Afta na boca: veja as causas e quando pode ser problema de saúde

Sentir aquela dorzinha incômoda ao mastigar, falar ou engolir é algo que quase todo mundo já experimentou. A afta é uma pequena lesão arredondada, com centro esbranquiçado ou amarelado e bordas avermelhadas, que se forma na mucosa delicada da boca. Apesar de pequena, essa feridinha pode causar um desconforto enorme durante as refeições e nas tarefas simples do dia a dia.

Na maioria dos casos, a afta é um evento passageiro e inofensivo que desaparece sozinho em até duas semanas. No entanto, quando as lesões começam a pipocar com frequência ou demoram para sarar, surgem muitas dúvidas sobre o que realmente está acontecendo no organismo. Entender quais são os gatilhos mais comuns ajuda a evitar novos episódios e a reconhecer o momento certo de procurar orientação profissional.

Traumas mecânicos e mordidas acidentais na bochecha

Uma das causas mais imediatas para o surgimento de uma feridinha na boca é o atrito ou a agressão física direta ao tecido da mucosa oral:

  • Mordidas acidentais enquanto você mastiga a comida com pressa ou conversa à mesa;
  • Escovação com força excessiva ou uso de escovas de dente com cerdas muito duras;
  • Atrito constante provocado por braquetes e pontas metálicas de aparelhos ortodônticos;
  • Próteses dentárias mal ajustadas que raspam na gengiva ou na lateral da língua.

Esses pequenos machucados funcionam como uma porta aberta para a inflamação local, especialmente em indivíduos que já possuem uma predisposição natural para desenvolver aftas.

O impacto do estresse e da imunidade no surgimento das lesões

Muitas pessoas percebem que as feridas na boca costumam surgir justamente em semanas de provas na faculdade, prazos apertados no trabalho ou problemas familiares. O estresse emocional contínuo altera a liberação de hormônios como o cortisol, o que acaba desregulando temporariamente o sistema imunológico.

Com as defesas do organismo mais baixas, a mucosa bucal fica vulnerável a processos inflamatórios. O estresse não é a única causa isolada da afta, mas atua como um forte gatilho desencadeador para quem já tem tendência às crises.

Falta de vitaminas e deficiências nutricionais

Quando as aftas se tornam repetitivas e não dão trégua, o problema pode estar escondido na carência de nutrientes fundamentais no sangue:

  • Baixos níveis de vitamina B12 e ácido fólico, indispensáveis para a regeneração celular da boca;
  • Falta de ferro no organismo e quadros de anemia;
  • Deficiência de zinco, mineral que atua diretamente na cicatrização de tecidos e na resposta imune.

Nesses casos de feridas recorrentes, não se deve tomar suplementos por conta própria. O mais seguro é fazer exames de sangue laboratoriais solicitados por um médico para identificar a carência exata e corrigi-la com ajustes na alimentação ou suplementação correta.

Alimentos ácidos causam aftas ou apenas pioram a dor?

Existe um mito popular de que comer frutas cítricas, como abacaxi, kiwi ou limão, é a causa direta do problema. Na verdade, os alimentos ácidos, muito condimentados ou com excesso de sal não criam a afta do zero. O que eles fazem é irritar profundamente uma ferida que já estava aberta, provocando aquela ardência intensa e desconfortável na boca.

Diferença fundamental entre afta e herpes labial

É comum haver confusão entre essas duas lesões, mas elas possuem origens e localizações totalmente distintas:

  • Aftas: surgem exclusivamente na parte interna da cavidade bucal, como no interior das bochechas, na língua, na gengiva e no fundo dos lábios, não sendo causadas por vírus nem sendo contagiosas;
  • Herpes labial: é provocado por uma infecção viral, manifesta-se em forma de pequenas bolhas agrupadas e aparece quase sempre no lado de fora dos lábios ou na pele ao redor da boca, sendo altamente transmissível pelo contato direto.

Aftas frequentes podem indicar doenças inflamatórias?

Embora a maioria das aftas seja benigna, episódios muito severos e constantes exigem atenção médica especializada. Feridas que reaparecem todo mês ou que vêm acompanhadas de sintomas digestivos podem estar ligadas a condições autoimunes ou gastrointestinais, como a doença celíaca, a doença de Crohn e a síndrome de Behçet.

Se a lesão for excessivamente grande, persistir por mais de três semanas sem regredir ou vier acompanhada de febre e ínguas no pescoço, consulte um dentista ou médico para um diagnóstico preciso.

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Camila Fernanda Ribeiro da Luz

Camila Fernanda Ribeiro da Luz escreve sobre curiosidades, entretenimento, tendências e assuntos do cotidiano que despertam interesse e movimentam as conversas do dia a dia.