- Thiago Neves – Enéas Bolsonaro (PL), candidato a deputado federal por São Paulo;
- Fabiana Bolsonaro (PL), candidata a deputada estadual por São Paulo;
- Renata Bolsonaro (Agir), candidata a vice-governadora por São Paulo;
- Renato Araújo do Bolsonaro (PL), candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro;
- Freitas Bolsonaro (DC), candidato a deputado federal pelo Espírito Santo;
- Bolsonaro Sergipano (PL), candidato a deputado estadual por Sergipe;
- Negona do Bolsonaro (PL), candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro;
- Joel Bolsonaro (PL), candidato a deputado estadual pelo Rio Grande do Sul;
- Bolsonaro da Shopee (Novo), candidato a deputado federal por Mato Grosso;
- Flaviane do Bolsonaro (Novo), candidata a deputada estadual por Mato Grosso;
- Fão do Bolsonaro (PL), candidato a deputado estadual pelo Paraná;
- Helio Bolsonaro (PL), candidato ao Senado por Roraima;
- Helio Rodrigues Bolsonaro (Democrata), candidato ao Senado pelo Tocantins.
Nomes classificados na relação como parentes de Bolsonaro
A listagem original apresenta outros oito registros no grupo de candidatos com parentesco:
- Jair Bolsonaro (PL), candidato a deputado federal por Santa Catarina;
- Michelle Bolsonaro (PL), candidata ao Senado pelo Distrito Federal;
- Renato Araújo do Bolsonaro (PL), candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro;
- Rogeria Bolsonaro (PL), candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro;
- Renato Bolsonaro (PL), candidato a deputado federal por São Paulo;
- Valeria Bolsonaro (PL), candidata a deputada estadual por São Paulo;
- Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República;
- Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado por Santa Catarina.
Renato Araújo do Bolsonaro aparece também na relação anterior, razão pela qual a galeria possui 41 registros apesar de a reportagem contabilizar 40 candidatos distintos.
Sete candidatos fazem referência direta a Lula
Entre os candidatos classificados como homenagens ou alusões ao presidente, aparecem:
- Lula Tio do Biscoito (PT), candidato a deputado federal por Minas Gerais;
- Lula de Alagoas (PT), candidato a deputado estadual por Alagoas;
- Cadu de Lula (PT), candidato a governador pelo Rio Grande do Norte;
- Carlin Lula (Avante), candidato a deputado federal por Minas Gerais;
- Pâmela Maranhão Lula (PT), candidata a deputada estadual pelo Maranhão;
- Panayotis do Lula (PT), candidato a deputado estadual pelo Rio de Janeiro;
- Samanda de Lula (PT), candidata ao Senado pelo Rio Grande do Norte.
Outros quatro usam Lula como apelido ou sobrenome
Há ainda quatro candidaturas em que Lula aparece no nome eleitoral sem serem classificadas no grupo de homenagem direta:
- Dr. Célio, Lula do Bem (PL), candidato a deputado federal por São Paulo;
- Carlos Lula (PSB), candidato a deputado estadual pelo Maranhão;
- Lula da Tapioca (Mobiliza), candidato a deputado federal pela Paraíba;
- Lula da Fonte (PP), candidato a deputado federal por Pernambuco.
Além deles, o próprio presidente Lula (PT) disputa a Presidência da República utilizando simplesmente “Lula” como nome de urna.
Justiça Eleitoral estabelece limites para nomes usados na urna
Usar nomes associados a figuras políticas conhecidas pode ser uma forma de aumentar o reconhecimento diante do eleitor, mas a escolha não é totalmente livre.
A advogada especializada em Direito Eleitoral Nicole Gotsfridt explicou que não existe uma proibição direta ao uso desse tipo de expressão. Há, entretanto, regras destinadas a evitar confusão sobre a identidade de quem concorre.
De acordo com as normas eleitorais, o nome escolhido não pode gerar dúvida sobre quem é o candidato, atentar contra o pudor ou assumir caráter considerado ridículo ou irreverente.
Também não é permitido utilizar expressões ou siglas pertencentes a órgãos da administração pública federal, estadual, distrital ou municipal.
Por causa desses limites, candidatos que tentam incorporar nomes de políticos conhecidos à identificação eleitoral podem enfrentar questionamentos ou pedidos de impugnação. A análise depende das características de cada registro e cabe à Justiça Eleitoral durante o processo de candidatura.
A multiplicação de “Lulas” e “Bolsonaros” nas eleições de 2026 mostra como os dois nomes continuam presentes não apenas na disputa presidencial, mas também nas estratégias adotadas por candidatos a governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados, assembleias legislativas e cargos de vice.













































