Crédito da imagem: G1 pr
A artista plástica paranaense Daine Mari Chibiaqui precisou interromper a agenda de encomendas para 2027 e 2028 depois que um vídeo com suas pinturas ganhou grande repercussão nas redes sociais. A divulgação de uma das obras fez com que pessoas de diferentes regiões do Brasil e também do exterior procurassem a artista para fazer pedidos. Como a produção depende exclusivamente do trabalho dela, Daine deixou de aceitar novas encomendas para conseguir atender a demanda já acumulada.
Daine nasceu em Medianeira, no Oeste do Paraná, e se dedica às artes plásticas há cinco décadas. Ao longo desse período, desenvolveu uma produção marcada pela presença de elementos da natureza, entre eles ipês, araucárias e flores. As telas são feitas no Paraná e podem alcançar valores de até R$ 25 mil. O preço de cada peça depende do tempo necessário para concluí-la, da técnica escolhida e dos produtos utilizados na execução.
Recentemente, Daine vendeu por aproximadamente R$ 25 mil uma pintura de cerca de 2,5 metros. A obra pertence à série Verdant, conjunto de trabalhos que reúne referências naturais. Foi um quadro dessa série que apareceu no vídeo responsável pelo aumento repentino da procura. A repercussão fez o trabalho da artista chegar a compradores de várias partes do mundo.
Mesmo com a agenda cheia, Daine continua responsável por todas as etapas da pintura. A produção não é repassada a outras pessoas. Em média, ela consegue finalizar dois ou três quadros por mês, embora o prazo varie conforme o tamanho e a complexidade de cada obra. Uma tela pode exigir cerca de dez dias até ficar pronta, e os trabalhos maiores demandam ainda mais tempo.
Além da produção autoral, a artista oferece aulas de arte em seu ateliê. Ela também registra e publica o processo de criação, assim como os resultados das pinturas, para mais de 60 mil seguidores. A rotina é extensa: Daine costuma chegar ao espaço de trabalho por volta das 6h45 e permanecer ali até perto das 22h, dividindo o dia entre a elaboração das telas, as aulas e os atendimentos.
Em determinados períodos, o esforço começa ainda mais cedo. A artista relata que chega a acordar entre 3h e 4h da manhã para avançar nas pinturas. Somando as diferentes atividades, ela pode trabalhar por mais de 15 horas em um único dia. A rotina precisou ser mantida mesmo depois do aumento das encomendas, já que o volume de pedidos não alterou a maneira como as obras são produzidas.
O interesse do público não se restringe ao valor ou ao tamanho das peças. Segundo Daine, a intenção das pinturas da série Verdant é aproximar as pessoas da natureza brasileira. As imagens procuram recuperar a presença de árvores, flores, aves e paisagens que fazem parte da memória de muitos espectadores. Para a artista, a tela pode funcionar como uma ligação entre quem observa a obra e os ambientes naturais representados nela.
Entre as criações mais frequentes estão as pinturas de ipês, araucárias e flores. As araucárias ocupam um espaço especial na trajetória de Daine e aparecem também na coleção Araucárias da Neblina. A série chegou recentemente à 20ª obra. Em cada pintura, a árvore é apresentada em uma paisagem diferente, muitas vezes envolta por névoa.
A relação da artista com essa árvore começou durante a infância, em Capanema, no Sudoeste do Paraná. Daine cresceu observando muitas araucárias na região e incorporou essas lembranças à própria produção. A história familiar também está ligada à espécie. A família mantinha uma serraria e compartilhava relatos sobre o período em que árvores muito grandes eram derrubadas como forma de garantir uma fonte de renda.
Com o tempo, porém, a relação da família com a natureza se transformou. Por meio do trabalho desenvolvido ao longo dos anos, os familiares conseguiram comprar uma área de vegetação nativa. O espaço foi transformado em uma Área de Preservação Permanente, conhecida pela sigla APP, e passou a ser mantido pela família. O local se tornou uma das referências utilizadas por Daine para criar suas pinturas.
A artista já comercializou mais de vinte obras que retratam araucárias. A quantidade evidencia a importância do tema em sua trajetória e explica por que a árvore aparece em diferentes fases de seu trabalho. Na coleção dedicada às araucárias cobertas pela neblina, a mesma espécie é observada em paisagens variadas, com mudanças de atmosfera e cenário, sem deixar de ocupar o centro das composições.
O alcance das encomendas aumentou depois que o vídeo foi compartilhado nas redes sociais. Daine já havia enviado obras para a França e a Itália antes da viralização. Depois da repercussão, também atendeu pedidos de clientes nas Filipinas, na Arábia Saudita, no Iraque e no Catar. A divulgação ampliou a visibilidade do trabalho e fez com que a agenda de produção fosse preenchida por pedidos nacionais e internacionais.
Parte dos compradores que vivem fora do Brasil é formada por brasileiros. Conforme o relato da artista, essas pessoas procuram nas pinturas lembranças de lugares onde moraram ou de paisagens que fizeram parte de suas vidas. A tela, nesse caso, não é vista apenas como uma imagem decorativa, mas também como uma maneira de manter próxima uma recordação associada ao país ou a uma região conhecida.
Daine conta ainda que alguns clientes identificaram nas pinturas elementos capazes de despertar memórias familiares. Ela ouviu relatos de pessoas que disseram reconhecer, em determinada árvore ou ave representada, algo que lembrava a casa dos pais ou o quintal onde passaram a infância. Essas reações reforçam o vínculo entre os temas escolhidos pela artista e experiências pessoais do público.
A demanda que levou ao fechamento temporário da agenda surgiu, portanto, de uma combinação entre a circulação do vídeo e a identificação dos espectadores com as cenas naturais apresentadas nas telas. A artista continua produzindo sozinha, em ritmo limitado a dois ou três quadros mensais, enquanto concilia as encomendas com as aulas e os atendimentos realizados no ateliê.
O trabalho de Daine permanece concentrado no Paraná, embora suas obras já tenham chegado a diferentes países. A área de vegetação nativa mantida pela família continua sendo uma fonte de inspiração, assim como as lembranças da infância em Capanema e a presença das araucárias na paisagem paranaense. Esses elementos aparecem ao lado de ipês, flores e outros componentes naturais que compõem sua produção.
Ao compartilhar o processo nas redes sociais, a artista mostra tanto o resultado final quanto o caminho percorrido até a conclusão das pinturas. A exposição do trabalho cotidiano contribuiu para que mais de 60 mil pessoas acompanhassem sua produção. Foi nesse ambiente que o vídeo de uma obra da série Verdant alcançou grande visibilidade e provocou o crescimento das encomendas.
A agenda fechada para os dois anos seguintes não significa que Daine tenha deixado de pintar. Pelo contrário, a medida foi adotada para preservar o controle sobre a execução das telas e evitar que novos pedidos ultrapassassem sua capacidade de produção. Como cada peça pode levar dias para ser concluída e os quadros maiores exigem ainda mais tempo, a artista optou por trabalhar apenas com as encomendas já assumidas.
Enquanto mantém a rotina intensa no ateliê, Daine segue desenvolvendo pinturas voltadas à natureza brasileira. A série Verdant continua associada ao desejo de aproximar o público das paisagens naturais, e Araucárias da Neblina amplia uma relação iniciada na infância. As obras, que chegam a custar R$ 25 mil, refletem cinco décadas de dedicação às artes plásticas e passaram a alcançar um público internacional depois da repercussão nas redes sociais.
Via Portal G1




