Ideb aponta ensino médio do DF um dos piores do país enquanto Goiás se destaca

Os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), revelaram que o ensino médio público do Distrito Federal registrou um dos piores desempenhos do país. A capital federal ficou à frente apenas de cinco unidades federativas: Amazonas, Amapá, Bahia, Maranhão e Roraima.

Em contrapartida, o estado vizinho de Goiás obteve resultados expressivos, emplacando 10 unidades escolares na lista dos 20 melhores escolas públicas do Brasil no ranking do Ideb. Metade dessas instituições goianas de destaque cinco colégios estão localizadas no município de Formosa, no Entorno do Distrito Federal. O Colégio Estadual Doutor José Balduíno de Souza Décio, também situado no Entorno, alcançou a marca de terceiro melhor ensino médio público do país.

A queda do Distrito Federal no ranking nacional

O desempenho do Distrito Federal acendeu um alerta no setor educacional por ter sido a única unidade da Federação a registrar recuo na nota do Ideb em relação à edição anterior. Entre 2023 e 2025, o índice da capital caiu de 4,2 para 4,1.

A nota deixa o DF abaixo da média nacional do ensino médio, que ficou em 4,5, e distante da meta estipulada pelo Ministério da Educação, que prevê a nota 5,2 para os estados.

Ranking do Ideb 2025 no ensino médio por unidade federativa:

  • Goiás: 4,9
  • Espírito Santo: 4,9
  • Piauí: 4,9
  • Pernambuco: 4,7
  • Rio Grande do Sul: 4,7
  • Ceará: 4,5
  • Minas Gerais: 4,5
  • Paraná: 4,5
  • Pará: 4,4
  • São Paulo: 4,4
  • Acre: 4,3
  • Mato Grosso do Sul: 4,3
  • Sergipe: 4,3
  • Alagoas: 4,2
  • Corrente/Brasil (média): 4,5
  • Mato Grosso: 4,2
  • Paraíba: 4,2
  • Rio de Janeiro: 4,2
  • Rio Grande do Norte: 4,2
  • Rondônia: 4,2
  • Santa Catarina: 4,2
  • Tocantins: 4,2
  • Distrito Federal: 4,1
  • Amazonas: 4,0
  • Roraima: 4,0
  • Amapá: 3,9
  • Bahia: 3,9
  • Maranhão: 3,7

Análise de especialistas e o impacto no acesso ao ensino superior

Especialistas em educação destacam que o ensino médio é a etapa mais complexa da Educação Básica por preparar os estudantes para a transição para a vida adulta e o acesso ao ensino superior. Os conteúdos dessa fase são cobrados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e em vestibulares tradicionais, sendo decisivos para a conquista de vagas em universidades públicas ou bolsas no ensino privado.

Segundo o especialista em educação Renato Brito, coordenador do programa de stricto sensu da Universidade Católica de Brasília (UCB), os gargalos do DF estão centrados na necessidade de três frentes prioritárias:

  • Acompanhamento individualizado: Implementação de suporte pedagógico contínuo e focado nas necessidades específicas de cada aluno.
  • Fortalecimento de bases essenciais: Foco na recomposição de aprendizagem nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, que são a base das avaliações do Saeb.
  • Monitoramento por unidade escolar: Avaliação constante do desempenho de cada colégio para permitir intervenções direcionadas ao longo do ano letivo.

O especialista ressalta que o sucesso obtido por estados como Goiás decorre da manutenção da educação como uma política pública continuada ao longo de diferentes gestões governamentais.

Posicionamento oficial da Secretaria de Educação do DF

Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) reconheceu a necessidade de reforçar as ações voltadas para os últimos anos da Educação Básica e apontou o ensino médio como o principal ponto de atenção da rede pública de ensino.

A pasta informou que a estratégia para o próximo ciclo será expandir para o ensino médio a mesma metodologia de acompanhamento pedagógico já utilizada na etapa de alfabetização. A medida inclui diagnósticos periódicos, recomposição de habilidades essenciais, apoio direto às Coordenações Regionais de Ensino (CREs) e monitoramento frequente das escolas.